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Argentino esquece mulher em posto de combustível

22/01/2016 - Por Arlete Salante
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  O fato tragicômico aconteceu com um casal argentino retornando de suas férias no Brasil.  O homem parou o carro no posto, foi ao banheiro, voltou ao veículo e seguiu viagem. Sua esposa foi à loja de conveniência e, quando retornou não encontrou nada mais familiar no local. Ele, o marido rodou cerca de cem quilômetros até se dar  conta que sua esposa não estava no carro. Tão pouco, o filho do casal que jogava no celular. O encontro do casal não foi amistoso. A mulher que estava em prantos reagiu agredindo veículo e marido.
  O fato se tornou notícia internacional, mexeu com o imaginário de muita gente provocando teses e comentários curiosos para explicar o ocorrido. Muito se ouve acerca do motorista, do algoz que fez uma vítima, cito alguns que ouvi: "esse gosta da mulher", "isso foi proposital", "ele estava acostumado com a mulher sempre dormindo no banco de trás", " imagina que casamento que eles têm".
  Sabemos, desde os estudos de Freud, que um esquecimento não é apenas um esquecimento, diz de outra coisa, revela algo do inconsciente do sujeito. Mas, a vítima esquecida é parte desta relação, a parte desconsiderada, talvez invisível, e, literalmente deixada para trás, abandonada na estrada. A passividade tem também suas consequências. 
  Além do argentino ter sido denunciado por seu inconsciente sobre a situação conjugal, a excentricidade do caso revela cenas do cotidiano familiar que falam dos comportamentos, do nível de percepção das pessoas umas com as outras, da inconsciência dos atos e do tipo de comunicação bastante empobrecida. 
  A situação tragicômica já foi retratada em um filme italiano chamado Pão e Tulipas (2000). Mostra a atitude madura da "esquecida" que se dá conta que sua vida, daquela forma, não tinha muito sentido, nem para si, nem para os seus familiares que a esquecem na beira da estrada. Por isso, resolve fazer uma vida nova, viver outras experiências com outras pessoas, em outra cidade.
  A reação de cada pessoa frente aos fatos mostra sua situação interior em diversos aspectos. A verdade de cada um tem a ver com sentido da sua vida ou com a consciência que tem de si mesmo. Podemos compreender os fatos que acontecem em nossas vidas, baseados na nossa verdade interior ou a partir das nossas fantasias de realidade. As evidências a nossa volta são reveladoras.
  É inútil opor-se com contrariedade quando a realidade já está deteriorada. Podemos reagir com ampliação da consciência ou com agressão (velada ou escancarada), tudo depende do quanto compreendemos da nossa trajetória e das nossas escolhas.
  Compreender a relação de casal ou situações geradoras de sofrimento na convivência conjugal faz amadurecer o rumo que a vida está tomando. Perceber a satisfação ou a insatisfação de cada um pode evitar desfechos traumáticos ou tragicômicos.



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