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Troca de figurinhas do álbum da Copa do Mundo vira mania entre crianças e até adultos

01/06/2018 - Por Jornal Semanal
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Em Três de Maio, procura pelo álbum e pelas figurinhas é grande. E, ao mesmo tempo, brincadeira une pais e filhos, bem como, oportuniza a interação social

Aos sábados de manhã, uma movimentação de crianças, e até adultos, toma conta do ambiente da Casa Café, em Três de Maio. Das 10h ao meio-dia, o espaço está de portas abertas para receber crianças - algumas acompanhadas de seus pais -, para trocar figurinhas do álbum da Copa do Mundo da Rússia 2018. Lançado em março, desde então, tornou-se uma "febre nacional", e, não importa a idade.

A proprietária da cafeteria, Grazziela Saciloto Tomasi conta que devido a procura pelos álbuns e pelas figurinhas, sentiu a necessidade de promover um espaço onde pudesse haver essa interação entre crianças e pais. "É interessante, e por um bom motivo, que é o de colecionar as figurinhas e montar o álbum. Acho importante porque além da troca entre amigos, as crianças também estão interagindo com os pais, ou seja, é um tempo a mais que os pais podem ficar com seus filhos. E para as mães que estão fazendo outras atividades, também podem trazer e deixar seus filhos aqui, pois é um ambiente bom, seguro e a atividade é saudável", afirma. 
Para a empresária, já que a ideia deu muito certo; ela vai se estender até a Copa. E além da troca, Grazziela revela que aproveita o momento para mostrar - e comercializar - seus lanches e bebidas.
De forma quase cíclica, a febre dos álbuns da Copa do Mundo ressurge a cada quatro anos. Em 2018, às vésperas do Mundial da Rússia, que ocorrerá entre 14 de junho e 15 de julho, pais e filhos unem-se com um mesmo objetivo - conquistar todos os cromos. A brincadeira é saudável e também traz alguns benefícios, como o desafio com meta definida (completar o álbum), estimula a interação social, oportuniza uma maior interação entre pais e filhos, além de construir uma ponte que liga adultos ao passado.
Grazziela Saciloto Tomasi  diz que a proposta da troca de figurinhas foi bem aceita pelos colecionadores

Pai e filho, cada um tem o seu álbum. 
'Me faz lembrar a minha infância', 
diz Márcio Helfenstein, 40 anos
A participação dos adultos na troca de figurinhas tem algo de nostálgico, a um querer recordar o passado. Isso porque, colecionar figurinhas era um hábito também adotado quando eles eram crianças. 
Um exemplo é o de Márcio Helfenstein, 40 anos. Desde a Copa do Mundo de 2014 ele coleciona; e este ano, tem seu próprio álbum e ajuda o filho Arthur, 6 anos, a colar as figurinhas do álbum dele. "Me faz lembrar a minha infância. E, também é uma oportunidade de fazer uma atividade com meus filhos", revela. 
No sábado de manhã, ele, o filho e a filha Larissa, 9 anos, foram até a Casa Café com o "compromisso" de trocar os cromos.  Arthur - que coleciona o álbum pela primeira -, precisava de apenas 19 figurinhas, até aquele sábado, 19 de maio. 
"Agora, na reta final, é mais difícil encontrar figuras novas, por isso, vale mais a pena a troca. Da última vez comprei R$ 50 em figurinhas e aproveitei umas cinco somente", lamenta. 
Com a expectativa de completar os dois álbuns, pai e filho anotam num papel os números das figuras que ainda não têm, para ver se conseguem trocar com os amigos que também participam da brincadeira. 

Para o pai Márcio Helfenstein, 40 anos, a troca de figurinhas é uma oportunidade 
de fazer uma atividade com os filhos Arthur, 6 anos, e Larissa, 9 anos

'Gosto de futebol e quero conhecer novos jogadores, de todas as 
seleções', afirma Mateus Schuh, de 8 anos
Na última Copa do Mundo, realizada no Brasil, Mateus Eduardo Kunz Schuh, tinha apenas quatro anos e não "havia despertado" o interesse em colecionar o álbum. Mas, este ano, a situação é diferente. Aos 8 anos, o menino fala com entusiasmo por estar colecionando o primeiro álbum e a paixão pelo esporte. "Gosto de futebol e quero conhecer novos jogadores, de todas as seleções", destaca. 
Estudante do terceiro ano, Mateus tem a companhia do pai para montar o álbum. É ele, Márcio Gilberto Schuh, 39 anos, que compra as figurinhas e incentiva o filho a colecionar. 
Agora, ainda faltam umas cem figurinhas. "Mas, as mais importantes eu tenho: Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar. E também tenho a do Pelé, que é uma das maiores lendas do futebol do Brasil e do mundo", elogia o garoto. 


