Terça-feira, 21 de agosto de 2018
Ano XXX - Edição 1521
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

'É preciso parar de olhar em como se ensina e prestar atenção em como se aprende'

20/04/2018 - Por Jornal Semanal
Tweet Compartilhar
Afirmação é da mestre em Linguística Aplicada, Luciana de Souza Brentano, durante palestra para pais e professores na Setrem

Hoje, as crianças que já nasceram no mundo digital, conhecidas como "nativos digitais", pensam de maneira diferente. Não fique surpreso caso seus filhos saibam mexer em um smartphone nas primeiras horas de uso. Esta é a nova realidade. Foi com este exemplo que a mestre em Linguística Aplicada Luciana de Souza Brentano iniciou sua palestra sobre "Educação Bilíngue e Cognição" na noite de quarta-feira, 18 de abril, para pais e professores, no Auditório da Setrem.

'Não é só a genética que define o que a criança será no futuro. É a genética mais as vivências, o meio...', diz Luciana
Conforme Luciana, é preciso entender que essa diferença de pensar se reflete no aprendizado. "Estamos com um problema de compatibilidade e isso exige mudança de paradigmas. É preciso parar de olhar em como se ensina e prestar atenção em como se aprende", destacou. Além disso, no passado acreditava-se que o desenvolvimento do cérebro era relacionado apenas com a genética. Porém, esse desenvolvimento depende da relação entre genética e interação. "Não é só a genética que define o que a criança será no futuro. É a genética mais as vivências, o meio, a forma como a criança se relaciona, os contatos que ela tem, entre outras".
Existem também períodos sensíveis para o aprendizado. Os primeiros anos de vida são muito importantes, segundo Luciana, "pois existe a chamada plasticidade cerebral e isso depende das relações com as experiências de vida. O que acontece dentro do cérebro é primordial e decisivo para a construção do conhecimento. Aprender é fazer conexões". A partir desse mecanismo interno de aprendizagem, estudos mostram que o bilinguismo acelera o processo de aprendizado. "O fato de precisar utilizar duas línguas, trocar línguas para a fala, pensar em ambas, gera um exercício mental que desenvolve de forma mais acelerada as funções executivas", esclarece Luciana.

Educação bilíngue
A educação bilíngue é uma tendência e deve se consolidar nas escolas nos próximos anos. "Segundo a professora Ph.D. Ofelia García, esta é a melhor forma de educar no século 21, pois as crianças podem ter contato com as duas línguas, transitar pelo mundo, conversar com pessoas de outras culturas e, ao mesmo tempo, desenvolver-se cognitivamente", comenta Luciana. Com experiência em implantação de currículos bilíngue em escolas de todo o Brasil, a profissional acrescenta que uma criança que aprende em duas línguas desenvolve uma série de funções executivas importantes para o aprendizado da aritmética e da linguagem, por exemplo. "São habilidades que vão se desenvolvendo ao longo da vida da criança até a adolescência", completa.
Este ano, a Setrem iniciou a implantação de práticas bilíngues na Educação Infantil para turmas do Pré 1 (estudantes de 4 anos), Pré 2 (5 anos) e turmas do 1º ano e 2º ano do Ensino Fundamental. "As práticas acontecem de duas a três horas semanais, trazendo os planejamentos das séries através de projetos, trazidos pelas 'escutas' das crianças", explica a vice-diretora da Educação Infantil, Dagma Heinkel.
Para a vice-diretora do Ensino Fundamental e Médio, Marilei Assini, a palestra foi uma oportunidade de conversar sobre a importância de um olhar mais aprofundado para o ensino bilíngue, suas práticas e tendências, que se tornam urgentes para uma educação de qualidade que promova o desenvolvimento de competências para o século 21. "É também responsabilidade de toda equipe pedagógica a realização de um trabalho comprometido com aprendizagens significativas para os estudantes, embasado em pesquisas de educação bilíngue que estão acontecendo no mundo", afirmou.

No registro: A mestre em Linguística Aplicada e professora Luciana de Souza Brentano falou sobre a Educação Bilíngue que foi implantada neste ano na Educação Infantil, turmas do Pré 1 e Pré 2;  e 1º ano e 2º ano do Ensino Fundamental  da Setrem

FOTO: PAULO DANIEL/SETREM/DIVULGAÇÃO



Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

17/08/2018   |
06/07/2018   |
11/05/2018   |
23/02/2018   |
29/09/2017   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS