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PEC PECA

02/12/2016 - Por Jornal Semanal
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Gustavo Griebler*

A palavra PEC sempre me pareceu estranha. Até em sua forma de falar. Ao verificar a significação da sigla me esbarro com emenda. Emenda é outra coisa que nunca me pareceu legal. Emendar tem a ver com remendar. Remendar é algo que para mim de imediato foi mal feito e precisa ser refeito. 
A primeira vez que ouvi falar em PEC foi quando os PMs do Estado estavam se unindo contra uma PEC. Ah, os PMs. Estas são pessoas estritamente necessárias no mundo de hoje. Mesmo em cidades ditas tranquilas, como Três de Maio, Horizontina, Santa Rosa, Boa Vista do Buricá e arredores, eles têm trabalho. Trabalho que talvez não seja somente punitivo, mas preventivo, e - com muitas palmas - educativo. 
Outra classe em constante luta são os professores estaduais. Sempre atrás do tal piso. Muitos procuraram na Tumelero, mas não é lá que está tão somente o que querem. Os professores - em discurso que se repete ano após ano - são as pessoas que irão transformar o mundo com sua educação para os seres que estarão no mercado de trabalho amanhã. Mas pessoas que transformarão outras não ganhando nem o mínimo que deveriam talvez não se sintam motivadas para sua nobre profissão. E aí começam os problemas.
Fico em somente duas classes, tão lutadoras por seus direitos como já foram e têm sido diversas pessoas em sua história. Tenho a falar sobre a PEC 241. Nossa! Já está neste número o número de propostas de emendas à constituição? Caramba! Pela leitura dela, que trata do teto dos gastos públicos, me pareceu algo assustador um ponto em especial: 20 anos de congelamento no investimento em educação. Então é isso: não se constrói mais nada, não se evolui mais nada. 
Esta PEC peca. E peca bastante. Congela. Congelar não é algo bom. Não para uma nação que quer crescer. Que quer se desenvolver. Congelar durante 20 anos investimentos significa que pararemos agora e retomaremos o crescimento - que sempre foi devagar - em vinte anos. Enquanto isso, Dinamarca, Coreia do Sul, Suécia e outros países líderes em rankings educacionais aumentarão mais alguns anos-luz em relação a nós. E continuaremos sendo lembrados pelo samba e pelo futebol e jamais por um Nobel de Economia, um Nobel de Literatura, uma medalha de ouro em Olimpíadas de Conhecimento Científico, em número de inovações, etc.
Quero ficar somente nesta PEC, mas discordo também em muitos pontos do PLP 257 (Reequilíbrio fiscal dos estados) e da Reforma do Ensino Médio. Este último força o aluno, no meu entender, muito cedo a se direcionar para o mercado. Deixem-no viver a escola. Certo é que se investiu no passado o dinheiro de uma forma errada e desordenada em muitos pontos. Mas não é da noite para o dia que tudo será modificado. Que se reduzam os investimentos sim, mas não se tirem os mesmos. Precisamos, além de custear o que temos, terminar muitos projetos com investimentos. Que se corte lá no Legislativo, que se corte lá no Judiciário. Em quem efetivamente trabalha, Executivo, que continue a ter seu trabalho normal, seu orçamento normal. Os alunos de mestrado, de doutorado, de iniciação científica, de pós-doutorado precisam terminar seus cursos, com suas bolsas mirradas que mal pagam suas despesas básicas. Deixam os geradores de inovação terminarem seus cursos, seus experimentos, seus sonhos.
Façamos bem feito. Desde o início. Construamos um centro de treinamento se o que tem não nos agrada. Alguma recordação acerca disso? Sim, a Alemanha. Em 2014, na Copa no Brasil. O resultado final? Sabemos muito bem!

* Mestre em Educação nas Ciências - UNIJUÍ. Licenciando em Formação de Professores para Educação Profissional - UFSM. Docente de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico e Coordenador Geral de Ensino Substituto do Instituto Federal Farroupilha - Campus Avançado Uruguaiana



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