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CTG Tropeiros do Buricá faz bonito na final do Enart

23/11/2012 - Por Jornal Semanal
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O Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (Enart) acontece todos os anos, reunindo tradicionalistas dos quatro cantos do Rio Grande do Sul, numa promoção do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). Este ano, em sua 27ª edição, reuniu um recorde de público, com 78 mil visitantes, entre os dias 16 e 18 de novembro.
Há 16 anos a fase final do evento é realizada em Santa Cruz do Sul.  Foram cerca de 4 mil competidores, distribuídos em 24 modalidades, e cerca de nove mil pessoas acampadas nos 14 hectares do Parque da Oktoberfest. 
Na categoria mais disputada e prestigiada pelo público, a Danças Tradicionais Força A, o CTG Rancho da Saudade, de Cachoeirinha, foi eleito o vencedor.
O CTG Tropeiros do Buricá de Três de Maio, da 20ª Região Tradicionalista foi representado nas modalidades Gaita Piano por Maurício Woichekoski; Bandoneon por Christiane Kleyn; Trova Mi Maior, Trova de Martelo e Trova Estilo Gildo de Freitas por Jorge Pieniz; Declamação Masculina por Valdir da Costa Mendonça; e Causo por Adilo da Silva Pinto. 
Além dos concorrentes, o CTG três-maiense mobilizou integrantes  e a patronagem para participar do evento. Uma comitiva se deslocou até Santa Cruz, montou acampamento durante o Enart e torceu muito para os representantes do município.
Jorge Luis Pieniz, na trova, e Christiane Kleyn, no bandoneoan se destacaram em suas apresentações. Ele conquistou o troféu de "Trova mais Popular" e ela, o primeiro lugar no bandoneon.


Patrão do CTG Tropeiros do Buricá, Leandro Schmitt,  Presidente do MTG, Erival Bertolini,
e trovador Jorge Luis Pieniz que recebeu neste ano a Comenda João de Barro


O bicampeonato na trova mais popular
Jorge Luis Pieniz, 52 anos, é agricultor de Nossa Senhora Auxiliadora, interior de Três de Maio. Há 40 anos se dedica ao tradicionalismo, em especial a trova. 
Neste Enart, ele conquistou o público composto por mais de mil pessoas e ganhou o troféu de Trova Mais Popular. Dos 37 concorrentes, ficaram dez. Entre estes, Pieniz se superou e conquistou pelo segundo ano consecutivo a  modalidade de Trova Mais Popular.
A trova é dita em versos, mas que ocorrem de improviso. "Os jurados sorteiam as duplas e/ou os temas, dos mais variados assuntos. Quando subo no palco, nem sei sobre o que vou trovar. É tudo na hora. Não tem história pronta. São oito versos em cada trova. Não tem tempo para ensaiar, nada. Em questão de 30 segundos tenho que começar a trovar".
O agricultor se orgulha de ter esse dom. "Acho mais fácil chegar lá e trovar do que escrever no papel. Gosto muito de ler, o que facilita as rimas, pois conheço novas palavras para meu vocabulário. O mais difícil na trova é que existem palavras que são únicas, que quase não tem rima. Dependendo da trova, tenho que fazer três ou quatro rimas com a mesma palavra". 
Desde criança ele brincava na escola de trovar e contar histórias. Mas foi em 1994 que começou a trovar em eventos oficiais. "Já ganhei mais de 70 troféus. Dos quais eu participei, 90% conquistei o primeiro ou segundo lugar. Na primeira participação do Enart em 2005, ganhei dois terceiros lugares. Já ganhei oito troféus no Enart, destes, três primeiros lugares. Este ano conquistei o bicampeonato de mais popular. Fiquei muito contente".
O trovador tem três filhos rapazes, que lhe acompanham no tradicionalismo desde pequenos. Mas que não trovam profissionalmente. "Eles são metidos na trova, mas não têm tempo, trabalham, estudam". 
Pieniz pretende continuar trovando, enquanto puder. "Tenho lavoura e gado de corte. São em torno de 100 animais. Também sou proprietário do Piquete São Jorge. Gosto muito da lida campeira. Me sinto realizado".
Este ano, o trovador teve a honra de ser condecorado com a Comenda João de Barro, pelos relevantes serviços prestados aos tradicionalismo. Ele foi o único representante condecorado na 20ª Região Tradicionalista. 

Retorno triunfante
Depois de dez anos da última participação em Enart, a três-maiense Christiane Kleyn, 28 anos, voltou a brilhar no festival. Única representante feminina na modalidade de bandoneon, ela conquistou o primeiro lugar entre os concorrentes. Superou bandoneonistas conhecidos e tradicionais, com mais idade e experiência. Alguns que inclusive já gravaram CDs.
A história da jovem com o instrumento (que na aparência é semelhante a gaita, mas que exige mais habilidade pelo grau de dificuldade), começou na infância, aos nove anos. Ela foi em uma aula de bandoneon com o irmão Leandro, que havia ganho o instrumento do pai . "Fui junto na aula de curiosa. Ouvi o som do instrumento, fiquei encantada. Eu já fazia aula de piano e aprendi a tocar bandoneon apenas observando. Meu irmão acabou desistindo  e eu comecei a fazer as aulas no lugar dele". 
As aulas eram ministradas no Colégio Ipiranga, de Três Passos, pelo professor Mano Monteiro. Foram três anos de curso. "Dos mais de 50 alunos, eu era a única menina".
Depois do curso em Três Passos, ela continuou fazendo aulas particulares com o mesmo professor, que vinha até Três de Maio para ensiná-la. "Quando acabaram as aulas permaneci tocando o instrumento, na companhia do amigo Sérgio Werner, também bandoneonista, e do filho dele, Marlon, que nos acompanhava no violão". 
Christiane participou de várias apresentações, de encontro de amigos e outros eventos. A primeira participação do Enart foi aos 14 anos, no ano de 1998. A última havia sido em 2002. Em sua trajetória, havia conquistado terceiros, segundos e dois primeiros lugares. Este ano, conquistou mais um primeiro lugar. 
Para ela, o fato de depois de tanto tempo voltar ao festival e tornar-se campeã é uma superação. "Continuava tocando bandoneon em casa. Não com tanta frequência, pois me dedico aos cuidados da casa e da lavoura. Sou casada, tenho duas filhas. A convite do CTG Tropeiros do Buricá voltei a participar de um Enart. Era uma oportunidade e um desafio para mostrar que eu conseguia. Fiquei muito feliz".
A bandoneonista tocou um Xote Itacarueri e surpreendeu os jurados. "Todos me deram os parabéns, fui muito bem no palco. Conforme passa o tempo, eu percebo que a participação do bandoneon está diminuindo no Enart. Quis participar para incentivar os que ainda tocam o instrumento.". 
Se as filhas tiverem interesse em aprender, Christiane quer passar a tradição para as meninas. "Sempre tive o mesmo bandoneon. Ele era do meu avô, que presenteou meu pai e este deu ao meu irmão. O instrumento está há quase 60 anos na família. Aonde eu vou, levo ele junto. Ficarei muito orgulhosa de ver minhas filhas tocando no futuro". 
Para a jovem, o apoio da família sempre foi fundamental. "Sempre tive o incentivo dos meus pais Rainoldo e Sonara. Meu esposo Mauro também me apóia. Sem eles, eu não iria a lugar nenhum". 


Depois de 10 anos, Christiane volta a se 
apresentar no Enart e conquista o primeiro lugar

3º Rodeio Crioulo do Piquete São Jorge
Inicia hoje e vai até domingo, o 3º Rodeio Crioulo na pista de rodeios do Piquete São Jorge, em Nossa Senhora Auxiliadora, interior de Três de Maio. 
Serão disputadas todas as provas campeiras, exceto a gineteada. Haverá premiação em dinheiro e troféus.

CTG Tropeiros do Buricá participa de rodeio em Três Passos
Neste final de semana, na cidade de Três Passos, o CTG Tropeiros do Buricá estará participando de um rodeio crioulo da 20ª Região Tradicionalista.
A invernada mirim concorre na modalidade de dança, e o CTG também tem representantes nas modalidades de declamação e vocal.
Fotos: ARQUIVO PESSOAL



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