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Chega ao fim a luta de Ana Paula Almeida

20/11/2015 - Por Jornal Semanal
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Conhecida como "a menina dos olhos", a jovem de 23 anos, morreu na tarde do último dia 13, depois de lutar por três anos e dois meses contra uma doença rara
Uma guerreira, com um imenso brilho no olhar e um cativante sorriso no rosto. Esta lembrança vai ficar para sempre na memória e no coração de quem conviveu com Ana Paula Almeida, a "menina dos olhos", de Três de Maio.
Depois de uma luta que durou três anos, dois meses e 13 dias, Ana Paula não resistiu às complicações causadas por outro acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, e faleceu aos 23 anos, na tarde de sexta-feira, 13, no hospital Vida & Saúde, de Santa Rosa.
A jovem contrariou todos os diagnósticos médicos, de que poderia ter uma sobrevida de apenas seis meses após o primeiro AVC, ocorrido em 31 de agosto de 2012. Como consequência, ela sofreu de uma doença rara, a romboencefalite criptogênica, uma inflamação do tronco cerebral. 
Filha de Marli e Aldair, irmã de Maikel e Cristian, Ana Paula tinha o sonho de se tornar jornalista e sempre estava de bem com a vida. Integrante do Leo Clube de Três de Maio, em uma tarde, chegou na redação do jornal Semanal para divulgar uma ação do clube de serviço e confidenciou sobre seu sonho, pois gostava muito de ler e escrever. Comunicativa, ela tinha muitos amigos e conhecidos. 
A doença
Depois de um dia de trabalho em uma empresa de informática, Ana chegou em casa e começou a sentir fortes dores de cabeça. Era 31 de agosto de 2012. Como a dor era intensa, a jovem foi com a família até a emergência do hospital local e depois de atendida, voltou para casa. Mas a dor não cessou e no dia seguinte, 1º de setembro, ela retornou outras duas vezes ao hospital. Na terceira vez, ela teve convulsão e um AVC. A partir de então, ficou 39 dias na UTI e mais 14 dias internada no quarto. No total, foram 45 dias lutando pela vida. 
A primeira reportagem de Ana Paula no jornal Semanal foi em 16 de novembro de 2012, dias após a alta médica.
Luta diária
Os pais Marli e Aldair percorreram várias cidades do Estado e do Brasil em busca de um diagnóstico para a filha. Incansáveis, eles não se deixaram abater e lutaram para que Ana tivesse uma melhor qualidade de vida. 
Na cadeira de rodas, sem poder se movimentar e falar, ela se comunicava, inicialmente, por meio do alfabeto Esarin. Ou seja, piscando os olhos cada vez que lhe exibiam a letra certa em um quadro.
Até que, no Instituto do Cérebro da PUC em Porto Alegre, foi constatada a romboencefalite criptogênica, também conhecida como "a síndrome do cérebro encarcerado". A mãe Marli conta que a doença a deixava "presa dentro dela e jamais iria voltar". "Em função da doença ser tão grave, ninguém se salva. A Ana era uma exceção", confessa. 
Rede de solidariedade
Em 16 de maio de 2013, Ana Paula publicou uma carta na internet, contando a sua história e pedindo ajuda.  A carta também foi publicada no jornal Semanal, na edição de 24 de maio. Com 998 caracteres, o texto levou três dias para ser escrito utilizando o alfabeto Esarin. 
Os apelos da jovem repercutiram na cidade e em todo o Estado, ganhando apoio na internet e nos meios de comunicação, onde se formou uma rede de solidariedade visando auxiliar a família com recursos para dar melhores condições de vida para a jovem. 
Ainda em 2013, no dia 6 de setembro, a empresa Ortobras realizou a entrega de uma cadeira postural com o Kids de inclusão social e digital. Com um notebook de alta tecnologia, acoplado a cadeira de rodas, a webcam captava seus movimentos com a cabeça e piscadas, por isso a denominação "A menina dos olhos". 
Com muita força de vontade, embora as sequelas da doença, a capacidade cerebral e cognitiva permaneceram inalteradas. Com muitos planos e sempre acreditando na recuperação, ela lutava diariamente contra suas limitações, mas não deixava de se comunicar e fazer o que gostava: escrever. Passava algumas horas diárias na frente do computador, escrevendo e conversando com as pessoas através das redes sociais.
A dor da despedida
A mãe conta que Ana tinha certeza absoluta que ficaria temporariamente na cadeira de rodas. "Ela confiava que iria se curar", recorda.
Marli conta ainda que, antes de ter um novo AVC, ela passou duas semanas trocando o dia pela noite, escrevendo muito. "Ela estava bem e queria concluir o livro que conta sua história. Também havia dito que eu não precisava mais dormir no quarto com ela. Ela afirmava, mãe, eu preciso ser independente".
No dia 3 de novembro, Marli esperou a fonoaudióloga que auxiliava Ana, para tirá-la da cama e colocá-la na cadeira de rodas. "Quando puxamos, ela começou a chorar. Ela fez sinal que era dor de cabeça e chorava muito. Levamos ela para o hospital local e descobrimos que havia tido outro AVC. Logo, foi encaminhada para o hospital Vida & Saúde de Santa Rosa, onde ficou internada na UTI".
Desde a internação, ela teve febre, pneumonia e o quadro geral de saúde só foi piorando. "Eu não tinha a certeza e a fé de antes que eu iria salvar minha filha. Eu não aceitava isso, mas sabia que eu ia perdê-la", lamenta.
Emocionada, Marli conta que pressentiu a morte da filha e por isso, decidiu se organizar. "Na quinta, dia 12, arrumei maquiadora, avisei familiares e amigos mais próximos. Eles agilizaram igreja, etc. Liguei para a amiga Carol, para a fonoaudióloga Danúbia e a fisioterapeuta Betina, que vieram se despedir dela na sexta, 13. Mas eu não aceitava ela ir. O Aldair disse: vamos deixá-la descansar. Pegamos na mão dela e eu falei: 'Ana Paula minha filha, me dói muito dizer isto, mas eu aceito a tua decisão. Eu vou ficar muito triste, não contigo, mas pela falta que tu vai me fazer. Pelo vazio que tu vai me deixar, mas eu aceito a tua decisão. O coração dela estava em 66 batimentos por minuto, e em seis minutos, parou e ela partiu", comove-se Marli.
Sua morte gerou uma comoção na cidade e em várias partes do Estado e país, onde muitas pessoas deixaram mensagens e homenagens emocionantes em seu perfil no facebook. 
Sonhos de Ana Paula serão realizados
Ana Paula foi uma jovem guerreira de muitos amigos e querida por todos , que lutou até o último segundo de vida e deixou um verdadeiro exemplo de superação. Mesmo com todas as dificuldades, nunca deixou de ter fé, de sorrir e acreditar na cura da doença. Inclusive, fazia planos para o futuro. Em dezembro, iria participar do bazar solidário em prol da sua causa; ganharia uma nova cadeira com notebook para se comunicar e no dia 18 de dezembro, completaria 24 anos. Deixou um livro quase finalizado, que deveria se chamar "A cura". A obra será concluída pela mãe Marli, com ajuda de amigos e do médico neurocientista Gilson Lima, e deverá ser lançado em 2016.
Ana tinha muita preocupação com o irmão Maikel, 30 anos, que tem necessidades especiais. Agora, a luta da família é voltada para oferecer uma melhor qualidade de vida para Maikel e para realizar os planos e sonhos da jovem, como o lançamento do livro e a conclusão da obra na casa. 

