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Dia Mundial do Diabetes

18/11/2016 - Por Yara Lampert
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Na última segunda-feira, 14, foi o 'Dia Mundial do Diabetes'. O diabetes é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma epidemia mundial. No mundo, há cerca de 180 milhões de pessoas com diabetes. 
No Brasil, aproximadamente 6 milhões de pessoas acima de 18 anos têm a doença. Junto com a hipertensão, o diabetes é a doença que mais mata no país. É também a principal causa de internações por complicações cardiovasculares, diálise por insuficiência renal crônica e amputações de membros inferiores. Para falar sobre esta doença e tirar algumas duvidas, entrevistei a médica endocrinologista Mônica de Castilhos, que atende na Clínica São Vicente. Confira: 

O que é o diabetes? 
O diabetes se caracteriza pela deficiência de produção e/ou de ação da insulina (hormônio responsável pela redução da glicose, açúcar no sangue).

Como diagnosticar o diabetes?
- Glicemia em jejum> 126 mg/dL
- No teste oral de tolerância à glicose > 200 mg/dL
- Glicemia casual (qualquer horário do dia) > 200mg/dL com sintomas clássicos de diabetes (aumento do volume urinário, sede excessiva, perda de peso inexplicada, visão turva)
- HbA1c: (hemoglobina glicada) > 6,5%.

O que é pré-diabetes?
A glicose já não é normal, porém, ainda não preenche critérios para diabetes, existe um grande risco de evoluir para diabetes.
Glicemia em jejum 100-125 mg/dL
Glicemia no teste de tolerância a glicose: 140-199 mg/dL. 

O que é hiperglicemia? 
É quando o nível de glicose no sangue está elevado. Normalmente, isso acontece quando o organismo não tem insulina suficiente para usá-la como combustível.

O que é hipoglicemia? 
É quando a glicose no sangue está baixa < 70 mg/dL, podendo causar sintomas como suor frio, tremores, tonturas, palpitações, irritabilidade, cansaço, e quando muito baixa até convulsões.

Quais os tipos de diabetes? 
O diabetes tipo 1 é resultante da destruição autoimune das células produtoras de insulina do pâncreas. O diagnóstico desse tipo de diabetes acontece, em geral, durante a infância e a adolescência, mas pode também ocorrer em outras faixas etárias.
No diabetes tipo 2, o pâncreas produz insulina, porém, esta não é suficiente ou não consegue ser utilizá-la da forma apropriada (resistência à insulina). Esse tipo de diabetes é mais comum em pessoas com mais de 40 anos, acima do peso, sedentárias, sem hábitos saudáveis de alimentação, mas também pode ocorrer em jovens.
Gestacional - quando a alteração da glicose é descoberta na gestação.

Quais as principais complicações 
do diabetes? 
- Retinopatia (pode levar a perda de visão);
- Nefropatia (doença renal, pode necessitar de hemodiálise/diálise peritoneal);
- Neuropatia (acometimento dos nervos, forma mais comum neuropatia periférica que se não tratada aumenta o risco de lesão em pernas e pés, o que aumenta o risco de amputações);
- Complicações cardiovasculares: Infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral.

Quais os sinais do diabetes? 
Nas fases iniciais, no geral é assintomática. 
Com glicemias mais altas aparecem os sintomas clássicos:
*poliúria (aumento do volume urinário)
* polidipsia (aumento da sede)
* perda de peso inexplicável
* visão turva
* cansaço

Como prevenir? 
- Manter um peso saudável;
- Manter-se fisicamente ativo;
- Manter uma dieta equilibrada, pobre em gorduras e açúcares, rica em fibras, frutas e vegetais frescos.

Como tratar? 
- Modificações no estilo de vida (atividade física regular e alimentação adequada);
- Medicamentos orais: sensibilizadores de insulina (metformina, pioglitazona);  secretagogos de insulina (gliclazida, glibenclamida, glimepirida); inibidores da DPPIV (sitagliptina, vildagliptina, saxagliptina, alogliptina, linagliptina); acarbose; inibidores da SGLT2 (dapaglifozina, canaglifozina, empaglifozina);
- Medicamentos injetáveis não insulina: incretinomiméticos - liraglutida, exenatida, dulaglutida;
- Insulinas.

Qual a relação entre diabetes 
e obesidade? 
A obesidade é um dos principais fatores de risco do diabetes tipo 2. Quando estamos acima do peso, o organismo não consegue utilizar de forma adequada a insulina que produz (resistência à insulina), o que pode levar a aumento da glicose e aparecimento de diabetes, principalmente em pessoas sedentárias e com história familiar de diabetes.

Quando o paciente tem de 
fazer a aplicação de insulina?
Insulina será sempre utilizada em casos de diabetes do tipo 1 e em pacientes com diabetes tipo 2 quando só os medicamentos orais não estão conseguindo controlar a glicose.

O diabético precisa fazer uma dieta especial por causa da doença?
Sim, a alimentação deve ter restrição de açúcares, doces  e refrigerantes e controle do consumo de carboidratos (pães, arroz, massa, batata, aipim, polenta, biscoitos), preferir sempre carboidratos integrais (arroz integral, macarrão integral), evitar mistura de carboidratos, frutas podem ser consumidas uma de cada vez até 3 ou 4 vezes ao dia (evitar sucos de frutas que contém o açúcar da fruta concentrado), evitar bebidas açucaradas (refrigerante, suco industrializado), consumir verduras e legumes. 

Há uma previsão de que em 2025 a população mundial de diabéticos dobre. Em que a estimativa se baseia? 
O envelhecimento da população, a urbanização crescente e a adoção de estilos de vida pouco saudáveis, como sedentarismo, dieta inadequada e obesidade, sãos grandes responsáveis pelo aumento da incidência e prevalência do diabetes. Desta forma, a conscientização sobre o problema, mudanças no estilo de vida objetivando prevenir o aparecimento de diabetes, o tratamento adequado da doença por profissional capacitado buscando a redução de incidência de complicações crônicas são as melhores formas de combater a doença e as consequências devastadoras que ela pode trazer.





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