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Provadores de cigarros...

11/10/2012 - Por Marcos Salomão
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Já escrevi sobre provadores de cigarros, e o tema sempre me chama a atenção. A profissão existe realmente, e em vários países, e o profissional passa alguns dias da semana, em uma sala, fumando...
A média é de 200 cigarros por dia, quatro vezes por semana. Ele testa os cigarros da empresa fabricante e dos concorrentes, analisando as diferenças. Não deve ser uma profissão fácil, mas deve ser bem remunerada, afinal, não é todo mundo que gosta de colocar a saúde em risco. Mas, se o sujeito precisa de dinheiro e não possui outras habilidades, uma das opções é ser um "Provador de Cigarros".
Nas outras vezes que escrevi sobre o tema, comentei dos problemas que a Souza Cruz vem enfrentando com este assunto. Vários trabalhadores processaram a empresa depois de passarem um determinado período provando cigarros, em razão de terem contraído doenças relacionadas ao tabaco. Em uma das colunas que escrevi, ainda no início de 2012, abordei a condenação superior a R$ 2 milhões que a Souza Cruz terá que pagar, se não conseguir reverter a decisão em grau de recurso, a um homem que trabalhou 10 anos na salinha chamada de "painel de fumo", consumindo 200 cigarros por dia. Exames constaram que ele contraiu a doença pneumotórax e associação lógica é que ele está doente em razão da profissão...
A função "Provadores de Cigarros" acabou chamando a atenção do Ministério Público do Trabalho, que pediu à Justiça o fim desta profissão através do Processo RR: 120300-89.2003.5.01.0015 que tramita no Tribunal Superior do Trabalho. A empresa já havia sido condenada pela 15ª. Vara do Trabalho do Rio de Janeiro a deixar de contratar provadores de cigarros, prestando assistência médica pelos próximos 30 anos e mais uma indenização aos atuais contratados, mas a empresa ainda discute o assunto através de recursos.
A Souza Cruz nega que a função de "provador de cigarros" tenha ligação direta com as doenças e argumenta que pessoas que exercem outras atividades também adoecem. Alega ainda que todos os contratados são voluntários e maiores de idade e que existem profissões com grau de risco muitíssimo superior como a de astronauta e mergulhador, e que nunca se pensou em proibí-las. Além disso, a atividade é essencial para garantir a uniformidade do produto.
Nesta semana, a Ministra Delaíde Miranda Arantes, em julgamento, acompanhou o voto do relator e proibiu a profissão, argumentando que atenta contra a saúde e a vida dos trabalhadores. Outros Ministros ainda vão votar, e a profissão está prestes a desaparecer no Brasil. 
Que a função atenta contra a saúde, realmente não restam dúvidas, mas existem outras profissões que também são cruéis. O povo quer trabalhar, procurando oportunidades, pois muitos tem família para sustentar.  O que não dá pra aceitar, é que após um período de longos anos trabalhando em uma atividade destas, tenha o Estado brasileiro que pagar as despesas de saúde deste trabalhador. Quem deve arcar, ao meu ver, é a empresa, que se utiliza de cobaias humanas para conseguir lucros. Isso é o mínimo para permitir a existência desta função.
Das minhas leituras da madrugada:
"Somos os únicos responsáveis pelas nossas decisões..."
Um ótimo fim de semana a todos...



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