Sábado, 21 de julho de 2018
Ano XXX - Edição 1516
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

Clima prejudica qualidade do trigo

23/10/2015 - Por Jornal Semanal
Tweet Compartilhar
Até o momento, quebra de produtividade do trigo chega a 17% na região
Frustração da safra de trigo contrasta com a previsão de aumento da 
área plantada de soja, influenciada pelo bom preço e clima favorável
Ano passado, a safra de trigo trouxe prejuízos para os triticultores em Três de Maio. A estimativa inicial na safra 2014 era de  45 sacos por hectare, não se confirmou, e a média de produtividade fechou em 780 quilos por hectare, ou seja, apenas 13 sacos por hectare. O motivo foi o excesso de chuvas e as perdas superaram 70% nas lavouras plantadas em 10 mil hectares.
Este ano, os produtores reduziram a área em 15%, plantando 8.500 hectares com o cereal. As condições adversas do clima trouxeram uma forte geada tardia, na primeira quinzena de setembro. Os prejuízos estão sendo contabilizados, mas já é possível adiantar uma nova frustração de safra.
No escritório municipal da Emater, até quarta-feira, dia 21, mais de 100 solicitações do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) já haviam sido encaminhadas. O número pode ser considerado expressivo, segundo o engenheiro agrônomo Fábio Karlec, em virtude do número reduzido de produtores que plantaram trigo este ano.
Até o fim da colheita, a Emater estima que mais agricultores façam a solicitação do Proagro. 
Conforme a Emater local, até o fim da semana, estima-se em torno de 95% das lavouras de trigo já estejam colhidas em Três de Maio.
Karlec explica que as lavouras plantadas no cedo, que foram colhidas, tiveram um bom rendimento, ficando dentro da média esperada de 45 sacos por hectare, ou até superiores. Nestas, a espiga do trigo estava com o grão estava mais desenvolvido e não foi afetado tanto pela geada. Mas, as lavouras mais tardias foram comprometidas, pois a geada atingiu no estádio de enchimento de grãos. "Isso além de reduzir produtividade, afeta também a qualidade do produto a ser colhido e implica diretamente na receita do produtor, em função do preço do produto (de menor qualidade) em relação ao tipo 1, que é o padrão normal de comercialização", aponta.
Este ano, a Emater calcula que a  produtividade média no município  ficará abaixo da expectativa inicial de 45 sacos por hectare. Muitos produtores estão colhendo triguilho, geralmente destinado a alimentação animal, que tem o preço bem inferior ao do trigo comercial tipo 1.
Se as condições climáticas forem favoráveis, até o fim desta semana provavelmente será encerrada a colheita no município.

Qualidade do trigo influencia 
De acordo com o engenheiro agrônomo da Emater, Fábio Karlec, a baixa qualidade influencia muito na questão de preço. Ele faz um comparativo. "Temos quatro tipos de trigo, 1, 2, 3 e triguilho. Para o trigo a questão de qualidade do produto é tão importante quanto a produtividade. Hoje, a cotação do trigo com qualidade Tipo 1 é de R$ 33. O tipo 2, está em torno de R$ 28 e o tipo 3, em torno de R$ 24. Já o triguilho cai para R$ 16 o  saco. Então, se o produtor colher 40 sacos de triguilho é o mesmo que colher 20 sacos de trigo tipo 1. O custo médio das lavouras é de R$ 1.200 por hectare. Se dividir 40 sacos  por hectare, do trigo tipo 1, o resultado cobre somente o custo. Se for triguilho, tem que colher quase 70 sacos para cobrir apenas os custos de produção se esse for triguilho. Porque a qualidade do produto influencia muitas vezes mais do que o próprio rendimento", exemplifica.

Na foto: Em muitas lavouras, produtores colheram apenas triguilho

FOTOS: DIVULGAÇÃO EMATER

Confira a matéria completa no jornal impresso



Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

18/05/2018   |
27/04/2018   |
02/03/2018   |
14/07/2017   |
23/06/2017   |
19/05/2017   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS