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Geada tardia causa prejuízos às lavouras

18/09/2015 - Por Jornal Semanal
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Culturas do trigo, milho, hortaliças e árvores frutíferas tiveram danos que ainda 
não foram contabilizados pela Emater no Estado
A geada que cobriu as lavouras do Rio Grande do Sul nas madrugadas de sábado e domingo trouxe preocupação para os agricultores gaúchos, especialmente para os produtores de trigo. O fenômeno climático veio tardiamente e com o potencial de prejudicar até 80% das áreas plantadas com a cultura, já que, de acordo com informações da Emater-RS, 42% das lavouras gaúchas do cereal estavam em fase de floração; e outras 38%, em enchimento de grãos, etapas em que a geada pode ser fatal para o grão.
Em Três de Maio, conforme o chefe do Escritório da Emater, Leonardo Rustick, o fenômeno não era esperado neste momento, ainda mais com tamanha intensidade. "Nos últimos 10 anos, tivemos em sete anos adversidades climáticas que comprometeram a produtividade do cereal".
No município, foram cultivados 8.500 hectares com o trigo.
Leonardo relata que a geada prejudicou as lavouras localizadas em pontos mais baixos, mas que o montante da perda vai depender da fase em que se encontra a cultura. Isso porque, até a fase de florescimento, o trigo é muito resistente. Após essa fase, o trigo se torna mais suscetível. 
O detalhamento do percentual de perdas vai depender de lavoura para lavoura, e da fase que se encontra a cultura.

Milho também foi prejudicado
Como o milho é uma cultura de verão, o ideal é umidade e calor para se desenvolver.
No município, as lavouras de milho estavam na fase de desenvolvimento vegetativo. "O grande problema é que se a geada foi de grande intensidade, matou a base e a planta não consegue mais rebrotar. Mas, se foi de menor impacto, há uma queima superficial das folhas, que conseguem rebrotar e ter condição de dar uma produção satisfatória", explica o técnico, destacando que a área do milho neste ano é de 5.800 hectares. 
Com a geada tardia houve também perdas nas lavouras de hortaliças e árvores frutíferas.
É o caso do  Sítio São José, localizado em Lajeado Lambedor, interior de Três de Maio. Conforme o agricultor Sílvio Naressi, cerca de mil pés de melancia e dois mil pés de melão que já estavam nascidos foram queimados e terão que ser replantados. Também ocorreram perdas em feijão de vagem.
Outra área, com 800 pés de melancia que estavam para emergir, também foi afetada pela geada, mas segundo o horticultor, ainda não há como prever o tamanho das perdas.
Conforme Naressi, as perdas devem chegar a 40 % do que já estava plantado. "Tenho que comprar semente e começar do zero, além disso, a produção atrasa muito, em torno de 20 dias", informa. 
A Emater orienta que no momento que o agricultor perceber que não irá conseguir pagar a safra, devido aos prejuízos causados pela geada, poderá solicitar o seguro agrícola para ter cobertura do Poagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária).

Previsão era de boa safra no RS
Antes do fenômeno climático do último fim de semana, a projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) era de uma safra de trigo muito superior à do ano passado. No RS, a área plantada de trigo apresentava queda de 21,3% em relação ao ano anterior. Mesmo assim, a projeção era de que houvesse um aumento de 55,7% na produção, com 2,36 milhões de toneladas ante 1,51 milhão no período 2013/2014.
Na propriedade da família Naressi os pés de melancia que estavam em desenvolvimento 
foram prejudicados pela geada e terão que ser replantados

FOTO PRINCIPAL: RICARDO BOURSCHEID
FOTO 2: SÍLVIO NARESSI



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