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Os riscos por trás do aumento do limite do crédito consignado

11/12/2015 - Por Jornal Semanal
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Recentemente, a Câmara aprovou a medida provisória que aumenta o limite do crédito consignado para pagamento de despesas com cartão de crédito. Com isso, o limite passa de 30% para 35%, contudo, esses 5% a mais serão destinados apenas ao pagamento da fatura do cartão de crédito.
Se por um lado a pessoa que toma esse crédito consegue uma folga para pagar suas contas, principalmente com os juros altíssimos do cartão de crédito, por outro preocupa, pois mostra como está alto o índice de endividamento da população, que nesses casos poderá já ter comprometido mais de um terço do salário antes mesmo de receber.
Então, como se deve agir? Avaliemos o seguinte: se a pessoa já não conseguia viver dentro do padrão de vida que 100% do seu salário podia oferecer, como ficaria com apenas 65%? Muito provavelmente teria que realizar novos empréstimos ou parcelamentos, criando o famoso efeito bola de neve. A conta é bem simples: quem ganha R$ 2 mil teria uma redução de R$ 700, ficando com apenas R$ 1,3 mil.
Imagine se o trabalhador, em vez de utilizar esses R$ 700 do cálculo acima para consignados, utilizasse para investir? Em 10 anos, ele teria aproximadamente R$ 190 mil (rendimento mensal de 0,65% e correção anual de 10% de inflação real). É claro que esse é apenas um exemplo de como funciona quando temos educação financeira e praticamos o consumo consciente.
É claro que, no caso de pessoas que já estão endividadas, se levarmos em conta os juros cobrados - segundo o Banco Central, a taxa média cobrada pelo empréstimo consignado é de 27,3% ao ano, enquanto os juros do cartão crédito, por exemplo, ultrapassam a marca de 372% ao ano -, o consignado se torna mais interessante.
Ainda assim, essa não é uma prática que deve ser recorrente e muito menos feita por impulso. É necessário muito controle e planejamento. E fica cada vez mais evidente a necessidade de educar financeiramente os colaboradores, afinal de contas, o problema não são as ferramentas de crédito, mas sim a forma como são utilizadas. O foco não deve ser a resolução da consequência do problema, mas sim da causa, motivando o consumo e o crédito conscientes.

Algumas orientações básicas e práticas para que as pessoas tenham consciência 
na hora de utilizar esta linha de crédito: 
- Antes de tomar qualquer crédito, é importante conhecer a sua real situação financeira, ou seja, fazer um diagnóstico financeiro;
- É muito importante não deixar com que este empréstimo e que os problemas financeiros reflitam em seu desempenho profissional, pois será muito mais complicado pagar qualquer prestação sem salário;
- Antes de buscar pelo crédito consignado, é importante tomar consciência de que o custo de vida deverá ser reduzido, isto porque a prestação deste reduzirá o seu ganho mensal diretamente em seu salário ou benefício de aposentadoria;
- É muito comum a utilização do crédito consignado para quitação de cheque especial, cartão de crédito e financeiras, porém, a troca simplesmente de um credor por outro, sem descobrir a causa do verdadeiro problema, apenas alimentará o ciclo do endividamento;
- A linha de crédito consignado, sem dúvida, se bem utilizada, é importante, porém, não pode fazer parte da rotina de um assalariado ou aposentado. Sua utilização deve ser pontual;
- Tem sido comum o empréstimo do nome a terceiros por parte de aposentados e até mesmo funcionários, mas este procedimento é prejudicial a todos;
- Caso encontre taxas de juros mais baixas, é válido fazer portabilidade desse crédito. Para os funcionários, o caminho será falar com a área de recursos humanos; para os aposentados, as possibilidades são inúmeras; é preciso pesquisar;
- Para quem quer tomar o crédito consignado, recomendo que, antes mesmo de assinar o contrato com a instituição financeira, se faça uma boa reflexão e analise se este valor que será descontado diretamente no salário ou benefício não fará falta para os compromissos essenciais mensais.

Reinaldo Domingos - Educador e terapeuta financeiro, 
presidente da DSOP Educação Financeira, Abefin e Editora DSOP, 
autor do best-seller Terapia Financeira e do lançamento 
Mesada não é só dinheiro, entre outras obras.



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