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A Psicologia e mais uma das suas contribuições

25/09/2015 - Por Jornal Semanal
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Tamara Raquel Fim* 
Este ano o Estatuto da Criança e do Adolescente completou 25 anos de regulamentação (Lei Federal n.º 8069/90), e os Conselhos Tutelares como órgãos não jurisdicionais, permanentes e autônomos, tentam dentro de suas possibilidades assegurar o cumprimento dos direitos das crianças e dos adolescentes de seus respectivos Municípios. Mas muitas vezes é preciso contar com o apoio de diferentes profissionais, como os da psicologia que imbuídos de novas ideias buscam novas possibilidades de percepção e criam espaços de fala, que oportunizam analisar as diversas armadilhas do preconceito, estigmas e estereótipos vivenciados pelo grande grupo de excluídos dos direitos da cidadania. 
A psicologia tem sido a mediação entre a justiça e o "problema de criança", enquanto instrumento de assistência às crianças e adolescentes que ora são encaminhados, quer sejam pelos órgãos do poder judiciário, quer seja pela escola, que se sente impotente diante da situação, ou mesmo pela família que busca na psicologia explicações para determinados problemas psico-sociais. É preciso estar muito atento ao propor e ao desenvolver um trabalho junto à criança e ao adolescente que, na sua grande maioria são encaminhados por alguma "queixa" ou reclamação, o que muitas vezes indica alguém que já vem com um pré-diagnóstico estabelecido: "indisciplinado", "delinquente", "vicioso", "agressivo", "órfão", e tantos outros rótulos.
Ao iniciar um atendimento, tanto o psicólogo, como os demais profissionais que atuam no Conselho, como os próprios conselheiros, deveriam se abster dos antecedentes que vêm descritos na ficha de cada criança ou adolescente, para não cair no erro julga-los baseado no que outras pessoas e/ou profissionais conceberam.. Algo que deve ficar claro é que o Conselho Tutelar não é e nem pode ser visto como um lugar de punição ou como uma forma de punição. Pelo contrário, o Conselho Tutelar é o lugar onde são garantidos os direitos dos jovens, devendo ser visto de forma positiva pelos seus usuários e pela comunidade. 
É preciso muito mais do que escutar a criança e a sua família, é preciso perceber o contexto em que estes estão inseridos. O fator que mais influencia no desenvolvimento da criança e do adolescente é a estrutura familiar. Se a instituição social familiar é considerada um dos principais fundamentos de uma sociedade (embora variem suas estruturas e formas de funcionamento) é complicado para a criança ou adolescente, que constroem sua primeira identidade social na família, se depararem com conflitos familiares. Por isso, torna-se importante a forma de organização familiar, a forma como transmite seus valores, normas e modelos de conduta na orientação dos direitos e deveres. Porem é preciso tornar claro que os problemas não são especificamente exclusivos de famílias com estrutura flexível. Tanto a família nuclear, estruturada como a família com estruturação mais flexível comete erros "invisíveis", com efeitos danosos.
Outra grande preocupação que tem sido objeto de reflexão é a queixa sucessivas de pais com referência aos filhos adolescentes. Além de serem considerados os "problemas", "anti-sociais" quando senão "delinquentes", são na sua maior parte excluídos do âmbito social. Entrar no mundo dos adultos, ora desejado e ora temido, significa para o adolescente a perda definitiva de sua condição de criança. As mudanças psicológicas que se produzem nesta fase, e que estão correlacionadas às mudanças corporais, levam a uma nova relação com os pais e com o mundo que o cerca. Toda a adolescência, além de possuir características individuais, possui características do meio cultural, social e histórico. E o mundo que nos cerca exige mais do que nunca a busca de exercício da liberdade sem que se recorra à violência como forma de impor limites.
Para se desenvolver um trabalho de atendimento psicológico, ou ser conselheiro tutelar é necessário muitas vezes estar aberto ao novo, ao diferente, pois nunca se sabe o que há por detrás de um determinado encaminhamento. Poderá ser uma criança com dificuldade de relacionamento, mas que a causa esta na relação infrafamiliar, poderá ser um adolescente com dificuldade de compreender a resistência dos pais quanto a sua mudança ou ainda uma mãe ou pai que coloca no filho a justificativa para seus conflitos internos.
É preciso mais do que zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. É preciso sobre tudo, intervir de forma a proporcionar uma melhora no dia-a-dia das pessoas, oportunizando uma melhor qualidade de vida.
A Psicologia pode sim caminhar lado a lado com os Conselhos Tutelares, porque talvez seja a forma de propiciar uma melhor clareza das causas, das quais são causadoras de violência contra os pequenos cidadãos de nossa sociedade. 
*Psicóloga - CRP 07/22155




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