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Vida de Professor Estagiário!!!

29/06/2012 - Por Jornal Semanal
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Há alguns anos atrás comecei uma ferrenha batalha com os ditos estágios ou Intervenções Pedagógicas (soa até mais bonito escrever assim) que estão distribuídos na "grade" curricular do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia.
O que vou escrever aqui não é com intenção de apavorar nenhum futuro acadêmico ou muito menos reviver minhas nostalgias; é apenas uma rememoração dos momentos especiais e únicos. Estágios!!! Estágios!!!

Ao total foram cinco estágios, uma experiência diferente da outra. O primeiro ninguém esquece. Sinto náuseas e tremores só de relembrar. "No dia cinco de setembro de 2009 às 6h30min, o sol estava radiante, os pássaros cantavam alegremente sob o pé de pessegueiro, anunciando que aquele sábado seria um dia muito especial. Ansioso e ao mesmo tempo nervoso, nunca tinha tido nenhum contato com um grupo de idosos". Nossa! Esta foi tirada do baú (digo, do primeiro diário). Outra: "Pela primeira vez em minha vida tive medo de pensar na possibilidade de ficar velho, meu coração estava partido, minha alma estava espedaçada, minhas pálpebras estavam saltitantes porque as lágrimas estavam por cair!" Uau! Sentem a dramaticidade. Este foi um estágio social no Lar dos Idosos de Três de Maio. Obrigado Associação Três-maiense de Amigos dos Idosos pelo espaço e por me proporcionar muitas aprendizagens.

Antes de começar o estágio tive de enfrentar muitas situações constrangedoras, negociar saídas e chegadas ao trabalho para realizar as observações, o pior é ter que estagiar durante os últimos quatro períodos de férias. Dispensa comentários. Se não bastasse, ainda tinha a questão do tempo, estudar sábado e domingo o dia todo. Trabalhos extracurriculares, leituras, procurar atividades, construir o planejamento. O que? PLANEJAMENTO! Este é o "calcanhar de Aquiles" dos acadêmicos da Pedagogia, basta falar em planejamento e começa as ladainhas, metade estará apta a cair em depressão... E esta tal de "TPM" leva o resto da culpa. Até Shakespeare iria gostar destes dramas.

O primeiro estágio em sala de aula foi terrível. Nunca havia me sentido tão mal, uma semana anterior já estava sofrendo de insônia, o sábado e domingo que precedeu o estágio foi nebuloso, frio, sem cor e sem sabor. Consegui dormir aproximadamente quatro horas em suaves prestações. Eu e o tic-tac do relógio; poderia escutar até as pulgas do cachorro do vizinho se movendo, tamanha tensão.

Pense então na caminhada até a escola, a recepção... Eu, a professora titular e vinte seres em posições semi-mumificadas na minha frente esperando ao meu sinal... "Teremos aula com um professor!", exclamavam as crianças (são poucos os homens que se aventuram na Educação Infantil e Séries Iniciais, raridades!).

E assim os dias vão passando, cada dia uma aventura, são conflitos e chororô pra resolver. Chuvas em dias errados. Dinheiro para xerox e compra de materiais é extraído até do "porquinho" das economias.
Mas o lado bom são os abraços e beijões que você recebe todo dia, sem comentários... Muito emocionante. Certo dia recebi um pequeno buquê de flores de uma criança, era um dia de chuva, a criança estava toda molhada, com um belo sorriso no rosto... Minha nossa, que sensação indescritível, para mim um momento gratificante e único.

O segundo e terceiro estágio em sala de aula não perderam a dramaticidade do anterior, apenas muda-se a faixa etária. Foi duro ter que trabalhar em paralelo, dar aula de manhã, trabalhar das quinze horas até meia-noite, dormir cinco horas, levantar, tomar banho e café... Correria, sono, canseira, músculos doendo e o relógio é teu inimigo. Bailes, festas, oktoberfest e churrascos com amigos são banquetes; até consegui dar algumas escapadinhas, mas só foi o corpo, por que a mente ficou no PLANEJAMENTO. Até a libido (desejo sexual) diminui; é tenso mesmo. Já ia esquecendo dos artigos pós-estágio, reflexões, análises e a bendita "Banca"... Mais um terror para enfrentar, os professores avaliadores são que nem "cabeça de juiz", você nunca sabe pra que lado penderá (hehehe).

O quarto e derradeiro estágio em sala de aula é tranquilo, tudo de bom, você se liberta, é o último! Viva! Você até se arrisca sair pra "bebemorar" (socialmente é claro, no máximo uma garrafa de cerveja ou vinho). Dialogar com o chefe é hiper-normal, por que ele já sabe o que tu vai pedir pra ele (folgas).

As aulas são uma aventura, tudo da certo, maravilha. Então, ganhar muitas bergamotas, bombons e cartas fazem parte da rotina. Tudo é motivo pra um sorrisão. Amigo leitor, estas aventuras são inesquecíveis, o mais importante é que jamais levei meus problemas pessoais pra sala de aula ou demonstrei insegurança/medo, sala de aula foi a melhor parte, um espetáculo, a parte vivida, profissionalismo é um valor pessoal e poucos têm.

Permitam-se viver os momentos, os fatores extras sala de aula servem para lapidar e valorizar o trabalho. Gosto de uma frase do grande poeta latino Eduardo Galeano: "Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos". Viva!! Agora é viver o tal de TCC!!!


João Ricardo P. Froes
Licenciando em Pedagogia/Setrem/7°Semestre/2012



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