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A infância virtual da contemporaneidade

27/11/2015 - Por Jornal Semanal
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Leidiane Radünz*
   Crianças estão se comportando como adultos? Atualmente, em função da sociedade em que se vive, muitas são as características apontadas sobre uma possível adultez precoce de crianças. Dentre essas, pode-se apontar o consumismo exacerbado de produtos oferecidos pela mídia, através da era informatizada e computadorizada. Também aponta-se, o individualismo da criança, se comparado a épocas anteriores, quando as crianças faziam uso de brinquedos manuais e contavam com a presença constante de ao menos um de seus pais para a realização de suas atividades. Será que as crianças da contemporaneidade estão sendo consideradas como mini-adultos?
   Essas e outras questões fazem-se necessárias para pensar sobre o que é a infância e como ela se constitui na modernidade. Sabe-se que a infância corresponde a um dos tempos do desenvolvimento humano, e que a subjetividade se constitui a partir das construções feitas pelos adultos. A infância tem se tornado uma sociedade consumidora, enquanto faz uso de diversos produtos oferecidos pelos meios de comunicação e pelos sites da internet. Crianças e adultos deixam-se seduzir pelo mundo da imagem.
   As famílias estão se constituindo por um número cada vez menor de filhos. Na maioria dos casos, ambos os pais trabalham fora de casa. A família nuclear se dilui. Os filhos são colocados nas creches e escolas, com o intuito de obterem a educação desejada pelos pais. Essas crianças, ocupam cada vez mais o seu tempo com atividades extracurriculares, para que os pais possam se dedicar integralmente ao trabalho. Nestas condições, a criança amplia o seu espaço material, e ao mesmo tempo, reduz o seu espaço material-afetivo. 
   Os avanços tecnológicos e científicos da era moderna, são imprescindíveis para a comunicação e a troca de informações no mundo globalizado ao qual se faz parte. Mas isso, não impede que se vivencie uma realidade infantil, ao invés de uma realidade virtual.
    As bases do núcleo familiar são responsáveis pelas construções subjetivas que o sujeito irá carregar consigo ao longo da vida. Assim, que a falta constitutiva do sujeito possa ser substituída pelas trocas afetivas, e não apenas, por atributos da era virtual. E que, mesmo parte de uma sociedade onde prevalece o ter, que seja preservada uma infância real, e não somente, virtual.
*Acadêmica do Curso de Psicologia da Unijuí Campus Santa Rosa





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