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Pesquisa revela que metade dos trabalhadores em educação enfrenta problemas psíquicos

19/10/2012 - Por Jornal Semanal
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"A luta dos professores em defesa dos seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente, enquanto prática ética. Não é algo que vem de fora da atividade docente, mas algo que dela faz parte."  

A frase do pedagogo Paulo Freire reforça a luta incansável da categoria pela valorização permanente e a busca pela garantia de direitos dos educadores e pela qualidade da educação pública.
O dia 15 de outubro, é dedicado ao Dia dos Professores. A data é mais uma oportunidade para lembrar à sociedade a importância da valorização deste profissional, e do papel do Estado, que deve assegurar as condições de trabalho aos educadores - professores e funcionários - e de aprendizagem aos estudantes.
Recentemente, o CPERS/Sindicato divulgou o resultado de uma ampla pesquisa sobre a saúde dos trabalhadores em educação. Denominado de "Cuidado! A Saúde da Educação está em Perigo", o projeto de Proteção à Saúde dos Trabalhadores em Educação revela índices alarmantes. Exatos 49,87% da categoria pode estar evidenciando algum tipo de transtorno psíquico e 72,5% diz se sentir nervoso, tenso ou preocupado.


Principais sintomas identificados:

                                                                                                                                              Fonte:Cartilha CPERS/SINDICATO

Excessiva jornada de trabalho, baixos salários e violência nas escolas está entre  os fatores apontados pelos educadores 

A pesquisa foi realizada em 2011, quando foram ouvidas 3.166 pessoas, entre professores e funcionários de escola, dos 42 núcleos do Cpers/Sindicato no Estado. O estudo contou com o apoio do Laboratório de Psicodinâmica do Trabalho da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).
Os resultados obtidos são preocupantes: 51,1% dos entrevistados alegaram sentir sensações desagradáveis no estômago; 49,3% dormem mal; 49% têm dores de cabeça frequentes; 47,3% se cansa com facilidade; 30,1% demonstra desinteresse pelas coisas; e 4,5% têm tido ideias de acabar com a própria vida.
Para os profissionais do Laboratório de Psicodinâmica do Trabalho da UFRGS, tais resultados são consequências da excessiva jornada de trabalho, redução do quadro funcional, precarização das condições de trabalho, baixos salários, violências nas escolas, assédio moral, falta de autonomia, falta de reconhecimento profissional e excesso de contratos temporários.
Na região, foram entrevistados aproximadamente 70 profissionais da educação que pertencem ao 35º Núcleo do Cpers/Sindicato. O núcleo tem sede em Três de Maio e abrangência nos municípios de Alegria, Independência, Horizontina, Dr. Mauricio  Cardoso, Boa Vista do Buricá, Nova Candelária, São Martinho e São José do Inhacorá, onde são mais de mil associados. 
Conforme a diretora do 35º Núcleo do Cpers, professora Vera Maria Lessês, a pesquisa retrata a situação em que se encontram os trabalhadores em educação gaúchos. "Sentimos nesta pesquisa que a categoria expressou aquilo que vem sentindo. Sabemos que este adoecimento acontece. É grande o número de atestados de saúde com trabalhadores em educação. Chegamos à conclusão que isto ocorre devido à desvalorização profissional, baixos salários, a tripla jornada, e o trabalho com classes multisseriadas que ocorre com grande frequência no Estado. Sem contar a pressão que sofremos. São vários motivos que levam a categoria adoecer, entre eles, a falta de reconhecimento pelo nosso trabalho por alunos, sociedade em geral e pelos governos".


Fonte: Cartilha CPERS/SINDICATO

Segundo a pesquisa, em nível de 35º Núcleo do Cpers, o percentual de profissionais de educação adoecidos chega a 51,70%. A maioria dos profissionais de educação apresentam algum sintoma, algum tipo de transtorno mental. Os núcleos que tem mais índice de transtornos mentais são de Santo Ângelo e de Erechim, com mais de 60%. "Gostaríamos que a nossa categoria estivesse bem, saudável e não adoecesse. O Sindicato está preocupado, pois não se preocupa apenas com a questão salarial, mas com a qualidade da educação e a qualidade de vida dos trabalhadores de educação". 
A partir deste trabalho, segundo Vera, o Cpers está traçando metas e diretrizes para negociar com o governo algumas melhorias para educação, objetivando que menos profissionais da educação adoeçam e precisem procurar ajuda médica.  "É necessário intervir sobre esta realidade com urgência, pois tal situação traz prejuízo para o gerenciamento das escolas e, principalmente, gera intenso sofrimento ao trabalhador". 
Com base nos dados da pesquisa, serão implantadas comissões de saúde dos trabalhadores em educação por núcleo, visando a proteção e melhoria das condições do ambiente de trabalho e resgatar a satisfação da atuação do educador, permitindo ações objetivas para encaminhamento das demandas relacionadas ao tema saúde.


