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Escola sem Partido

18/11/2016 - Por Jornal Semanal
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Jean Zanette*   
O fato de os três estudantes entrevistados serem contra o projeto de lei Escola sem Partido, de forma unânime, mostra a necessidade de discutirmos o assunto de forma profunda, inclusive com os próprios alunos. Estes vem sendo, nos últimos meses, bombardeados com vários temas como o próprio Escola sem Partido, a PEC do teto de gastos (PEC 241) e o projeto de reforma do ensino médio, os dois últimos, diga-se de passagem, já iniciados no governo Dilma Roussef.
O projeto Escola sem Partido se baseia em seis pontos primordiais, sendo eles colocados como deveres do professor: 1. O professor não se aproveitará da audiência cativa dos alunos para promover os seus próprios interesses, opiniões, concepções ou preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e partidárias; 2. O professor não favorecerá nem prejudicará os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas, ou da falta delas; 3. O professor não fará propaganda político-partidária em sala de aula nem incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas; 4. Ao tratar de questões políticas, socioculturais e econômicas, o professor apresentará de forma justa, isto é, com a mesma seriedade e profundidade, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito; 5. O professor respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com as suas próprias convicções; 6. O professor não permitirá que os direitos assegurados nos itens anteriores sejam violados pela ação de terceiros, dentro da sala de aula.
De todos estes pontos, nas escolas brasileiras, sem dúvida nenhuma o quarto artigo é o mais importante e preponderante. Na sua esmagadora maioria, nossos professores são bem intencionados e lecionam por amor, mal remunerados e mal valorizados que são. Porém existe um claro viés na apresentação de conteúdos em nossas escolas, seja por preparo inadequado ou por simples supressão de um ponto de vista controverso, porém também altamente relevante. Tomemos algumas situações como exemplo: todo e qualquer estudante secundarista já ouviu algo sobre Karl Marx e sua teoria da mais valia na escola, sem exceção. O que eles nunca ouviram é que existem outros pensadores que refutam veementemente a teoria com argumentação sólida, e que também nunca ouviram nada de pessoas como Friedrich Hayek, Ayn Rand, Thomas Sowell e Milton Friedman. Também não ouviram que Marx e Engels foram os primeiros a defenderem abertamente genocídios em massa daqueles que, no entender dos mesmos, não haviam evoluído o suficiente para tomarem parte na "revolução" (que o digam eslavos, húngaros e sérvios). Todos sabem que os campos de concentração existiram na Alemanha nazista, mas é pouco provável que tenham ouvido falar de que a "expertise" e o molde de como organizá-los foi aproveitada dos soviéticos e de seus Gulags, operacionais já muitos anos antes. Muitos demonizam (e com razão) a ditadura militar, mas tratam candidamente o ditador Getúlio Vargas como um grande governante. Além disso, ensina-se que no governo Vargas foram criadas as leis trabalhistas (CLT) e os moldes para o movimento sindical, mas simplesmente se suprime que as mesmas foram baseadas em uma tal "Carta del Lavoro", de 1927 criada por ninguém menos que Benito Mussolini.
Por estes motivos aqui expostos, acredito que o simples fato de existir um movimento que questione a forma como nossos estudantes estão sendo tratados dentro da sala de aula é intensamente positivo. Discordo do caráter pejorativo da expressão "colocar o professor sobre constante vigilância", pois nada mais sagrado na vida de uma jovem pessoa do que a educação que esta recebe e da cobrança dos pais sobre o que é ensinado aos seus filhos sob tutela do Estado. O problema básico é a dificuldade do movimento em dialogar com os estudantes e com os professores, além do nome ao meu ver inadequado. Escola sem viés seria um nome bem mais adequado.
*Médico - Três de Maio




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