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Violência Contra a Mulher - Parte II

06/11/2015 - Por Yara Lampert
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Um tema que merece muita discussão e reflexão! 
Os dados são alarmantes, e a violência contra a mulher cresce em todos os âmbitos da sociedade. Segue a segunda parte da entrevista com a equipe Flor de Liz.
Por que muitas mulheres apanham caladas e voltam a se relacionar com o homem que exerce a violência?
Vivemos numa sociedade com muitos preconceitos, julgamentos de comportamentos e uma cultura patriarcal.  Tudo que acontece no lar, nas famílias, as pessoas não expõe, porque tem-se uma cultura de  que tudo o que acontece neste espaço deve ser resolvido nele mesmo. Há  uma crença de que "preservando" esta família, os filhos estarão protegidos, sendo esta uma uma ideia equivocada, pois os filhos também são vítimas da violência doméstica. Ainda prevalece a compreensão de que o casamento deve ser para sempre e a mulher é julgada por decidir separar-se, o que lhe causa constrangimento e vergonha. A dinâmica da violência doméstica é cíclica, tendo como etapas, a fase de tensão, a fase de agressão, a fase de desculpas e a fase de reconciliação, e isso desenvolve na mulher a esperança de que este homem vai mudar. 
Qual a explicação do parceiro (companheiro) das 
agressões?
O CRM - Flor de Liz realiza atendimento às mulheres em situação de violência doméstica,  tendo uma compreensão de como é o funcionamento deste homem que exerce a violência, a partir  dos relatos das mulheres atendidas, bem como da literatura sobre o tema. 
Existe reincidência? Qual a classe social?
Sabemos que quando ocorre à violência doméstica a mulher se vê diante de muitas dificuldades, sejam emocionais, financeiras, dentre outras. Em razão do ciclo da violência doméstica, muitas mulheres  não conseguem romper o relacionamento. Por esta razão, se dá a importância de acompanhamento técnico para esta mulher, para que sinta-se empoderada e consiga romper com a violência. A violência doméstica está presente em todas as classes sociais, pois não se resume em questões econômicas e sim nas relações de poder, estabelecidas culturalmente através de padrões do que é o masculino e o feminino. Um exemplo disso, é a própria Sra. Maria da Penha Maia Fernandes, que é farmacêutica bioquímica e sofreu várias agressões e duas tentativas de homicídio de seu ex-marido, este economista e professor universitário. Ela não se calou e devido às suas incansáveis lutas, foi criada a lei que leva o seu nome e que ampara as mulheres em situação de violência doméstica. 
Como prevenir?
As relações que estabelecemos com os outros, principalmente as íntimas de afeto, devem sempre pautar-se no respeito ao outro, na valorização, no diálogo, na igualdade de gênero. De outro modo, a forma de prevenir a violência doméstica é o acesso ao conhecimento e informação. A mulher precisa prestar atenção em atitudes do companheiro, que venham a colocá-la em situação inferior e que diminua sua autoestima. 
Qual o perfil do agressor?
O comportamento de homens que exercem violência geralmente possui características semelhantes entre sua grande maioria, sendo algumas delas: comportamento controlador;  rápido envolvimento com a mulher; expectativas irrealistas com relação à parceira; procura colocá-la em situações de isolamento; hipersensibilidade; crueldade com animais e crianças; desempenho de papéis violentos na relação sexual; abuso verbal; registro de abusos no passado; ameaças; quebra de objetos; utilização da força física para restringir movimentos, sacudindo ou contendo a mulher durante discussões; é doentiamente ciumento e possessivo; tem baixa autoestima; é inseguro; é apegado a visões estereotipados sobre papéis do homem e da mulher; tem necessidade de demonstrar sua masculinidade; apresenta uso abusivo de álcool e/ou drogas; promete melhorar no futuro. 
Ponderações e mensagem aos nossos leitores?
As mulheres devem ter a consciência de que uma relação afetiva deve estar baseada na igualdade e no respeito. Não existe mulher que gosta de apanhar. O que existe é mulher humilhada demais para denunciar, machucada demais para reagir, com medo demais para acusar, pobre demais para ir embora. Se você está passando por uma situação semelhante, procure-nos!
Rua Padre Cacique, nº 498, Sala 1
Centro - Três de Maio
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