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Á procura de sinal

20/05/2016 - Por Jornal Semanal
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COBERTURA DE CELULAR NO INTERIOR

População rural convive diariamente com dificuldades para usar o serviço

Problemas para fazer ou receber chamadas e má qualidade das ligações, muitas vezes interrompidas abruptamente, estão entre os motivos de insatisfação de produtores

Três famílias, moradoras de diferentes localidades no interior da cidade onde residem, mas que deparam diariamente com uma mesma situação: problemas para fazer ou receber ligações pelo celular. E, quando conseguem, acabam por conviver, na maioria das vezes, com a incerteza sobre se a conversa será clara ou não, audível ou não, se ela chegará até o tchau ou não.
O casal Derli e Neusa Corso reside com o filho Diogo Adriano, 29 anos, em São Braz, na cidade de Tucunduva. Em outra casa, próxima à do trio, mora o pai de Derli, Theophilo Corso, 93 anos.
Produtora de soja, milho e trigo, a família reside numa área de 26 hectares, dos quais 18 são destinados ao cultivo das culturas. Além de plantar nesta área, dedica outros 22 hectares a plantações - 14 também em São Braz e outros 8 na localidade de Beato Anchieta, em Três de Maio. E Diogo ainda atua na produção leiteira, com oito vacas de ordenha.
Derli, 64 anos, que desde pequeno mora na atual propriedade, conta que usa telefone celular há aproximadamente 15. Começou com uma operadora e há quase oito anos é cliente de outra, que vem a ser diferente da escolhida pelo filho. Mas ambos enfrentam constantes problemas com a cobertura de celular, embora Derli relate ter mais dificuldades que Diogo.
"Quando quero fazer ligações, preciso sair caminhando pela propriedade para achar sinal. E, se estou na lavoura de Anchieta, dificilmente consigo ligar para cá. Se meu filho está lá e eu aqui, até conseguimos nos falar, mas aí cai a ligação, eu tento chamar de novo e não consigo", conta Derli. "Tem dias em que, por causa dos nossos negócios, precisamos fazer 15 ou 20 ligações. Várias vezes me desloquei até a cidade só para ver preços e fechar negócios, porque não consigo fazer isso pelo telefone", complementa.

Dois chips, mesmo problema

"O sinal é ruim o dia inteiro. O celular nunca pegou bem", diz o produtor rural Adone Luís Schuh, 38 anos. Junto com a esposa, Juliana Bonmann, 32, e com o pequeno Luis Eduardo, 2 anos, filho do casal, ele mora na localidade de Km 16, no interior de Três de Maio. O casal é produtor de milho, numa lavoura de 5 hectares, de leite, com 13 vacas, e de frango, para abate.
No celular, o casal tem dois chips, mas a tentativa não ajuda a diminuir os problemas enfrentados. "A maioria das ligações não é completada. Precisamos sair pela propriedade procurando sinal e, na maioria das vezes, quando estamos falando, cai a ligação", relata Adone. A área em que moram tem 13 hectares - há os cinco destinados ao cultivo de milho e os outros se dividem entre o espaço residencial, mato e potreiro.

Casal Adone e Juliana reside no Km 16, em Três de Maio, 
e diz que a maioria das ligações que tenta fazer não é completada

Chamadas nem sequer recebidas

Sair pela propriedade procurando sinal - e muitas vezes não conseguir - não é exclusividade de Derli, Neusa, Diogo, Adone e Juliana. Evandro Rossi, 41 anos, e Laudete Claci Borges, 31, têm a mesma dificuldade onde moram, numa área de 10,4 hectares em Lajeado Barreiro, no distrito de Progresso, em Três de Maio.
"Temos celular de uma operadora, tentamos colocar um chip de uma outra, mas as dificuldades permaneceram", explica Laudete. O casal chegou a pensar, num momento, que o problema pudesse estar nos celulares. "Já tivemos três aparelhos e nada mudou", acrescenta.
Na casa, o celular quase não pega, e a saída é caminhar pela propriedade para ver se algo muda na tela do telefone quanto à indicação do alcance do sinal. "Se estou dentro de casa e o telefone chega a tocar, o pego e saio correndo com ele, para um lugar em que eu ache que possa conversar. Mas, muitas vezes, falamos e a pessoa do outro lado da linha não escuta", descreve Evandro. "Meu pai, quando vem passear aqui, já nem traz o celular, porque simplesmente não pega", frisa Laudete.
Eles residem com seus filhos, Ellen Beatriz Borges, 13 anos, e Gabriel Luis Rossi, 6. Além de o casal produzir soja e trigo, Evandro atua em outros trabalhos - e, naturalmente, manter contato com clientes ou clientes em potencial é imprescindível. "Também sou pedreiro e carpinteiro, e dependo do telefone. O pessoal fica bravo que liga, o telefone chama e ninguém atende, quando, na verdade, eu nem recebi as chamadas. Essa situação nos atrapalha bastante", conclui ele.

Dentro de casa, em Lajeado Barreiro, celular de Evandro e Laudete raramente apresenta sinal. 
'Se chega a tocar, saio correndo com ele para outro lugar', diz o produtor

Posicionamento das operadoras de telefonia*
Oi: "A Oi informa que cumpre os critérios de cobertura determinados pela Anatel e está comprometida com a evolução da qualidade do atendimento dos serviços de telecomunicações no Rio Grande do Sul. Em 2015, a empresa investiu cerca de R$ 4 bilhões no País, visando à expansão e melhoria da qualidade da rede móvel (3G e 4G). Somente no Rio Grande do Sul, o investimento foi de R$ 244 milhões. Neste período, também foram implantados 162 novos sites de telefonia móvel no Estado. A operadora está priorizando investimentos em suas redes de telecomunicações, para melhoria da qualidade do serviço aos clientes em todas as regiões, incluindo Três de Maio."
TIM: "A TIM está presente no município de Três de Maio com uma torre equipada com as redes 2G e 3G. Essa cobertura tem como objetivo atender, principalmente, à área urbana. Em 2016, será realizada a modernização do equipamento 2G, a fim de garantir a evolução tecnológica da rede. Os indicadores estão normais e não apresentam falha na região coberta. A TIM tem a satisfação dos seus clientes como prioridade, de modo que o monitoramento é contínuo.
Em relação às áreas rurais, atualmente, a cobertura no Brasil segue as regras e o cronograma do Leilão 4G da Anatel. Cada operadora ficou responsável por um conjunto de estados e a TIM tem o compromisso de atender a Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. O Rio Grande do Sul não é, portanto, uma obrigação da TIM, mas sim de outra operadora."
Claro: "Sobre Três de Maio, a Claro atende principalmente à área urbana. Quanto ao atendimento nas áreas rurais, a Anatel faz a divisão de todo o País entre as operadoras, e, no caso do Rio Grande do Sul, a área rural é obrigação de uma outra empresa. É ela que tem a obrigação de manter sinal no local. Caso a Claro queira manter cobertura no local, ela pode, mas não é sua obrigação. Porém, sempre trabalha para continuar ampliando seu sinal o máximo possível."
* O Jornal Semanal também entrou em contato com a assessoria de imprensa da Vivo, mas não obteve retorno até a conclusão da reportagem.

FOTOS: MURIAN CESCA

Confira a matéria completa no jornal impresso





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