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Vida nova - Podemos vencer

26/10/2012 - Por Yara Lampert
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Tales Cristiano Kehrvald passou por momentos difíceis, conheceu o mundo das drogas, foi até o fundo do poço... Fuga, sofrimento, preconceito. Mas, ele deu a volta por cima, e ao lado dele, uma família unida que nunca deixou de ter esperanças, e juntos, estão vencendo o vício. Nesta entrevista, Tales relata um pouco da sua história, e sobre a sua nova fase da vida, que é contada através de palestras.Um novo e belo projeto de vida.

Como você começou a se envolver com as drogas?
Comecei  aos 14 anos,  bebia pra ficar alcoolizado mesmo, até em coma fiquei; acreditava que com a bebida ficava mais comunicativo, mais extrovertido e queria chamar atenção, arrumava encrencas...Eu era muito novo, então tinha a cabeça muito fraca ainda.  Só para lembrar, o álcool é uma droga, a segunda que mais mata no mundo. E o álcool é a entrada para todas as outras drogas.

Quais as causas que mais induzem ao vício das drogas?
O maior, é o problema de família, de todas as formas que você possa imaginar; e tem outras de menor importância, mas que também temos que ficar atentos, como por exemplo, frequentar locais com fluxo de bebidas, de vendedores de drogas, algumas amizades, bebidas em casa, fim de expedientes, manipulação, querer conhecer. Não saber dizer 'não'.  Somente será possível superar o problema, quando você tiver uma família participativa e que queira te ajudar, quantas vezes forem necessárias.

Quando você decidiu procurar ajuda?
Eu já tinha me internado duas vezes em clínica, mas mais para dar um tempo; quando eu me internei pela terceira vez, foi a época que aclamei por ajuda, pedi por favor, me internam, que eu não aguento mais, vou morrer a qualquer hora; quem convivia comigo sabe do que estou falando.  A minha empresa também entendeu e me deu a oportunidade de fazer o tratamento, pois estava todo debilitado, perdi muito peso, batia carro, brigava, desrespeitava a família, fazia bobagens que nem posso dizer aqui...Consegui, através de um amigo,  uma vaga em uma fazenda terapêutica onde fiquei nove meses, trabalhando, orando e tendo muita disciplina. Resumindo a resposta: eu era um morto vivo.

Quanto tempo durou o tratamento?
Para dependência química em uma fazenda terapêutica foi de nove meses, com três saídas liberadas depois do sexto mês. Em clínicas, normalmente o período de internação é 29 dias. E tive outras três internações, por outros motivos, que falo nas minhas palestras.

Fale um pouco sobre esta nova fase de sua vida.
A minha ideia principal,  que quero passar às pessoas é o meu conhecimento sobre drogas, para que não passem pelo que eu passei. Vivi momentos terríveis, de puro sofrimento, e como a própria mídia diz, sofre o dependente e junto, toda a família. Acredito que amadureci muito tarde, e a ficha não caía mesmo com os atos que estava cometendo.

Você está com um projeto de palestras, como surgiu e como está organizado?
O projeto apareceu depois de estar sem emprego e ter voltado de Meia Praia onde estava morando. Precisava de remuneração, pois já estava mais de um ano sem renda e concluí que tinha uma escola de muitos anos na mão, e que é um vício que está crescendo significadamente em todo mundo, e cada vez mais pessoas estão morrendo por causa das drogas lícitas e ilícitas. Temos casos na região, que foi preciso fazer os velórios em salões por tantos óbitos que teve no mesmo acidente, porque o motorista que ocasionou o acidente estava alcoolizado. Estou me organizando, e além do conhecimento que tenho, estou buscando na literatura novos desafios todos os dias, para quando chegar nas palestras estar tranquilo e preparado. Estou preparando também alguns portfólios que entregarei em mãos dos responsáveis pelos estabelecimentos.

Qual é o objetivo maior das palestras?
Passar meu conhecimento e minha história de drogadição, para que as pessoas tenham em mente como a dependência não te leva a nada, a não ser ao inferno.

Qual foi o momento mais difícil no mundo das drogas?
O momento mais difícil, acredito que ainda estar por vir; como explicar para minha filha, o que o pai dela foi por muitos anos, não sei como será a reação dela. Momento mais difícil e delicado são todos os momentos, você está correndo riscos enormes como a própria vida, quando é um dependente.
Qual o público alvo e como pode
ser feito o contato?
O público alvo são universitários, empresas, pais, mães, pessoas no geral, associações, professores, indústrias, clubes de serviços etc. Só não vou trabalhar ainda com pessoas abaixo de 18 anos. O contato pode ser feito pelo fone 
55-8152-1190/55- 3535-1665 emailstaleskehrvld@hotmail.com, taleskehrvald@yahoo.com.br ou facebook - Tales Cristiano Kehrvald.

Jogo Rápido:
Nesta sua nova fase, como você se define?
Uma pessoa serena e com objetivos.
O que é essencial na sua vida daqui para frente?
Manter-me em sobriedade, e ajudar os dependentes e não dependentes mostrando que a drogadição só leva a pessoa ao inferno.
Qual é o seu maior sonho?
Conseguir alcançar todos meus objetivos que tracei, e morar na mesma cidade de minha filha, seja onde for.
Qual a mensagem final aos nossos leitores?
Que me apoiem nessa nova jornada para parar de ir a velórios nos finais de semana e que não tenho vergonha do que fiz no passado, nem tenho medo do preconceito e de me expor; apenas vivo o dia de hoje, porque amanhã ninguém sabe o que vai acontecer. Quero colocar aqui também que sempre tive uma educação exemplar dos meus pais e de meus familiares, todos eles, o problema era eu e não eles, e as pessoas que acreditam no meu trabalho ou em mim, são as pessoas que mais me dão força para nunca desistir. 
Dizer também que a palestra é cheia de surpresas, alguns momentos emocionantes, outros extrovertidos e em alguns mais tristes, com fotos e vídeos.




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