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Fantasias femininas Casamento: proteção?

09/10/2015 - Por Jornal Semanal
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Casei muito jovem e, após a "lua de mel",  fomos diretamente para a fazenda aonde passaríamos a residir e trabalhar. Ao entrar na casa, vi uma enorme aranha na parede da cozinha. Retornei rapidamente para o carro, onde meu jovem marido ainda estava,  e disse a ele:
 "tem uma enorme aranha na parede da cozinha!."
Prontamente ele respondeu:
 "não entro na casa enquanto a aranha estiver lá! Pensas que casaste com o Tarzan? Ou com o James Bond? Ou com um Tuareg? Volta lá e tira a aranha de lá, não suporto aranhas!"
Retornei um pouco desiludida, peguei a vassoura e levei o animal para fora da casa. Na verdade, para mim não custava nada, pois fui criada em contato com a natureza, meu avô tinha uma fazenda e desde pequena convivi tranquilamente com os animais.
Perguntei depois a mim mesma:
"por que solicitei ajuda ao meu marido quando dela eu não necessitava?"
Refleti muito sobre esse pequeno caso e a resposta é muito simples: nos agrada fantasiar que o homem é o nosso protetor, essa ideia nos agrada muito, está arraigada na estrutura social e, por isso, é muito difundida entre homens e mulheres.
É uma proteção ilusória, na qual a mulher espera encontrar no homem aquilo que ela pensa necessitar. Uma das consequências é que, ao final, a necessidade de proteção pode passar realmente a existir, porque a mulher aceita e decreta a própria invalidez. Vocês já refletiram sobre isso?

Maria Alice Schuch

A crônica revela uma verdade histórica sobre a educação das mulheres em dependência dos homens. Da educação familiar aos modelos sociais, todos reforçam, direta ou indiretamente, um modo de ser mulher. Aprende-se dentro de casa com as mulheres da família, quando é atribuído ao pai resolver tudo. Mesmo as mulheres que não tiveram um pai, ou ainda que este pai não resolvesse nada, transferem este desejo cobrando seus parceiros nas suas relações. Está no inconsciente coletivo e precisa se tornar consciente, antes que seja considerado como destino!  
A "norma social" de dependência, velada ou explícita, é seguida ainda que existam plenas capacidades de ação, e a fantasia do homem protetor domina o inconsciente. Maria Alice escreve: "nos agrada fantasiar". Porém, a fatura desta transferência fantasiosa de responsabilidade é alta. Fantasias de proteção colocam a relação em risco pela perda autenticidade e da força de vida natural, que cada mulher possui.
Buscar ou manter uma relação como garantia de proteção é uma redução da própria capacidade. Fantasiar que uma história de amor preencherá as próprias faltas resulta em decepção. É insustentável a expectativa de que alguém vai fazer por si o que a própria não fez: tornar-se pessoa. Assim como, culpar o casamento pela falta de autorrealização.
Tornar consciente os erros femininos de séculos é tarefa de cada mulher para não perpetuar falsas expectativas ou relacionamentos ruins. É preciso uma boa dose de responsabilidade e comprometimento com a condução da própria vida.
Mas também é uma tarefa dos homens mudar a forma de tratar as mulheres, estimulando-as a se superarem. Não infantilizando ou inferiorizando as capacidades femininas, como garantia de se manter no controle. Relações saudáveis não precisam de nenhum tipo de controle como garantia. Relações saudáveis acontecem com apoio mútuo, visando o crescimento e a autorrealização de ambos. 


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