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Tratador de cavalos luta na Justiça para evitar sacrifício de sua égua

27/05/2016 - Por Jornal Semanal
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Laudo de laboratório do Mapa indica que Dona Chica está com mormo, o que o tratador contesta. Para demonstrar sua convicçãona saúde da égua, Gilberto Padilha postou vídeo na internet em que bebe o sangue do animal

O tratador de cavalos Gilberto Padilha, conhecido como Dinde, 39 anos, luta na Justiça para evitar o sacrifício de sua égua, Dona Chica, de 8, diagnosticada com mormo, segundo laudo emitido pelo Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) de Pernambuco após os exames de triagem, chamados de fixação de complemento.
Os Lanagros, presentes em todas as regiões do Brasil, são os laboratórios oficiais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e o de Pernambuco, localizado na capital Recife, é o de referência para mormo no País. Gilberto, que possui quatro exames que indicaram a inexistência da doença no animal, feitos por outros laboratórios, de São Paulo, Porto Alegre e Ijuí, contesta o diagnóstico.
No entanto, são três exames de 2015, sendo um do primeiro semestre e dois do segundo, e um deste ano, com coleta de sangue em 18 de fevereiro e resultado datado de 23 de fevereiro. Os exames têm validade de 60 dias a partir da data da coleta.

Outro animal da propriedade também estaria com mormo
Doença infecto-contagiosa, que pode levar à morte, o mormo é causado pela bactéria Burkholderia mallei e atinge principalmente os equinos - e é transmissível para seres humanos. Em animais, a doença normalmente se manifesta logo após a infecção. Não há tratamento e o animal precisa ser sacrificado e cremado no local onde estava.
Os sintomas nos animais são febre alta, tosse e secreção nasal. Podem aparecer também nódulos no nariz e nos pulmões - causando alterações respiratórias -, além de feridas nos membros. A transmissão ocorre por meio de secreções dos animais doentes que contaminam principalmente os bebedouros.
Gilberto, que lida com cavalos desde os 11 anos, cuida de 28 equinos, de diferentes donos, na localidade de Esquina Bela Vista, no interior de Três de Maio, onde reside com sua esposa, Andréia, e com os dois filhos do casal, Katieli, de 15 anos, e Fabrício, de 8. A família está há cinco anos na propriedade. Os filhos, seguindo os passos do pai, participam de competições de laço, montando Dona Chica, único equino da família e com a qual obtiveram diversas conquistas.
Além dela, uma outra égua, de 5 anos, de outro proprietário, foi diagnosticada com a doença. A propriedade está interditada desde a metade do ano passado - com isso, os animais não podem sair, nem novos podem chegar. O laudo do Lanagro/PE, recebido pelo tratador no último dia 16, segunda-feira, ainda indica que os exames de 16 animais da propriedade apresentaram resultado inconclusivo ou anticomplementar, necessitando de novas amostras, e os de dez tiveram resultado negativo para mormo.
Quanto aos exames realizados pelo Lanagro/PE, as coletas foram feitas em 4 de abril e enviadas ao laboratório em 25 de abril, com a análise se iniciando no dia 28 do mesmo mês e sendo concluída em 5 de maio. "Estamos, com o advogado, tentando obter uma liminar para que seja feito um outro exame", diz Gilberto em entrevista ao Semanal.

Vídeo com medida extrema postado na internet
Depois de receber o laudo que atestou a doença de Dona Chica e da outra égua, o tratador, reunindo um misto de tristeza, revolta e inconformidade, ficou abatido. E gravou, na quinta-feira da semana passada, dia do aniversário de seu filho, um vídeo em que, numa medida extrema, buscou demonstrar a certeza que tem de que a égua não está com mormo - para isso, com uma seringa, ele extraiu sangue do animal e o bebeu. "Sei que foi algo de muita coragem, mas eu vinha por três dias chorando escondido, para não chorar na frente da minha família. Vinha comendo mal há dias, estava sem dormir. Eu não sabia o que fazer, estava sem força nenhuma", conta ele.
O vídeo, gravado por Katieli, foi postado por Andréia no Facebook e, desde então, gerou grande repercussão na internet. "Quero dizer para o Brasil inteiro que esta égua está condenada à morte", iniciou Gilberto na gravação. "Essa égua nunca teve doença nenhuma. Eu só quero defender minha égua, só quero conseguir provar que ela não tem nada. Ela faz parte da família. Não é pelo dinheiro. Se tiver que morrer pela minha égua, eu morro", declarou, emocionado, no vídeo.
Para o tratador, segundo disse na entrevista, "alguma coisa está errada, e a gente quer entender. Provem que a égua está doente, daí sacrifiquem. Mas eu quero entender o que está errado, qual dos laboratórios está errado. Se ela estiver mesmo com mormo, ninguém aqui vai impedir de sacrificar um animal doente". Ele destaca, também, o amor que sente pelo seu trabalho. "Já trabalhei em outros serviços, mas este é diferente. O cara tem amor por esses bichos. Jamais deixei um cavalo passar sede. Se acho que um ficou sem água, não durmo. Conheço cada um deles. Tu dá uma olhada pra eles e já sente; se o bicho está doente, tu vê qualquer sintoma", reitera.

FOTO: MURIAN CESCA

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