Professor do Ensino Fundamental no Brasil é um dos mais mal pagos do mundo    
Pouco mais de R$ 21 mil é o valor que um professor do Ensino Fundamental em São Paulo ganha, em média, por ano. Mais de R$ 211 mil é aproximadamente, o salário médio que um professor nesta mesma fase de ensino na Suíça, ganha por ano. Ou seja, o profissional brasileiro ganha apenas 10% desse valor.
Um levantamento realizado por economistas, por agências da ONU (Organização das Nações Unidas), Banco Mundial e Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que professores brasileiros em escolas de ensino fundamental têm um dos piores salários de sua categoria em todo o mundo e recebem uma renda abaixo do Produto Interno Bruto (PIB) per capita nacional. 
Em uma lista de 73 cidades, apenas 17 registraram salários inferiores aos de São Paulo, entre elas Nairobi, Lima, Mumbai e Cairo. Em praticamente toda a Europa, nos Estados Unidos e no Japão, os salários são pelo menos cinco vezes superiores ao de um professor do Ensino Fundamental em São Paulo.
Outro estudo liderado pela OIT e pela Unesco (órgão da ONU para educação, ciência e cultura), realizado com base em dados do final da década passada, apontou que professores que começam a carreira no Brasil têm salários bem abaixo de uma lista de 38 países, da qual apenas Peru e Indonésia pagam menos. O salário anual médio de um professor em início de carreira no Brasil chegava a apenas US$ 4,8 mil, enquanto que na Alemanha, esse valor era de US$ 30 mil por ano.
Conforme a OCDE, professores do Ensino Fundamental em países desenvolvidos recebem por ano uma renda 17% superior ao salário médio de seus países, como forma de incentivar a profissão.

Apenas 2% dos estudantes querem seguir a carreira de professor
O Censo da Educação Superior de 2011 revela um cenário preocupante. Embora no ano passado o Brasil tenha aumentado em 5,7% as matrículas no Ensino Superior em relação a 2010, superando a marca inédita de um milhão de formandos, o levantamento confirmou uma tendência que vem se confirmando há anos. Os cursos de licenciatura, aqueles destinados à formação de professores para as próximas gerações, não acompanharam a tendência de expansão e ficaram estagnados. O número de possíveis futuros mestres variou apenas 0,1% em relação a 2010.
O levantamento é realizado anualmente e reúne informações sobre matrículas, estabelecimentos e docentes dessa faixa de ensino. Os dados confirmaram o cenário de que apenas 2% dos estudantes do Ensino Médio pensam em seguir a carreira de educador no Brasil.
                                                                          CRISTHIAN MAEHLER
Em décadas passadas, seguir a carreira de professor
era o sonho da maioria dos jovens

Este percentual havia sido revelado pela pesquisa da Fundação Carlos Chagas, em 2009, por iniciativa da Fundação Victor Civita. Na época, dos 1,5 mil alunos do terceiro ano do Ensino Médio ouvidos pelos pesquisadores, apenas 2% confirmaram a intenção de cursar Pedagogia ou alguma licenciatura voltada para o magistério. O dado expressa a desvalorização de uma profissão que já foi o sonho de consumo das famílias brasileiras nas décadas de 60 e 70 do século passado. E o mais preocupante é que os professores continuam sendo tão necessários para o país quanto o eram naquela época.
A pesquisa aponta três aspectos prioritários como causas da rejeição: falta de reconhecimento social; salários baixos e trabalho desgastante. Entre os 32% de alunos que chegaram a pensar em ser professor, muitos encontraram resistência familiar ou foram desaconselhados por pessoas de suas relações.
Enquanto isso, conforme o Censo da Educação Superior, nos demais cursos em nível superior em uma década, de 2001 a 2011, as matrículas cresceram 122% nas universidades, chegando a 6.739.689 no ano passado.



