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Mais da metade dos brasileiros tem excesso de peso

28/09/2015 - Por Jornal Semanal
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Rio Grande do Sul é o Estado com maior proporção da população com sobrepeso: 63,3%
No Brasil, 56,9% das pessoas com mais de 18 anos estão com excesso de peso, ou seja, têm um índice de massa corporal (IMC) igual ou maior que 25. Além disso, 20,8% das pessoas são classificadas como obesas por terem IMC igual ou maior que 30. A obesidade é um fator de risco importante para doenças como hipertensão, diabetes e câncer.
Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), feita em 2013 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que teve o terceiro volume de resultados divulgados no fim de agosto. 
Conforme o estudo, o Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com a maior proporção de pessoas com sobrepeso. No Estado, mais de 63% da população com mais de 18 anos sofre com o problema. Contudo, o RS está em quinto lugar no ranking do quesito obesidade. O primeiro lugar no pódio dos mais obesos é de Santa Catarina.

82 milhões de brasileiros tem IMC igual ou maior 
do que 25, o que inclui os obesos. 
58,2% das mulheres estão acima do peso.  
Em 2013, uma em cada quatro mulheres de 18 anos ou mais (24,4%) era obesa, 
enquanto, entre os homens, o percentual era de 16,8%.

Saiba se está no peso ideal:


Os riscos da obesidade
- Doenças cardiovasculares: excesso de gordura acumulada nas artérias pode levar ao aparecimento de hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e ataque cardíaco. Também pode contribuir para o aumento dos triglicerídeos e do colesterol.
- Complicações metabólicas: excesso de peso contribui para um maior risco de diabetes tipo 2 e gota.
- Problemas respiratórios: paciente obeso tem dificuldade em respirar e fica cansado facilmente e, pode apresentar apneia de sono.
- Complicações no aparelho urinário e reprodutor do homem e da mulher. 
- Desgaste dos ossos e articulações, havendo maior risco de desenvolver hérnias e maior chance de quedas e fraturas.
- Surgimento de câncer: no homem, risco de câncer colo-retal e câncer da próstata e, na mulher, câncer de mama, do endométrio, do ovário e das vias biliares.
Os indivíduos com obesidade mórbida, que é quando tem IMC igual ou superior a 40, têm ainda maior risco de desenvolver estes problemas de saúde e por em risco a vida.

ENTREVISTA

Nutricionista Tatiana Botton

Diante dos números que indicam que mais da metade da 
população brasileira tem excesso de peso, o jornal Semanal entrevistou a nutricionista Tatiana Botton. A profissional falou sobre alimentação saudável, hábitos alimentares e a importância da reeducação alimentar, ou seja, redescobrir o prazer de comer, respeitar desejos de fome e saciedade.

JS - O que é considerada uma alimentação saudável?
Tatiana Botton - Alimentos de verdade, ou seja, menos industrializados. Com a evolução da sociedade a população deixou de ter acesso à horta e a comida caseira, passando a depender da indústria, que para garantir maior aceitação da população, criou e introduziu novos ingredientes. Cito  exemplos: açúcar para adoçar, gordura trans para dar maior maciez e leveza, sódio para acentuar o sabor,  corantes para dar cor especial e aromatizantes para criar cheiro irresistível, que são produtos de baixa qualidade nutricional.
Alimentos de verdade são aqueles que vêm da natureza, os quais fomos adaptados a comer. Os alimentos saudáveis tem sabor, cheiro, forma e textura que carregam significados culturais e comportamentais, afetivos e familiares, e são fontes de prazer para muitas pessoas. Sempre que puder cozinhe, prepare seu próprio alimento.

JS - Em tempos de crise, como não gastar muito e comer bem de uma forma saudável?
Tatiana - Sempre escuto esta afirmativa: comer saudável é caro! E tomar refrigerante todos os dias é barato? A melhor forma e mais saudável de economizar é resgatar hábitos alimentares antigos, como para muitos, ter uma horta, por menor que seja. Outra dica é consumir frutas e verduras da época, que são ricas em vitaminas e minerais, além de ser mais em conta financeiramente. Também podemos optar por alimentos produzidos aqui na nossa região e frequentar a feira livre. Introduzindo esses hábitos saudáveis vamos ficar menos doentes e, consequentemente, gastamos menos com remédios.

JS - A introdução de alimentos saudáveis deve começar na infância. De que forma podemos fazer isto?
Tatiana - Eu diria que desde a gestação. Alguns estudos já apontam que a alimentação da mãe tem influência nos hábitos alimentares da criança, e como consequência, gestantes bem nutridas terão bebês mais saudáveis (ver tabela com os 10 passos do Ministério da Saúde).