Márcio Gilberto Schuh, 39 anos, 
participa da brincadeira com o filho Mateus Eduardo Kunz Schuh, 8 anos

'Minha esposa brinca que é uma desculpa para eu colecionar figurinhas', revela Jocemar 
Mesmo faltando ainda cerca de 200 figurinhas para completar o álbum, pai e filho não desanimam e investem na troca dos cromos. Jocemar Ribeiro de Lima, 27 anos, pai de Joaquim, 4 anos, interage na brincadeira e no "momento pai e filho". 
Ele revela que a esposa brinca e questiona se é uma desculpa para ele colecionar figurinhas e preencher o álbum. Mas Jocemar garante que o filho, embora ainda pequeno, sempre pergunta se tem figura nova, ajuda a abrir os pacotes e a colar os cromos. 
O pai conta que existe até um aplicativo para acompanhar quantas figurinhas faltam. "Eu baixei no celular o gerenciador de figurinhas. Depois que eu colo no álbum, clico no aplicativo e ele já mostra quantas faltam. Isso é bom para caso eu não ter o álbum junto, eu posso saber quais faltam. Facilita muito", alega.
Para ele, a participação do filho Joaquim é importante, pois o menino pode conhecer os melhores jogadores de todo o mundo, as seleções, os países, e muitas outras informações sobre o mundo do futebol.

Jocemar Ribeiro de Lima, 27 anos, e o filho Joaquim, 4 anos

'Eu e meu amigo apostamos uma Coca 600ml para quem completar o álbum primeiro', diverte-se Felipe , 11 anos
Se você tem alguma dúvida sobre jogadores, seleções ou qualquer outra coisa relacionada ao álbum da Copa do Mundo da Rússia ou futebol, é só pedir para Felipe Ricardo Geist Dalben, 11 anos, estudante do 5º ano.
Em poucos minutos de conversa, Felipe deu uma demonstração sobre tudo o que está aprendendo ao colecionar o álbum. Nomes de jogadores, as maiores seleções, as lendas do futebol, e orgulhoso conta que já completou a seleção do Brasil e tem as figurinhas dos principais jogadores. "No futebol, meus ídolos são Marcelo Grohe, goleiro do Grêmio e o CR7 - Cristiano Ronaldo, do Real Madrid", conta.
O garoto conta que sua motivação para colecionar o álbum veio de um colega de escola, que já colecionava desde a Copa passada. "Comprei o álbum em março e fiz uma aposta com um amigo: quem completar o álbum primeiro, ganha uma Coca 600 ml", diverte-se. 
E Felipe está tendo mais sorte que seu colega. "Provavelmente vou ganhar a aposta. Pro meu colega faltam umas 80 figurinhas; pra mim só 9 (até sábado, dia 19)", diz.
Para conseguir atingir sua meta, ele pretende trocar as que faltam. "Dentro do pacote vem 5. Quanto falta umas 50 figurinhas não vale a pena mais comprar, vem muitas repetidas. Vale a pena trocar ou comprar pela internet", informa. 
Ele explica que tem muitas figuras para trocar e por isso, depois que completar o álbum, vai começar a vendê-las. "Mesmo que eu completar, vou continuar vindo trocar porque tenho bastante pra vender. As brilhantes e as lendas do futebol valem duas na troca", explica.
Felipe Ricardo Geist Dalben, 11 anos,  estava com o álbum quase completo, até o sábado, dia 19 de maio

'Interessante é que não existe distinção entre classes na hora de colecionar o álbum', declara proprietário da Banca Central
Na Banca Central, de Paulo Zingler, a procura pelo álbum e pelas figurinhas é bem considerável, mesmo sendo a Copa em um país tão distante como a Rússia. Ao contrário do que foi com o Brasil, em 2014, que tanto o álbum como as figurinhas, não tiveram muita saída. 
Paulo informa que toda semana, na sexta-feira, chega uma nova remessa na banca. Em média, ele compra em torno de 1.200 pacotes (por semana), e todos eles são vendidos. 'O movimento é muito grande, de crianças e adultos".
Para ele, outro fator interessante que se pode observar, é que pessoas de todos os níveis compram as figurinhas. "Não existe distinção de classes na hora de colecionar o álbum. Recebo clientes de todas as classes aqui, e é bonito ver essa interação; ou seja, neste momento, todos passam a ser iguais", analisa o proprietário da banca.

Na Banca Central, do Paulo Zingler, a cada semana, são vendidos em torno de 1.200 pacotes

Quanto custa completar o álbum da 
Copa do Mundo da Rússia?
São 682 figurinhas dos jogadores das 32 seleções da Copa. Cada equipe tem cromos de 18 atletas, do emblema da confederação de futebol do país e de uma foto posada do time. O preço do álbum normal é R$ 7,90; já o de capa dura 
é R$ 25,90. O pacote com cinco custa R$ 2. 
Se uma pessoa tiver a sorte 'impossível' de não encontrar repetida, vai gastar R$ 274 para completar o livro. Mas sem trocar cromos, o colecionador desembolsa quase R$ 2 mil. Quem entra na brincadeira de trocar, gasta cerca de R$ 500 para completar; e ainda acaba interagindo com os amigos. 

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'O ato de colecionar remete ao valor simbólico, algo que, nos dias de hoje, está cada vez mais raro e, sempre que possível, é interessante 
deixar que crianças e adolescentes vivam 
esta experiência', diz neuropsicopedagoga Flaviana C. Fellini Neuhaus

Para a neuropsicopedagoga e orientadora educacional Flaviana C. Fellini Neuhaus, os colecionadores devem ter em mente, que para completar o álbum, as figurinhas repetidas aparecerão no meio do caminho, por isso, "a solução para economizar é trocar as unidades repetidas com os amigos".
"De fato, especialistas na área da educação reconhecem que colecionar objetos estimula muitas habilidades cognitivas e emocionais: atenção, a interação, o diálogo. E, sobretudo, trabalha-se o processo: o começo, o meio e o fim, que tem obstáculos que geram frustrações que precisam ser ultrapassadas. Alguns participam, aprendem e se divertem deixando os eletrônicos em segundo plano, em especial, pais, familiares, meninos, meninas e, inclusive aqueles que não gostam de jogar futebol, mas que gostam da prática de colecionar", avalia Flaviana.
Ainda, segundo ela, outros entendem ser mais uma brincadeira lucrativa, onde em ano de Copa do Mundo torna-se febre de consumismo e dinheiro gasto - que inclusive causa pequenos transtornos práticos nas aulas, que são interrompidas pelo assunto. "Muitas crianças ganham mesada e são incentivados a administrar os valores para poderem comprar suas figurinhas".
Bom senso e 'estabelecer algumas regras'
Observando esta mania entre as crianças, adolescentes e adultos, é preciso bom senso, inclusive econômico, orienta Flaviana. "O ato de colecionar remete ao valor simbólico, algo que, nos dias de hoje, está cada vez mais raro e, sempre que possível é interessante deixar que crianças e adolescentes vivam esta experiência, mas é preciso estabelecer algumas regras, além de contar com um orçamento extra, pré-definido em conjunto com a família".
A neuropsicopedagoga alega que, de um lado, colecionar figurinhas da Copa torna o simples ato de colecionar em um jogo que faz parte de um acontecimento épico. "Ele é a sua primeira conexão com o fenômeno global que uma Copa representa". "Além do valor simbólico, colecionar figurinhas rompe fronteiras, barreiras e, é capaz de criar verdadeiras comunidades - agora também nas redes sociais", observa. 
Ela ressalta que o ato de colecionar pode ser um ótimo exercício de responsabilidade e organização para as crianças. "Em relação as figurinhas, surgem novas amizades, socialização com as trocas, alegria de abrir cada envelope, noção de economia, resolução de problemas, de troca e negociação, organização e planejamento". 
Contudo, ela alerta para as responsabilidades da brincadeira e, por isso, deve haver a mediação do adulto.
Aprendendo com as frustrações
Na avaliação da neuropsicopedagoga, "a nossa missão é atuar para que nossas crianças e jovens construam boas memórias e as frustrações fazem parte desta construção". "Esta brincadeira desperta frustrações que precisam ser ultrapassadas para que a coleção chegue ao seu propósito. É preciso lembrar que, ao deixar que se frustrem algumas vezes, sempre com afeto e apoio, eles serão adultos mais compreensivos", completa. 
A orientação para os pais quando for a criança que está colecionando as figurinhas, que "é preciso deixar ela descobrir por ela mesma como completar o álbum". "Para elas, os jogadores são como super-heróis, são a conexão entre o mundo fantasioso e a realidade concreta na qual as crianças estão se inserindo. O álbum é um meio de diálogo e de socialização", finaliza a especialista.


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Novidades do álbum desta Copa

A publicação de 2018 apresenta algumas mudanças em relação à última, de 2014. São 18 jogadores por time, um a mais que o álbum anterior. Também foram acrescentadas páginas especiais com cartazes das cidades-sede e figurinhas de jogadores e seleções históricas da Copa do Mundo. Entre as seleções, a Inglaterra chamará a atenção dos colecionadores, Nas últimas edições, por não ter a licença da federação, a Panini improvisava a bandeira do país na figurinha brilhante e camisas brancas nos jogadores, mas agora, com a licença obtida pela editora, tanto o escudo da FA (Football Association) quanto o uniforme da seleção aparecem nas imagens.

Na seleção brasileira, os 18 nomes foram definidos a partir de pesquisas e consultas a jornalistas esportivos. São eles: Alisson, Marquinhos, Miranda, Thiago Silva, Marcelo, Daniel Alves, Filipe Luis, Casemiro, Fernandinho, Paulinho, Renato Augusto, Giuliano, Willian, Philippe Coutinho, Douglas Costa, Neymar, Firmino e Gabriel Jesus. 

Contudo, a Panini - editora responsável pelo álbum -, informou no último dia 16 de maio, que um novo kit com figurinhas atualizadas será lançado em junho; visto que há poucos dias ocorreu a divulgação da lista de jogadores convocados para a seleção brasileira na Copa da Rússia. Porém, não foram informadas quantas figurinhas estarão inclusas no novo kit. 



FOTOS: ALINE GEHM





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