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Irrigação garante produtividade

11/04/2012 - Por Ale Ott
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Foto: Deisi Fabrim
O produtor rural de Independência, Lourenço Torzescki está satisfeito com o uso da irrigação por aspersão em suas lavouras

Perdas na produção trazem à tona a necessidade de irrigação das lavouras

Com seca, prática pode manter a produtividade dependendo da produção e do clima

Foto: Deisi Fabrim
Lavouras de grande área necessitam de irrigação com sistema de pivô como utilizado em algumas propriedades no município de Independência

A irrigação na agricultura é uma das alternativas para uma produção rentável e de qualidade, mesmo com seca. Esta é uma das principais questões debatidas ultimamente devido às perdas nas colheitas e ao lançamento de um novo programa de incentivo a irrigação, realizado pelo governo estadual no mês passado. Na ocasião o Secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa), Luiz Fernando Mainardi, lembrou que dos 5,5 milhões de hectares agrícolas no Estado, apenas 105 mil são irrigados por sistemas de aspersão ou gotejamento. 
Para Gilson Grando, técnico da Emater/Ascar de Três de Maio nos períodos mais críticos, a solução para manter uma boa safra de verão é realmente a irrigação: "Ela é essencial, mas outra forma seria a conservação do solo, retendo as águas das chuvas na propriedade e mantendo o solo com alto teor de matéria orgânica". 
Ele explica que em Três de Maio, assim como no Estado, poucos aderem à irrigação. "No município não há produtores realizando esta prática na cultura de soja e isso decorre da falta de tradição na atividade, e também porque nem todas as propriedades possuem mananciais disponíveis para isso". Já em produções de milho e pastagens há um número bem pequeno, mas segundo o técnico tem projetos em andamento em virtude dos açudes construídos pelo Estado no município.


Lavoura de milho teve produtividade
de 135 sacas/ha


Mesmo com seca, o produtor Lourenço Torzescki de Lajeado Pessegueiro, em Independência comemora a boa safra. Isso se deve principalmente pelo uso da irrigação, além do plantio de plantas de cobertura com a função de conservação do solo e a adubação.
Ele fez o plantio do milho em outubro do ano passado e colheu em fevereiro. Portanto todas as fases de produção passaram por um período de poucas chuvas e, principalmente, no estágio de floração - na qual a planta necessita maior quantidade de água - não houve nenhuma precipitação. O técnico da Emater de Independência, Nilton Pértile explica que se o produtor não tivesse utilizado a irrigação teria perda total.
Lourenço conta que muitos produtores que não utilizaram irrigação tiveram perda total ou colheram de 10 a 30 sacas/ha. Este ano utilizando a irrigação por aspersão, ele colheu 135 sacas/ha líquido. "Em outros anos, quando não utilizava a irrigação já colhi 60 sacas/ha, mas com chuvas regulares", explica.


Funcionamento


Durante o período crítico da estiagem o produtor realizou sete irrigações de aproximadamente 18 mm, com intervalo de quatro dias entre cada uma. Na lavoura de quatro hectares os aspersores são colocados distribuidamente na área, cada um tendo um alcance de 12 metros, girando circularmente. Quando o solo atinge a umidade suficiente, os aspersores são trocados de lugar para irrigar outra parte da lavoura.
Nilton explica que este tipo de irrigação é o ideal para pequenas propriedades, como esta de milho e para pastagens também. "Para pequena propriedade o sistema permite um custo menor para pequenos cultivos e atinge a umidade necessária". Em Independência em torno de seis agricultores utilizam o sistema de aspersão para irrigar milho e pastagens.
Já o sistema de irrigação por pivô é apropriado para áreas maiores pelo alcance dos jatos de água e também pelo alto valor que necessita ser investido na instalação, sendo viável somente para grandes lavouras. Segundo a Emater de Independência, no município tem aproximadamente seis produtores que utilizam este sistema, principalmente para soja. Com a seca deste ano, em lavouras de soja em Independência que utilizam este sistema de irrigação a média de produtividade chegou a 60 sacas por/ha.


Produtividade também depende
de boas condições do solo


Para ter uma boa produtividade com a irrigação é necessário o auxílio de boas condições do solo; bem estruturado e fértil. A expectativa de Lourenço é produzir na próxima safra até 200 sacas/ha de milho, isso com melhor preparo do solo, utilizando rotação de cultura e mais 
adubação.
O técnico esclarece que a instalação de um sistema de irrigação é boa opção para os períodos de estiagem, basta que o tipo de instalação seja adequado a cultura e ao tamanho da área. A instalação implica também em licenciamento ambiental, disposição de água, energia elétrica suficiente (para bombear a água), e equipamentos necessários. Também é preciso que sempre haja água disponível nos açudes destinados para este fim. Pois em extensos períodos de seca pode não ter água disponível no açude (barragem) para irrigação.


Mais Água, mais renda.

Governo do estado lança plano de incentivo a irrigação


Foto: Divulgação/JS
Governador Tarso Genro


O Plano Estadual de Expansão da Agropecuária Irrigada - Mais Água, Mais Renda, lançado em março pelo governo Tarso Genro, é um incentivo a irrigação; subsidia a aquisição de equipamentos e agiliza o licenciamento e a outorga de projetos de irrigação.
Agricultores e pecuaristas familiares poderão acessar o programa por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O Estado vai pagar 100% da primeira e da última parcela do financiamento. O programa será financiado em 10 anos, com três anos de carência, totalizando sete pagamentos.
Já o produtor médio terá recursos por meio do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), com o Estado cobrindo 75% da primeira e da última parcela. O grande produtor que acessar financiamento via Moderinfra terá 50% da primeira e da última parcela subsidiadas pelo Governo Estadual. Ao todo o programa investirá R$ 225 milhões nos próximos anos, sendo R$ 75 milhões a cada ano.




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