Maioria dos cursos de Licenciaturas na região não preenche número de vagas oferecidas 
Na região, oferecem cursos superiores de licenciatura as universidades: Unijuí (Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul), Uri (Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões), com várias opções de cursos nos seus campus; e Iesa (Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo) e Faculdade Três de Maio (Setrem) com a opção em Pedagogia. 
Conforme as coordenações dos dos cursos das faculdades na região, nos últimos anos a procura é baixa e em quase todos os cursos, o número de vagas não é preenchido. 
Segundo a coordenadora da Assessoria de Comunicação e Marketing do Iesa, Fabieli Meotti, onde são oferecidas 100 vagas a cada Vestibular de Verão para o curso de Pedagogia,   o pior desempenho foi no Vestibular 2010, quando foram apenas 29 inscritos. "Nos últimos dois anos percebemos um pequeno avanço. No último vestibular tivemos 63 inscritos. Entretanto,  é o curso com a menor procura entre todos os seis cursos do Iesa". 
Na Uri, a realidade não é diferente. Conforme a diretora-acadêmica do campus de Santo Ângelo, professora Neusa Scheid, a instituição oferece licenciatura em Ciências Biológicas, Educação Física, História, Letras - Espanhol, Letras Inglês, Matemática, Química e Pedagogia. A procura pelos cursos de licenciatura tem diminuído a cada ano. Nos oito cursos de licenciatura, são apenas 373 alunos matriculados. 
Para a professora, a pouca procura  ocorre porque a profissão de docente não possui mais o prestígio que tinha em outras épocas no Brasil. "Uma possibilidade é atribuir esse desprestígio ao fato de que se confunda conhecimento com informação. Tivemos uma grande expansão do acesso à informação em nosso país: internet acessível a todos e jornais e revistas ao alcance da  maioria da população. Assim, temos a impressão de que para conhecer, basta ter informação. Nossos jovens têm muita informação, mas não sabem o que fazer com ela. O papel do professor é o de mediar à transformação e a informação em saber e conhecimento".
Já para Fabieli Meotti, do Iesa,  além da baixa remuneração, outras razões para a decrescente procura por cursos de licenciatura é o surgimento de carreiras novas que atraem os jovens para cursos inovadores e com perspectiva de ótima remuneração. E o descompromisso das famílias com a educação faz com que o profissional dessa área tenha que assumir o compromisso de, além de ensinar, educar (papel da família). A coordenadora destaca que há uma aparente desvalorização da profissão de professor. "Aparente porque a realidade não é ruim, assim, como muitos acreditam que seja. Hoje, todas as nossas acadêmicas de Pedagogia trabalham na área desde os primeiros semestres do curso. Somos procurado a cada semana por escolas e empresas diversas em busca de profissionais da Pedagogia. Muitos salários ultrapassam, inclusive, os praticados para outras profissões". 
No entanto, ela ressalta que está havendo uma retomada de interesse. "A profissão, certamente, será uma das mais procuradas e remuneradas do futuro, em vista da falta desse profissional". 


Pacelli pode ficar sem turmas iniciantes nos cursos Normal de Nível Médio e Normal Aproveitamento de Estudos em 2013
O Instituto Estadual de Educação Cardeal Pacelli oferece o curso de Magistério desde 1991. Na época, havia três turmas de alunos, com cerca de 95 alunos. Naquela década o número de turmas e de alunos  aumentava consideravelmente a cada ano. 
A coordenadora do curso, professora Alice Mariane Bender de Abreu recorda que naquela época a escola atendia uma demanda regional, pois os alunos eram provenientes de vários municípios da região, além de Três de Maio (cidade e interior), vinha alunos de Independência, Alegria, São José do Inhacorá entre outros.
Conforme Alice, a partir de 2000, o número foi diminuindo  a cada ano. "Pelas inscrições para matrícula, não podemos afirmar hoje, que teremos turmas iniciantes em 2013".
Atualmente, o Pacelli oferece o Curso Normal de Nível Médio - diurno, com a duração de três anos e meio, mais estágio profissional de 400 horas. Para quem não faz o estágio, o instituto concede certificado de conclusão de Ensino Médio.
À noite, é oferecido a modalidade de Curso Normal - Aproveitamento de Estudos, para alunos que já concluíram o Ensino Médio. Esta modalidade está organizada em três semestres de aulas, mais o estágio profissional de 400 horas.
Conforme a coordenadora, o número de alunos vem diminuindo drasticamente. "Em 1993, concluíram o curso 60 alunos. Atualmente, são duas turmas com 22 alunas, mais 24 alunos em estágio. No turno diurno não temos mais turmas de 1º e 2º anos". 
Para a professora, não há interesse dos alunos em cursarem o curso e posterior licenciatura pela desvalorização profissional, pela falta de investimentos na educação e de condições de trabalho, baixos salários, falta de limites dos alunos, indisciplina e até violência contra os professores, acúmulo de trabalho e burocracia excessiva.