A foto, uma das preferidas de Ana Paula, foi tirada na tarde de 23 de maio de 2014, depois de uma tarde em um salão de beleza.
Ela disse na oportunidade, que havia ganho um "dia de princesa"

Voluntárias decidem manter Bazar Solidário em prol do sonho de Ana Paula Almeida
Valor arrecadado com a venda dos artigos será 
destinado para a família concluir obra da residência 
O falecimento de Ana Paula Almeida não interrompeu a vontade das irmãs Selma Beckert e Selsa Coelho em ajudar a família da jovem. De acordo com Selma, o Bazar Solidário está mantido para os dias 5 e 6 de dezembro, no salão da comunidade evangélica São Paulo, cujos recursos arrecadados serão destinados à família de Ana Paula.
Conforme a voluntária, agora, o Bazar Solidário terá o objetivo de realizar o sonho de Ana Paula, que era dar dar continuidade à construção do piso térreo da casa e melhorar a acessibilidade. Isso porque, o irmão de Ana, Maikel é portador de necessidades especiais e necessita de melhores condições de acesso e de qualidade de vida.
Como doar
Podem ser doadas roupas, calçados, eletrodomésticos, brinquedos, móveis, livros, enfim, todo tipo de artigo em bom estado de conservação. As doações podem ser encaminhadas até a Refrigeração Beckert, em frente a Rodoviária. Mais informações pelosA fones 3535-1661, 8110-6253 ou 9999-0802.
O Bazar
Além dos dias 5 e 6 de dezembro, o bazar também estará aberto durante as noites do Biergarten, 11, 12 e 13 de dezembro.  Os valores dos produtos irão variar de R$ 1 a R$ 100.

 





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