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Porque sou professor

22/10/2012 - Por Jornal Semanal
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Gustavo Griebler*
Este é o segundo ano que comemoro o Dia do Professor no exercício da profissão. Tenho pensado que a cada novo semestre ganho novos filhos adotivos, sem nem mesmo ter filhos. Alguns me odeiam. Sei disso. Outros gostam de mim. Para outros ainda, tanto faz. É difícil contentar a todos. Estou convencido disso.
Como professor, as pessoas pensam que eu somente daria aula. Mas não, tenho notado que sou muito mais do que isso. Sou um pouco psicólogo, mesmo sem diploma, ouvindo os alunos e dando conselhos. Às vezes eu sou o paciente, com eles ouvindo meus desabafos. Tenho de ser um pouco comediante, descontraindo o ambiente de vez em quando. Tenho de usar técnicas tradicionais para contentar os modernos e novas para contentar os contemporâneos.
Penso que como professores cabe a nós passarmos alguns valores fundamentais para os alunos, alguns até caídos no esquecimento, mas que devem ser rememorados: respeito, trabalho em equipe e exercício do pensamentom, visando à formação do senso crítico. Estes são meus pilares básicos, além, é claro, do conteúdo científico a ser construído.
A educação tem mudado com o tempo, e tenho procurado mudar com ela. Ela não é mais um one-man-show (show de um homem só). Os alunos têm de participar ativamente do processo. Os alunos também modificam-se com o tempo. Atualmente, eles já chegam com uma bagagem de informações muito grande, fruto de leituras na Internet, e querem (e devem até certo ponto) afrontar o professor no conteúdo que o mesmo está discutindo.
Outra ferida que tem de ser tocada é a questão salarial. O salário do professor, em especial o da educação básica, sempre foi um problema à parte. Mas por que o professor reclama tanto do salário? Simples. Ele não tem um ou dois na sua frente para atender. São turmas grandes que ele tem de dar conta. São 20, 30, 40, 50 alunos que precisam de atenção. E não são todos iguais, em uma turma de 40 alunos são 40 pessoas diferentes, 40 histórias diferentes. E ele sempre leva trabalho para casa, utilizando muitas vezes seu descanso para fazer coisas referentes à escola e/ou faculdade.
Como costumo dizer e seguindo o que o Juremir Machado da Silva diz, a valorização salarial do professor poderia elevar a venda de livros na feira do livro de Porto Alegre e de outras do Estado e País. Vejo por mim. Acredito que estou virando muito consumista. Nunca fora assim. Tenho me embriagado de leituras recentemente, lido todos os jornais que estejam a meu alcance, livros da biblioteca e comprados. Mas é interessante isso. Minha biblioteca pessoal tem crescido e ficado mais bonita a cada dia. Continuo a frequentar a biblioteca da minha instituição, mas as idas são mais espaçadas em função da quantidade de livros que tenho comprado e que quero ler. É bom esse negócio de dar aulas. Quanto mais aulas tenho, mais tenho de estudar e mais livros tenho de comprar para poder produzir o aprendizado com os estudantes. Enfim, apesar dos problemas, é bom demais ser professor!
* Professor Universitário



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