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Por que escolhi ser Humanista-Existencialista

11/12/2015 - Por Arlete Salante
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Porque o Humanismo, desde o período pré-socrático (séc. V a. C.), passando pelo movimento renascentista (séc. XV-XVI), reconhece o valor do homem em sua totalidade e diferencia-se pelas concepções de liberdade e natureza do ser humano.
O Existencialismo também tem diretrizes filosóficas. Etimologicamente, ex-sistire significa começar a ser, vir de alguma coisa, sair de si e projetar a si mesmo, estar em relação com o mundo.
Trabalho e vivencio uma psicologia que nasce da análise do homem, da sua psique e tem como primeiro problema realizar o ser humano. Assim, busco encontrar a causa para além dos fatos que o sujeito apresenta, ou seja, o que determina o comportamento humano e seus efeitos.
É recorrente na minha vida a busca de sentido e significado diante do que vivo e, com isso, percebo a capacidade de aprendizado, atualização e de renovação.
A postura de tornar-me humana frente aos outros e frente à vida resgata o sentido e a totalidade do meu existir. Quando percebo a "mesmice", a repetição das dinâmicas psicológicas, vejo o perigo que existe em apenas fazer mais do mesmo. Pode ser o mais cômodo, porém não dá oportunidade de evolução e de desenvolvimento ou amadurecimento, e como isso gera fixação, obsessão mental que distorce os novos elementos que a vida te coloca para conhecer, viver, provar. "este vinho novo que quer formas novas".
Assim, escolhi a profissão de psicoterapeuta pautada no Humanismo e no Existencialismo Ontológico porque ela permite compreender as necessidades próprias e exclusivas de cada humano, corrigir as reflexões da consciência distorcida e buscar a intencionalidade de natureza de cada pessoa para realização do seu projeto existencial.
Viver em permanente busca do conhecimento de natureza é ser livre. Isso significa não ler os fatos conforme as ideologias viventes, modelos culturais, sociais, familiares, mas a partir do que é útil e funcional à vida, do que traz alegria e paz.
A exatidão do psicoterapeuta resulta da liberdade de ser o que ele próprio alcançou. Ser exato é operar sobre o fenômeno que o paciente apresenta, resgatando a natureza humana.
Compreendi que fazer psicoterapia é chegar ao ponto da consciência que precisa mudar, é encontrar as motivações, muitas vezes inconscientes, que vêm do modelo social, da própria educação que induz ao erro e à autossabotagem.
Compreendi também que só sendo livre posso ser autêntica, mas que isso também pode desagradar ou desacomodar os outros. Enfim, cada escolha tem seu preço. Cada pessoa deve prestar contas da sua vida a si mesmo, porque a vida cobra os dons. Exatamente como a parábola bíblica dos talentos. Quem enterra seus talentos se esconde, ao final fica vazio de si mesmo, por isso acredita que depende dos outros. Quem desenvolve aumenta seus créditos diante de si e da vida, sente-se realizado só pelo movimento da busca "porque feito é melhor que perfeito", traz a visão de ter sido honesto consigo mesmo. Qual a sua escolha de vida?



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