Sábado, 29 de abril de 2017
Ano XXIX - Edição 1454
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

O sabor do saber

26/02/2016 - Por Jornal Semanal
Tweet Compartilhar
A palavra saber na sua origem do latim, é sapere, e traz como significados 'ter conhecimento, ciência, informação ou notícia'. A palavra sábio no latim é sabidus, significa 'ajuizado, prudente, culto erudito', mas sabidus, na sua raiz, é sabor, saboroso e sapiência. É belo descobrir pela etimologia que o saber tem sabor.
O sabor do conhecimento traz abertura para o novo. Saímos da ignorância apenas pela abertura ao novo, ao conhecimento que está diante de nós. Aprendemos, se não houver enrijecimento, pela bagagem que já temos. 
O sabor do saber leva à mundos antes não percorridos, dá asas à imaginação e à criatividade. Traz liberdade de 'pensar fora da caixinha', fora do padrão. A abertura para ver o mundo com os olhos da alma possibilita tirar proveito do que nos serve, deixando de lado o que já serviu, para viver atualizado com o que se é no aqui agora.
O sabor do saber é libertador, palavra que amo desde a adolescência. Mais que uma palavra, um valor, um princípio de vida que alimenta a busca constante do saber com sabor. Traz a emancipação da família e da sociedade, para num momento seguinte colaborar com as mesmas. O que numa família ou numa sociedade é aprisionante, inevitavelmente será fator de sofrimentos desnecessários. Quando as ideias e os modelos fixos escravizam, consciente ou inconscientemente uma pessoa, uma empresa, uma família e também a sociedade, certamente faltou abertura ao saber do momento presente. O saber do passado já está insípido, sem sabor. 
O saber é saboroso,  toca a alma em novidade, apresenta saídas óbvias, mas não pensadas. Talvez já sentidas, mas como fomos educados a desconsiderar o que sentimos, para considerar apenas como outros pensam, sob pena de rejeição ou julgamentos infundados, negamos nossas percepções. Negamos nossos processos psicológicos básicos pela rigidez da educação e da cultura local. Percebemos que o universo é infinito só mais tarde, quando o desejo de liberdade se encanta com o céu estrelado e percebe que o mundo é muito maior que este vemos. 
O sabor do saber se expande quando nos conectamos aquelas pessoas que também estão abertas ao conhecimento, que não se fixam em rótulos do passado, que buscam viver cada dia em aprimoramento. São pessoas que sabem respeitar a si em primeiro lugar e, por consequência, respeitam os outros nas suas individualidades. Estas pessoas são abertas a crescer e viver o que é essencial, não perdem tempo com os papéis que desempenham perante os outros. Mas buscam de cada papel, de cada situação algo verdadeiro que lhes acrescente. Jamais se confundem com as exigências externas, sabem ser para si mesmos e com isso servem a sociedade no que lhes compete, sem se confundir com as 'figurações' necessárias. Porque antes vem a vida de cada um, o projeto de cada alma, depois vem a relação com o mundo externo. Mas sem a ordem interna, a ordem externa é escravidão, é obrigação. O saber de si e das coisas é sem sabor, sem sentido de vida. E o teu saber, tem sabor de quê?




Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

15/04/2016   |
08/04/2016   |
01/04/2016   |
24/03/2016   |
18/03/2016   |
11/03/2016   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS