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Inimigo silencioso

05/10/2012 - Por Jornal Semanal
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O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo, tendo matado mais de 100 milhões em todo o mundo.  E seis milhões de pessoas morrem de uso do tabaco e da exposição ao fumo, ou seja, uma morte a cada seis segundos. 
A organização estima que um terço da população mundial adulta, isto é, 1,2 bilhão de pessoas - entre as quais 200 milhões de mulheres - sejam fumantes. Mas há dados bons, como apenas 22% da população mundial com idade entre 15 ou mais são fumantes, contra 78% que não fumam.

O despertar do inimigo
O comerciante três-maiense André Dal' áqua está com 55 anos e há cinco convive com a vitória sobre o inimigo silencioso. 'Não quero mais' é a expressão mais usada por este vencedor que começou a fumar na adolescência, quando tinha aproximadamente 16 anos. "Naquela época para ser masculino tinha que fumar. Vendia-se a imagem na televisão e revista que fumar era bonito. Hoje é feio". 
Seu pai também fumava, mas naquele tempo, relata André, era difícil encontrar alguém que não fumasse. "Eu fumava uma carteira por dia, começando de manhã até dormir, já se ia para um baile fumava aquela carteira só no baile", diz André, ressaltando que havia situações em que fumava mais como ao ingerir bebida alcoólica ou em atividades de lazer.
A também três-maiense Maria Beatriz Meller, 53 anos, funcionária pública é outro exemplo de perseverança. Foram várias tentativas para eliminar o hábito que lhe acompanhava desde os 21 anos, todo dia, do despertar até dormir, com dois a três maços diários.
Ela conta que fumar era chique naquela época. "Não se conhecia os malefícios do cigarro e fui seguindo fumando, meus pais fumavam, mas eles jamais queriam que eu fumasse, mas como eu era dona do meu nariz com 21 anos, fazia o que queria".

A batalha
Não foi fácil tirar esse inimigo da vida de André. As tentativas iniciaram há cerca de dois anos antes, de pouco em pouco. Tratamento com antidepressivos e conscientização da necessidade de parar até o combate total. "É complicado parar, tem que fazer a cabeça antes: eu quero parar e vou parar e um dia consegue". 
Com a compreensão dos malefícios do tabagismo André parou, mas afirma que não está com nenhum problema de saúde. "Consultei com o pneumologista para ver se tinha algum problema no pulmão, se tivesse eu não iria parar. Como não tinha nada, parei. Quero viver mais, ver meus netos, que ainda não tenho".
Caminho semelhante também seguiu Maria Beatriz até a parada total, há mais de oito meses. "Quando fumava eu era irritante se não tinha cigarro, fosse meia noite alguém tinha que sair comprar, não podia nem falar comigo de tão irritada que ficava. Mas nunca fumei dentro de casa, saia na rua até de madrugada, era muito triste".
A funcionária pública também se conscientizou do quão nocivo é o cigarro. "Se eu pudesse voltar atrás todos estes anos, jamais faria de novo. Já tinha tentado parar várias vezes, mas voltava. Parei por causa de problemas de saúde, comecei a sentir falta de ar. Hoje estou com problemas pulmonares e cardíacos".

Resultados do combate
Um dos benefícios relatados por André é o sabor da comida que se tornou muito mais agradável depois de largar o fumo. "Cheguei a engordar 16 quilos, mas não me arrependo, sei que se fizer regime vou emagrecer".  Além disso, o olfato melhorou e ele consegue caminhar com mais facilidade. Com isso ele deixa um alerta."Quem consegue tem que deixar, pois têm gente que não quer parar, também respeito. Tem pessoas que fumam e vivem até os 80, mas a probabilidade de morrer é muito maior fumando".
Maria Beatriz também sente os benefícios. "Agora não tenho aparência de tão velha, não tem fumaça impregnada nas roupas e na casa. Eu tinha a pele preta, e hoje já estou com a pele bem melhor". 
Mas o resultado do longo período de fumantes ainda persiste. "Faço tratamento e estou a mais de quatro meses parada, sem trabalhar, por falta de ar. Quem não precisa fumar, não fume, isso é a pior viagem que existe. Nunca tive nenhuma doença, agora está sendo o fim do mundo. Tenho que ir ao hospital, tomar remédios que nunca tomava, fazer exames toda hora, então está sendo difícil, até em depressão entrei. Espero que meus netos, o dia que tiver, não tenham esse vício pois é pior que existe", declara Maria Beatriz.

