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A Parábola da Laranja: Recriando a criação

13/11/2015 - Por Arlete Salante
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Deus havia acabado de criar o Universo. Estava então descansando a sombra das laranjeiras e também saboreava uma laranja. Senti-se satisfeito por ter realizado seu dever para consigo mesmo. Porém, aos poucos foi lhe surgindo o sentimento de que não teria mais nada para fazer. Tinha todas as coisas belas, e todas fluindo na sua própria ordem vital. E, principalmente, tinha a si mesmo, a quem, sem dúvida, amava muito. 
Pensava: são tantas coisas no Universo, todas belas, porque diversas e complementares, e todas refletem a mim, mas nenhuma reflete tudo o que sou. Então pensou: e se eu criasse um jogo, que refletisse plenamente a mim mesmo e desse sentido a própria existência, ou seja, que desse sentido aquilo que sou? 
Naquele momento, partia uma laranja ao meio...olhava-a...juntava as duas partes e dizia: um. Separava as metades e dizia: dois. E então encontrou o jogo: vou criar dois seres e cada um deles será exatamente uma parte de mim mesmo, assim como as duas metades da laranja, diferentes e complementares. E, por isso, colocarei dentro de cada um deles a ânsia de buscar-se e encontrar-se mutuamente. Porém, só eu saberei disso: eles só conhecerão a de encontrar-se. Mas quando realizarem o encontro REAL, compreenderão o jogo. Compreendendo o jogo, compreenderão a mim, compreendendo a mim, terão a mim mesmo, serão eu mesmo.  Este é o jogo que dará sentido à existência e ao eterno. E assim foi.
A vida escorria o jogo da existência. Todas as coisas moviam-se em uníssono no compasso variável e sempre novo da realização da vida, expondo-se até o ápice e recolhendo-se para novamente nascer. O eterno Éden refletia-se em cada ente. 
O homem e a mulher não eram diferentes nesse compasso, recolhiam-se sempre encontrando Deus, e assim, a cada encontro abraçavam o todo e eram íntimos a cada ser. A única ânsia era a de realiza o encontro para revelar-se Deus.
Até que a serpente degenerou e, sentindo-se inferior a grandeza do Ser, encontrou o modo de inferir no âmago do encontro. A serpente invejava o humano e, não podendo ser como tal, e principalmente, não podendo ser como a mulher, quis roubar o que era próprio desta. E então, a mulher deveria permanecer 'menina'. Incapaz de compreender-se toda, e, consequentemente, incapaz de compreender sua força vital - erotismo sadio e maduro, atitude madura, que lhe dá o direito de ser sabiamente "mãe por excelência", gerando e alimentando todas as coisas. Desconhecendo sua inteligência, infantiliza também o homem, porque este é resposta imediata da fêmea, também ele depende da força motriz da energia feminina. E, assim, perdem-se os dois e permanecem inferiores, não podendo ser Deus, porque Deus é tudo e, portanto, inteligência superior.
Então, cada vez que se aproximam, homem e mulher, na ânsia de realiza o encontro, não conseguem realizar a intenção divina do abraço que compreende tudo. E onde deveria acontecer o abraço, acontece desavença e ódio.
Para retornar a intenção divina, homem e mulher devem ser inteiros na sua metade, para que, encontrando-se, possam ser inteiros no todo."





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