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Considerações acerca da delinquência juvenil

20/01/2017 - Por Jornal Semanal
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Taila A. H. Müller*

É constatado em experiência clínica o fato de que um número considerável de adolescentes é encaminhado para atendimento psicológico devido a atos considerados como sendo da ordem da infração. Podemos abordar esse fenômeno apontando para a privação materna ou paterna, principalmente pelo que a figura do genitor representa em termos de hierarquia, autoridade e disciplina.
Levando-se em conta o tema da delinquência, podemos nos remeter à teoria winnicotiana que aborda a privação emocional como causa da tendência antissocial, a delinquência.
A mãe, segundo Winnicott (2014), vai ser o primeiro 'organizador psíquico' da criança. Portanto, a mãe, a partir das relações emocionais significativas que se estabelecem entre ela e o filho, será um primeiro grande referencial para que ele desenvolva a capacidade de abstração, elaboração e planejamento. Se essa relação faltar à criança, ela torna-se angustiada e busca uma solução em um quadro de referência fora do lar. 
Isso nos leva a pensar o lugar que tem a função paterna na constituição psíquica da criança. Segundo Sena e Machado (2006), a função paterna também tem um importantíssimo papel durante o primeiro ano de vida da criança, não apenas como elemento que estabelece o corte da relação mãe-filho e impõe a lei, mas também como modelo de identificação e objeto de amor. 
Muitos destes adolescentes, na tentativa de se apropriarem desta relação que lhes falta, podem realizar pequenos furtos e muitas vezes deixar seus produtos à mostra em casa, à vista de todos. Isto também ilustrado pela teoria de Winnicott (2014), que vai dizer que 'o furto está no centro da tendência antissocial, associado à mentira. A criança que furta um objeto não está desejando o objeto roubado, mas a mãe, sobre quem ela tem direitos".
Sendo assim, isso vem esclarecer o fato de que adolescente considerado infrator acaba recorrendo, através de comportamentos antissociais, à sociedade, em busca de alguém que possa representar o pai, que seja forte e lhe apresente a lei. 
Todo ser humano aspira viver plenamente e criativamente sua vida, na posse plena do objeto, com segurança e autoconfiança, num ambiente estável e acolhedor. Essa é sua necessidade fundamental e a ela todas as suas condutas se vinculam, direta ou indiretamente.

Referências
Winnicott, D. W. (2014a). Privação e delinquência. São Paulo: Martins Fontes.
Sena e Machado (2006). ARTIGO: A Delinquência Juvenil e suas Relações com a Função Paterna 
DISPONÍVEL EM: http://revistas.unifacs.br/index.php/sepa/article/viewArticle/48
ACESSO EM: 07/06/2015
*Acadêmica do curso de Psicologia da Unijuí




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