Três de Maio tem 133 professores na rede municipal e na rede estadual são 297 efetivos e 57 temporários. 
Na rede particular, são cerca de 300 professores.  Destes, alguns trabalham em mais de uma escola,  seja na rede pública ou privada. Há também os que lecionam na rede federal, e outros em escolas de idiomas, danças, academias, música, artesanato, entre outros segmentos. 

                                                                                                                         DIVULGAÇÃO/JS
Atualmente no Instituto Estadual de Educação Cardeal Pacelli
são 22 alunas, divididas em duas turmas,
mais 24 alunos em estágio


Ainda há jovens que se realizam na profissão

                                                                                                                                                           
   MAICKEL SCHREIBER
"Toda profissão deve ser apaixonante e todos devem gostar
do que fazem, só assim vai haver interação entre os envolvidos".
Lidiane Mendes Geist, 32 anos, professora municipal

Das brincadeiras da infância à sala de aula
Desde a infância o amor pela profissão já se manifestava. Entre as brincadeiras de criança, estava uma em especial, a de ser professora. O desejo foi crescendo e a brincadeira se tornou séria. Lidiane Mendes Geist, 32 anos, obteve aos 18 anos a primeira experiência como educadora no magistério e voluntária na alfabetização de jovens e adultos.
Depois não parou mais, cursou graduação em Letras/ Espanhol pela URCAMP de Bagé e se especializou em Tecnologia da Informação e Comunicação Aplicadas a Educação (TIC's) pela UFSM - Santa Maria.
Atualmente divide seu tempo aos ensinamentos da Língua Espanhola para alunos do 3º ao 6º, em duas escolas municipais de Três de Maio, Escola São Pedro e Escola Sales Guimarães. Lidiane conta que a disciplina é encantadora tanto para ela como para os alunos. "Me gusta muchísimo estudiar y enseñar la lengua española, es una lengua muy lindo y encanto a todos los alumnos", declarou.
E completa relatando a experiência que é ser professora. "É professar a fé e a certeza de que tudo terá valido a pena se o aluno sentir-se feliz pelo que aprendeu com você e pelo que ele lhe ensinou. É consumir horas e horas pensando em cada detalhe daquela aula que, mesmo ocorrendo todos os dias, a cada dia é única e original".

A educação desenvolve um papel determinante na sociedade
Lidiane comenta que os países mais desenvolvidos são aqueles que investem na educação e que o conhecimento é a maior riqueza que uma sociedade pode ter. No entanto, o Brasil ainda engatinha para tornar-se um país realmente desenvolvido, como apresentou os resultados do Ideb, divulgados recentemente. "Atualmente as escolas cumprem um papel determinante, pois vem repleta de desafios e devem continuar sendo um lugar destinado à aprendizagem, rica em recursos, onde os alunos possam interagir de maneira criativa, desenvolvendo sua capacidade de pensar, se expressar e tomar decisões com responsabilidade".
Diversos são os desafios encontrados pelos educadores no dia a dia e que ultrapassam as portas da sala de aula. "Várias mudanças devem ser repensadas, como o ambiente de professores e alunos, incentivar as famílias a interagirem com o processo de ensino e aprendizagem. Cabe ao educador mediador do conhecimento tornar o ensino atraente e rico em significações, onde os alunos façam a relação entre o conhecimento e seu dia a dia e possam transformá-lo", avalia a professora.

                                                                                                                 FOTO AVENIDA
"O professor de hoje tem de ter em mente que o aluno que chega à sala de aula
já vem com uma bagagem de milhares de horas de televisão,
outras de internet e tantas de conversas com seus pares.
Ou seja, ele não chega vazio". 
Gustavo Griebler, 24 anos, professor universitário

Disciplina. Este foi o maior aprendizado que o jovem mestre Gustavo Griebler recebeu do seu pai, o professor Vilson Renato Griebler (já falecido). Gustavo foi aluno do seu pai, que atuava como docente na rede pública e privada e tinha muito amor pela profissão. "O seu maior legado foi a disciplina. Aprendi com ele que para atingir nossos objetivos temos que nos esforçar, temos que estudar. As coisas não são fáceis, mas podemos as tornar fáceis, com dedicação e esforço".
Gustavo tem apenas 24 anos e já é professor de Ensino Superior da Faculdade Três de Maio (Setrem). Na Faculdade Três de Maio, ele começou a lecionar em fevereiro de 2011. Entretanto, sua primeira experiência docente foi no Programa de Inclusão Digital, da Setrem, no começo de 2008. "Na metade do mesmo ano, trabalhei alguns meses em um projeto financiado pelo governo do Estado do RS e a Azaléia, também na Setrem, ministrando aulas de desenvolvimento web para estudantes de Ensino Médio. No segundo semestre de 2010, atuei como monitor em algumas turmas de ensino superior da Setrem".
Atualmente, ele leciona nos cursos de Administração, Agronomia, Engenharia de Produção, Pedagogia, Sistemas de Informação e Redes de Computadores, trabalhando os componentes Fundamentos de Informática, Informática, Algoritmo, Programação e Lógica Computacional, Planejamento, Desenvolvimento e Gerenciamento de Projetos, Informática na Educação, Sistemas de Informação e Jogos de Empresas. 

