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A doença a partir do vazio interior - Outubro Rosa

23/10/2015 - Por Arlete Salante
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Entrevista: Maria Alice Schuchi
 
  "Ela pensa, procura, mas não sabe o que fazer. É bela, boa, é inteligente, tem tudo e, mesmo assim, às vezes experimenta esta particular insatisfação, falta-lhe alguma coisa, um vazio que não sabe como resolver. Cai em depressão e não consegue sair. Adoece", cita a pesquisadora Alice Schuch ao refletir sobre mês Outubro Rosa.
  De acordo com Alice, que estuda o universo feminino, a depressão é a principal porta para as doenças e, na visão dela, as mulheres são atingidas em peso por esse que é um mal do século. A causa, diz ela, é a falta do projeto de vida que deve ter cada uma, na sua individualidade, e defender. "Ter sonhos, ambição e independência expande uma força que tira a mulher deste vazio interior que muitas sentem", defende. O resultado, garante a especialista, é a vitalidade.     "A vitalidade dificulta o desenvolvimento até de doenças graves. Pensemos nisso".
  Alice explica que a depressão alimenta uma alma doente, logo, reflete um corpo doente. "Buscar a ajuda que for necessária, criar um projeto de vida, um objetivo de vida. Com isso, ganhar força e independência", receita. Ela também pontua que algumas atitudes são consideradas historicamente masculinas e que, não sendo, devem ser desenvolvidas nas mulheres: a ação eficiente, formalizando o que se quer, movimentando-se, cumprindo e realizando com certo orgulho e praticidade. "Assim é a origem feminina. Devemos retornar à nossa natureza, criando uma forma de agir feminina e eficiente, mudando, assim, a história", completa.
  Na visão de Alice, corriqueiramente, a mulher cumpre regras feitas, passadas há muitas gerações, informações meméticas disfuncionais à própria identidade. Vibra, sente a própria força, eleva ao máximo suas próprias pretensões. Pretende o belo, o poder, tem uma sensibilidade especial, uma força de inteligência, sabe que possui o poder de gerar a vida, mas no exato momento que a oportunidade real se mostra, entra uma imagem, uma informação contrária que fixa uma forma que dói dentro. Adoece.
  Surge um medo infundado e ela não colhe a oportunidade, retira-se do jogo. Perde o centro da ação vencedora, desiste.  Rebela-se, culpa os outros, mas não compreende a causa da sua fraqueza.
  Todas as mulheres, principalmente as mais inteligentes, percebem a existência de um erro, mas não conseguem identificá-lo de fato. A diferente é considerada uma ameaça, principalmente se é uma líder. Sente-se combatida, agredida, impotente por fim, sente culpa de não ser igual as outras e desiste. Não conseguindo realizar o seu projeto, passa a considerá-lo impossível, não compreende.
  "Deixa-se arrastar pela massa e, por sua vez, torna-se parte dela, baila no vazio. Mata a própria luz, em boa fé assassina o próprio núcleo individual. E segue adoecendo", finaliza.

  ihttp://mulheresevisao.com.br/alice-schuch-fala-da-doenca-a-partir-do-vazio-interior-no-outubro-rosa




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