Dinheiro que virou fumaça
Na época André calculava um gasto de aproximadamente R$ 300,00 por mês. Com esse valor que não usaria mais para o cigarro resolveu fazer uma poupança. "Antes eu colocava fora, agora guardo para mim".
Maria Beatriz conta que gastava em torno de R$ 300,00 a R$ 400,00 por mês e calcula que em todos estes anos poderia ter comprado muitas coisas com a soma dos valores. "Poderia ter comprado várias coisas com esse dinheiro, casa, carro, entre outros".
Maria Beatriz e André fumaram por 34 anos aproximadamente, com algumas paradas. Se multiplicarmos o valor gasto em média de R$ 300,00 por mês, ao ano eles literalmente queimaram R$ 3.600,00, multiplicado pelas quase três décadas e meia eles gastaram R$ 122.400,00, cada um. Com esse valor poderiam ter adquirido quatro carros populares no valor de aproximadamente R$ 30 mil, ou um carro mais valorizado e outro popular. Isso sem estar aplicado com rendimento de juros.
Poderiam ainda ter adquirido por mês uma TV led 46" de aproximadamente R$ 2.700,00 e ainda sobraria dinheiro para um celular completo.

O tabaco, a economia e a saúde
O governo federal arrecadou, em impostos, com a venda de cigarros, R$ 6,3 bilhões em 2011. Em 2012, até julho, já haviam sido arrecadados R$ 3,4 bilhões.  
Já para tratar doenças relacionados ao tabaco em 2011, o Brasil gastou 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme levantamento feito pela organização não governamental Aliança do Controle do Tabagismo (ACT). Os gastos somaram quase R$ 21 bilhões no ano passado. 
De acordo com os dados da ACT, 82% dos casos de câncer de pulmão no país são causados pelo fumo. Outros problemas de saúde também são provocados pelo cigarro: 83% dos casos de câncer de laringe estão relacionados ao tabagismo, 13% dos casos de câncer do colo do útero e 17% dos casos de leucemia mieloide.
A movimentação de recursos públicos para o setor de fumo no País retrata em números o descompasso dentro do governo na condução das regras da Convenção-Quadro do Tabaco - acordo internacional para reduzir e prevenir o tabagismo no mundo, assinado pelo Brasil. Entre 2006 e 2012, os cofres federais reservaram apenas R$ 22,4 milhões para ajudar pequenos fumicultores a diversificar suas culturas.

Faz mal para você, faz mal para o planeta
Basta manter um cigarro aceso para poluir o ambiente. Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), a fumaça do cigarro contém mais de 4.700 substâncias tóxicas, incluindo arsênico, amônia, monóxido de carbono, além de substâncias cancerígenas, corantes e agrotóxicos em altas concentrações.
O cigarro pode causar diferentes tipos de câncer, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, impotência sexual no homem, infertilidade na mulher, osteoporose e catarata e outros 50 tipos diferentes de doenças. 
O ciclo de produção do cigarro, envolve outros fatores de risco a saúde e ao meio-ambiente, tendo em vista o uso de agrotóxicos, desmatamento, incêndios, resíduos urbanos e marinhos.
- Para cada 300 cigarros produzidos, uma árvore é derrubada.  
- O fumante de um maço de cigarros por dia consome duas árvores em um mês.
Fonte: Portal Brasil

O empresário André Dal' áqua está com 55 anos
e há cinco anos venceu o inimigo

Maria Beatriz Meller, 53 anos, funcionária pública,
 fumava de dois a três maços por dia.
 Parou há mais de oito meses



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