A escolha em ser professor
Quando iniciou o curso de Sistemas de Informação, Gustavo tinha o objetivo de tornar-se analista e programador de sistemas. "Na época, o mercado estava em plena expansão e ainda continua com a demanda grande, mas com pouca oferta de profissionais capacitados para exercer as funções pretendidas. Logo no primeiro semestre da graduação, a Setrem concedeu-me uma bolsa para eu atuar com pesquisa científica. Isto me permitiu uma aproximação grande com aspectos acadêmicos, sendo que eu estava inserido no âmbito universitário e trabalhando junto aos professores. Assim fiquei durante três anos. Tive experiências profissionais fora do ambiente acadêmico, mas em meu estágio da faculdade vi que meu futuro estaria na faculdade. Fiz seleção para mestrado, passei, conclui e então voltei à Setrem como docente".

Desafios da profissão
Gustavo avalia que a função docente modifica-se constantemente. "Ser professor hoje é diferente do que ser professor há um século, apesar de que em muitos lugares vive-se ainda a educação de um século atrás. O professor de hoje tem de ter em mente que o aluno que chega à sala de aula já vem com uma bagagem de milhares de horas de televisão, outras de internet e tantas de conversas com seus pares. Ou seja, ele não chega vazio para a sala de aula. A enxurrada de informações de hoje faz com que o aluno chegue informado", pondera. 
Por isso, segundo o mestre, cabe aos professores filtrar o que é certo e o que é errado, de forma a produzir um senso crítico nos estudantes, incentivando-os sempre a trabalhar em equipe para resolver seus problemas. "Falo isso na educação universitária, onde trabalho, mas se aplica isso também na educação básica".
Ele também aponta outro problema (que pode ser transformado em solução). "É o fato das Tecnologias da Informação e da Comunicação presentes na sala de aula. O aluno vem com notebook e/ou celular para a sala de aula. Ele pode perfeitamente não fazer nada a respeito da aula e ficar fazendo suas tarefas pessoais ou coisas que lhe agradem com seus aparelhos. Ou seja, ele pode estar na sala somente em corpo físico, mas seus pensamentos podem estar a quilômetros dali enquanto conversa com alguém, conforme teoria do filósofo africano Pierre Lévy. Cabe aos professores tornar sua aula atrativa para chamar também este estudante que talvez não saiba que está excluído da aula".

O ensino público e o privado 
Gustavo conta que nunca estudou em escola pública. "Minhas escolas sempre foram privadas, com ou sem bolsa de estudos. Mas vejo em alguns de meus alunos que chegam à faculdade vindos de escolas públicas trazem problemas que teriam de ser resolvidos na educação básica. Ou seja, além de tratar os assuntos da faculdade, temos que resolver algumas questões que não ficaram bem definidas lá no Ensino  Fundamental ou Médio. Pergunto-me seguidamente o que acontece nesses níveis de ensino para termos tantos problemas mais para a frente. Não encontrei uma resposta satisfatória, mas talvez a resposta possa passar pelo incentivo dos pais ao estudo e a vontade do próprio aluno em aprender".

O aspecto positivo e  negativo da profissão
Para Gustavo, o lado positivo da profissão é quando se realiza o aprendizado pelo estudante após o esforço muito grande por parte dos professores para tornar a matéria fácil de ser aprendida  pelo aluno. "Quando, além disso, conseguimos formar o espírito crítico no estudante, acredito que nossa missão está cumprida".
Já os aspectos negativos são vários, segundo o docente. "Mas destaco o fato de nosso país infelizmente ter optado por não investir o devido e necessário em educação. Isso é histórico. Tenta-se com programas governamentais contornar alguns problemas. É um começo, mas muito precisa ser feito ainda. Além do mais, a não priorização da educação por parte do governo, que poderia fornecer mais bolsas para os estudantes terem acesso à educação superior privada (já que o acesso às universidades federais precisa de investimentos que não muitos têm condições de bancar), faz com que muitos tenham de batalhar durante o dia para poder pagar a faculdade à noite, quando já se está cansado para aprender".



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