Quinta-feira, 17 de agosto de 2017
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A sorte do vinicultor

20/11/2015 - Por Arlete Salante
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Escrevo sobre um filme magnífico que faz uma metáfora da vida. Dirigido pela premiada Niki Caro (que também dirigiu A Encantadora de Baleias, ambos disponíveis no Netflix), e baseado em um romance de Alice Elisabeth Blake.
 Conta a vida de Sobran, um enólogo pobre que encontra um anjo, os dois fazem um pacto de se encontrar um dia por ano. A metáfora do anjo ou demônio interno e os resultados obtidos nos anos bons e nos anos ruins são representados por bons e maus vinhos, como as fortunas aumentam e diminuem, como as situações vividas a cada ano interferem no cultivo de uvas e na busca da perfeição. Da ânsia do jovem em produzir um vinho melhor, às angústias de não ser reconhecido, até chegar na sua maturidade para alcançar a excelência, a autorrealização plena através do seu ofício.
Compreende-se que a vida pode ser uma trajetória na busca do melhor de si, com o aprimoramento dia após dia, ano após ano até atingir seu ápice. Mostra como é possível crescer, progredir, errar, se enganar, aprender com os erros, aceitar as próprias imperfeições e, mesmo assim, seguir em  frente  para se encontrar com o seu melhor. Até que a tarefa do Ser se completa e dá lugar à paz.
É fundamental compreender o filme na sua essência, não em pormenores que fixam em negatividades, julgamentos ou críticas, exatamente como na vida, isso é inútil. A evolução humana se dá a medida em que podemos transcender situações irrelevantes do cotidiano, para dar valor ao essencial da vida, com fidelidade a própria existência. Este espaço da transcendência, ou melhor a escolha de transcender os problemas, as pessoas, situações ou contextos inferiores, menores ou irrelevantes, faz com que se minimize a importância dos comentários maldosos, a ignorância, a inveja e o hábito da reclamação.
Saber a que veio ao mundo e focar nos próprios sonhos, também é uma forma transcender as pequenezas que nos rodeiam. Aceitar-se como se é, não significa alienar-se, ao contrário, traz o compromisso de potencializar as virtudes, de buscar a revelação da essência da própria identidade e, assim, produzir satisfação para si através do ganho existencial.  
O filme ainda traz duas tipologias femininas diferentes, uma fixada no ciclo biológico da fêmea, hipervalorizando afetos e aprisionamentos emocionais, portanto, à medida que não evolui, regride a comportamentos histéricos (comuns a muitas mulheres). A outra, enfrenta suas dores, seus problemas e se permite aprender, é útil e funcional a si por usar sua inteligência, e assim, faz muitos ganharem.  
A vida é essa, assim, aqui e agora. Se encolher ou se expandir, entregar-se aos sofrimentos de modo obsessivo ou colher a mensagem que a dor traz são escolhas internas que definem o amanhã.
O anjo diz: no prazer e na dor é que aprendemos. Mais vale compreender as mensagens da tristeza do que permanecer na ignorância, vivendo falsas alegrias. Os erros por não compreender as leis da vida, custam a vida: são os erros inconscientes.
Convivemos com pessoas em diferentes níveis evolutivos de consciência. Para muitos, a medida em que amadurecemos o prazer se refina e os sofrimentos tomam outra forma, a forma clara do aprendizado existencial. Já outros, mantém-se na superficialidade, iludem-se com pão e circo. Qual é a sua escolha?



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Comentários

SILVIA
07/01/2016
ASSISTI O FILME MUITO INTERESSANTE, NOSSOS CONFLITOS DIANTE DO BOM E RUIM DA VIDA RECOMENDO.....
SILVIA
07/01/2016
ASSISTI O FILME MUITO INTERESSANTE, NOSSOS CONFLITOS DIANTE DO BOM E RUIM DA VIDA RECOMENDO.....
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