JS - Como avalia a ingestão de refrigerantes e produtos industrializados pelas 
crianças cada vez mais cedo?
Tatiana - A criança é vítima dessa condição. A comida que gostamos, os temperos, o cheirinho, tudo se reflete aos hábitos que adquirimos na infância, aonde as práticas alimentares dos pais formam os hábitos que adotamos para toda a vida.
Uma alimentação colorida e sem substâncias artificiais, certamente proporcionará mais saúde à criança na fase adulta. Apesar de ser ter muito acesso sobre nutrição através da mídia, as pessoas não se dão conta que por trás de tudo isso, tem um comércio querendo lucrar na venda desse produto e a criança é o alvo principal. O paladar das crianças, assim como o dos pais, está educado para um alto consumo de sódio e adoçantes. 

JS - Quais os hábitos alimentares que devemos ter para não sermos adultos obesos?
Tatiana - Primeiramente, diria que precisamos mudar nossos conceitos de dieta. Dieta é achar que determinados alimentos são "milagrosos". Dieta é modismo.
Precisamos nos reeducar e educar o paladar das nossas crianças. Reeducação alimentar é aprender, redescobrir o prazer de comer, respeitar desejos de fome e saciedade. Lembrando sempre que a nutrição a saciedade vem do mastigar e não através de shakes e cápsulas. Procure comer frutas e verduras, grãos integrais, leguminosas como feijão, lentilha, consumir gorduras de origem vegetal como nozes, castanhas, óleo de oliva, canola, milho. Aumente a ingestão de água, diminuindo o consumo de refrigerantes, chás e sucos artificiais adoçados. Diminua o consumo de frituras. Opte por assados, cozidos, grelhados. Pratique atividades físicas. E, sempre que puder, prepare o seu alimento. Talvez este seja um dos maiores hábitos saudáveis que poderíamos ter.

JS - Hoje em dia, com níveis de estresse e depressão elevados, muitas pessoas têm a tendência de comer por impulso. Como evitar? 
Tatiana - Nesses casos, o indivíduo precisa trabalhar as questões psicológicas ou continuará a desenvolver a compulsão por comer, porque comer nos traz sensação de prazer e vai ser na comida a  busca por esse 'prazer" ou qualquer outro sentimento que a comida desperta. 
Os fatores emocionais precisam ser tratados, caso contrário, outros problemas de saúde vão surgir. A reeducação alimentar, nesse caso, como em qualquer outro é individualizada, cada paciente tem suas necessidades e tempo para aceitar as modificações dietéticas. 

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Atividade física deve ser 
estimulada desde a infância

Educadora física alerta que cada pessoa tem que ser responsável 
pelo próprio bem-estar e encontrar tempo para cuidar do seu corpo

A atividade física (qualquer tipo de movimentação corporal capaz de produzir elevado gasto metabólico energético) e o exercício físico (atividade física planejada, estruturada e organizada) têm papel importante na prevenção, no controle e no tratamento da obesidade, explica a educadora física Mireille Wegmann.
Segundo ela, além das calorias gastas durante a atividade física, ocorre um gasto substancial de calorias durante o período pós-exercício. "Mas para se obter sucesso com qualquer que seja a atividade, é necessário que sua prática seja de forma regular e de intensidade moderada", orienta.
Para ter uma vida mais saudável, Mireille recomenda adotar um comportamento mais ativo diante de algumas situações do dia-dia como: utilizar com mais frequência as escadas, andar a pé quando não for necessário o uso de automóvel, lavar o carro, cuidar do jardim, entre outros, contribui e muito, para aumentar a demanda energética.
A educadora física ressalta que nos exercícios aeróbicos (caminhada, ginástica, corrida, ciclismo, natação, etc) ocorre um aumento da utilização de lipídios como fonte de energia, auxiliando assim a redução dos depósitos de gordura e consequentemente na redução do peso corporal.  
Já nos exercícios anaeróbicos (atividades que exigem força e resistência muscular) há uma solicitação maior da musculatura. "Estas atividades favorecem de forma significativa o aumento do metabolismo basal, ou seja, refere-se à energia necessária para realizar as funções orgânicas básicas e essenciais", argumenta.

Mudança de 
comportamento
Na avaliação da profissional, é preciso estimular a atividade física desde a infância, visto que é a partir desta idade, que adquirimos hábitos saudáveis que levaremos para a vida adulta. 
Por isso, ela aponta que a mudança de comportamento, juntamente com a adoção de novos hábitos, é, sem dúvida, o caminho mais seguro para o emagrecimento.
Mas por outro lado, Mireille pondera que a continuidade da prática de atividade física é um dos problemas encontrados nesse caminho. "Muita gente fala que não tem tempo de fazer exercícios. Dizem que acordam muito cedo, que trabalham demais.  É uma questão de prioridade. Ninguém vai resolver esse problema para você", alega. E faz um alerta: "cada pessoa tem que ser responsável pelo próprio bem-estar e encontrar tempo para cuidar do seu corpo. As atividades físicas devem durar por toda a vida. Não tente ser muito intenso e divirta-se ficando saudável", finaliza.

FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

Confira a matéria completa no jornal impresso











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