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A condição feminina

19/02/2016 - Por Jornal Semanal
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É recente o movimento de consciência da condição feminina para muitas mulheres, cerca de quatro décadas. O que parece causar um enorme desconforto para muitos homens que, de uma forma ou outra, se afetam com o protagonismo profissional e social das mulheres, e até mesmo com as competências delas. Parece que a inteligência, a capacidade de ação e a segurança na mulher causam uma desconfiança acusatória. Esta é a máscara das inseguranças masculinas por parte de muitos homens. Digo muitos, mesmo suspeitando que ainda é o comportamento padrão, ainda que velado, disfarçado de cavalheirismo.
A ameaça da perda do território profissional ou social remete a perda de poder.  Assim, os padrões dominadores, autoritários ou desmotivadores da parte dos homens, colocam as mulheres à sombra, provocando inseguranças femininas. Mesmo as mulheres encarando suas conquistas como direito próprio, certas do que lhes pertence, sem o apoio masculino, a trajetória é árdua. Afinal, a natureza nos coloca complementares, com características distintas que ultrapassam a condição biológica. Mas complementares e distintas não é sinônimo de inferior. A inferiorização das mulheres é uma condição criada com intuito único de dominação, não de equilíbrio.
A falta de reconhecimento é uma espécie de vingança masculina. Onde poderiam fazer a passagem para a mulher crescer, ascender com seus talentos, vem o silêncio, vem a crítica, vem o xingamento. E a mulher, educada para ser sombra, sofre a repressão desdobrando-se em cuidados, fantasiando que é ciúme, adoecendo ou se rebelando. Então é a louca, a "nervosa" que também se vitimiza pelos anos de repressão que aceitou. "Ai de ti" diz a voz fixada da sua cabeça: Ai de ti se brilhar, ai de ti se souber mais, ai de ti se sobressair...inúmeros são os 'ai de ti' que compõem uma mulher. 
Inúmeras são as mulheres que não tem consciência da escolha cotidiana pela alienação, e seguem de cabeça baixa, vivendo uma vida sem graça e sem sentido, culpando um ou outro, mas não enxergando sua a sua parte de responsabilidade.
Além da 'vingança' masculina do não reconhecimento integral da mulher, sim porque parcial ele até acontece, mas apenas na medida 'do faz de conta que te reconheço e você fica boazinha', há a represália das outras mulheres, há o desconforto das outras. A crueldade das mais velhas com as mais novas, das que pararam no tempo ou dentro de algum papel familiar, das que tem inveja e ódio das conquistas daquelas que constroem suas trajetórias, das que não cuidam bem da própria vida e se dedicam falar e julgar a vida dos outros. Inúmeras são as situações de desunião feminina. 
Parece que seguindo assim, a condição da mulher tem séculos para evoluir.




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