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A Filosofia e a Sociologia no Ensino Médio, desaparecerão?

01/11/2016 - Por Jornal Semanal
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Rudinei Barichello Augusti*

Se você tivesse que viajar realizando um cruzeiro, escolheria qualquer um para assumir a direção de seu navio? E, se tivesse que realizar uma cirurgia delicada, por acaso, não procuraria um especialista? Pois bem, ao que parece, não utilizamos os mesmos critérios para a escolha de nossos políticos. Recentemente, o Presidente da República Michel Temer, juntamente com o Ministro da Educação Mendonça Filho, oficializaram uma série de mudanças para a implementação do Ensino Médio. Entre as mudanças, a redução da carga horária de formação humana e social para nossos filhos.
Em primeiro lugar, parece que nossos 'gestores em educação' não estão dando a atenção devida à pretensão de uma formação integral dos estudantes. O motivo pode ser o desconhecimento da realidade social, educativa e até antropológica, ou então, a busca de criar uma escola com perfil de obediência ao invés de pensamento crítico.
Em segundo, gostaria ainda de dizer de que, mesmo que o currículo seja construído através da Base Nacional Comum Curricular, é evidente que esta ainda não está amadurecida. Aos estudiosos, uma pergunta: qual é a base epistemológica da proposta da Base Nacional? Quais critérios utilizados para a construção dos conteúdos e áreas do conhecimento? O que vejo com clareza até agora, é a boa fundamentação legal, pois a mesma está ancorada em princípios que vão desde a Declaração dos Direitos Humanos, Constituição Federal, Lei de Diretrizes e Bases, etc. Mas, uma base que queira de fato ser base, não pode fundamentar-se apenas em Lei. Se for, temos obrigação e, educação não se faz com obrigação e sim, com liberdade e responsabilidade.
Quanto a Filosofia e a Sociologia, como fica? Ou não fica? Ninguém sabe ainda ao certo como será. Entre tantas provisoriedades que temos à nível de governança, esta é mais uma delas. O certo é que tanto a Filosofia quanto a Sociologia foram implantadas a partir de 2008 como obrigatórias, após anos de luta contra a tradição educativa remanescente da Ditadura Militar. 
O fundamento dessas disciplinas está justamente em compreender a construção da cultura e do pensamento ocidental, firmado em bases humanas e culturais dos gregos aos nossos dias. O grande destaque cultural de um povo é sempre sua base educativa. Parece que a proposta busca introduzir os princípios do trabalho técnico, nem político, nem filosófico.
Por fim, ao que parece, a iniciativa vem a nivelar por baixo várias outras questões, como é o caso das Artes, Educação Física, etc. 
Já dizia o filósofo alemão Immanuel Kant: "Mais que ensinar filosofia, precisamos ensinar a filosofar" - ou entendi mal?

*Filósofo, Mestre em Educação e Doutorando em Educação
Professor de Filosofia e Sociologia - SETREM





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