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A insegurança nossa de cada dia

18/01/2016 - Por Jornal Semanal
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A insegurança nossa de cada dia
Gustavo Griebler*

Estava saindo da farmácia onde Aline trabalha em Uruguaiana quando vi uma menina sair correndo de lá com um shampoo nas mãos. Foi em direção a um homem com o frasco na mão, que imaginei ser o pai, sentado em um banco na calçada. Olhei para o pai e ele com cara de constrangido pegou o frasco e foi com a filha até dentro da farmácia e mostrou para uma mulher que acreditei ser sua esposa e mãe da criança. Os dois riram e colocaram o produto na prateleira. Esta é uma história até normal de uma boa educação que se está passando para uma criança. Mas geralmente não é assim. Nesta mesma farmácia, ouvi duas histórias na mesma semana, de uma mulher que foi pega com a bolsa aberta e quase colocando para dentro uma mamadeira, depois de passar pelos shampoos. E também que no último mês o prejuízo com roubos na farmácia havia sido de uma cifra de quatro dígitos considerável. Ainda vi, alguns dias depois do ocorrido, com estes olhos que um dia a terra há de comer, os funcionários trocando de lugar os protetores solares porque estava havendo muito roubo. Da frente do balcão foi para trás, ao alcance somente dos balconistas.
Em outra oportunidade, em nosso apartamento, que é em andar  térreo, colocamos o varal de roupas na sacada. Com um pouco de dificuldade, é possível alcançar a mão para dentro desde a calçada, por isso Aline perguntou instintivamente se não nos roubariam as roupas. Eu disse que achava que não. Mas como somos preparados para isso, não é mesmo? Já pensamos no roubo, no furto, e não que podemos deixar uma roupa para secar no sol porque assim o papel é feito mais rapidamente.
Por que no Brasil tem de ser assim? Por que temos de viver nos cuidando? Por que não podemos sair por aí despreocupadamente? Por que não poderíamos ter nossas casas sem grades, nossas janelas sem grades? E mais ainda, além da cerca, coloca-se cerca elétrica e algumas vezes cacos de vidro, o que inibe parcialmente a ação de ladrões. Por que temos de chavear a porta de casa? Porta é um lugar de passagem e não barreira que deve ter quatro tipos de tranca diferentes para não permitir a entrada de pessoas alheias. Por que temos de colocar câmeras e alarmes? Alarme é o som do momento. Antigamente se corria para fora de casa para ver o que estava acontecendo. Hoje se tapam os ouvidos quando dispara o alarme, seja de casa, seja do carro, seja da cerca.
Em algumas comunidades sei que ainda se pode viver despreocupadamente, dormindo com a janela do quarto aberta, com a porta destrancada e o dinheiro embaixo do colchão. Sei que em algumas comunidades a polícia praticamente não tem serviço, tamanha a calma. Penso que isso é o normal. E não o corre-corre dos carros de polícia de um lado a outro e as sirenes a todo volume anunciando que mais uma vez o crime está vencendo ou já venceu. Sou utópico em pensar que um dia voltaremos a ter nossa paz de volta? Paz esta que o crime levou e parece não querer devolver.

* Mestre em Educação nas Ciências. 
Professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico e 
Coordenador Geral de Ensino Substituto do 
Instituto Federal Farroupilha - Campus Avançado Uruguaiana




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