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Biblioteca Municipal: em busca de mais leitores

15/06/2018 - Por Jornal Semanal
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Com acervo de 20 mil livros - alguns deles muito antigos -, biblioteca necessita de novos exemplares e revitalização do espaço
Novas formas de comunicação e o acesso mais facilitado à informação. Essa é a realidade em um mundo cada vez mais digital. 
Atualmente para ler um livro, jornal ou revista, basta um toque na tela de  um smartphone. Até pouco tempo, essa cena não era imaginável. Para ler um livro, era preciso recorrer às bibliotecas públicas e de escolas, livrarias e bancas de jornais e revistas, que eram as únicas fontes de busca e acesso à informação. 
Neste sentido, frente aos novos padrões da sociedade, as bibliotecas municipais buscam não perder seu espaço e identidade. Isso porque, mesmo com as novas tecnologias, as bibliotecas possuem importante missão social, pois reduzem a desigualdade social no acesso à informação, promovem a cidadania e a inclusão social. 
Em Três de Maio, a Biblioteca Municipal Edson Franco de Azambuja foi criada pela lei municipal 028/1967, de 29 de dezembro de 1967. 
Localizada  na área central da cidade, ela está situada no mesmo prédio do Museu Municipal Professora Stela Maris Silveira Reinehr. Ambos os espaços estão com horários de funcionamento alterados, desde o mês de abril, para que a equipe da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esporte efetue o balanço patrimonial, avaliação da estrutura e necessidade de reparos, bem como manejo de pessoal e aquisição de materiais e equipamentos.
De acordo com o coordenador de Cultura, Gregory Bonfanti, a ação no museu é necessária devido à situação em que os acervos e as estruturas encontram-se atualmente.
No momento, a biblioteca conta com o atendimento apenas da bibliotecária Rosimere Marx, servidora municipal concursada, que atua no local desde o ano de 2011. 
Sua formação e seu trabalho no local a tornam qualificada para avaliar a trajetória da biblioteca nos últimos anos. "Temos muitos leitores ainda, mas precisamos de novidades. Os leitores procuram obras novas e precisamos de alguma forma, melhorar essa questão, para atrair mais o público", avalia.
Com acervo de aproximadamente 20 mil obras, existem planos de investimentos, por parte da Coordenadoria de Cultura, para que novos exemplares possam ser adquiridos. 
Contudo, segundo Bonfanti, a maior dificuldade da biblioteca municipal é financeira, pois não há um orçamento específico para investimentos. "Estamos com projetos para revitalizar, a biblioteca (e o museu), o prédio como um todo; e trazer novos títulos para o acervo, bem como desenvolver outras atividades neste espaço, como a contação de histórias para os estudantes e reativar o Telecentro Cidadão", afirma o coordenador de Cultura.  

Em média, 300 retiradas de livros por mês 
Segundo Rosimere, não há um perfil único dos frequentadores da biblioteca municipal. "São pessoas de todas as idades que têm o hábito e prazer em ler. Mas são realmente as pessoas que gostam de ler e vem com essa cultura de 'ler por prazer'".
Isso se deve, conforme a bibliotecária, pelo fato da maior parte do acervo de 20 mil livros ser de literatura. 'Temos algumas obras para pesquisa, mas são quase obsoletas", ressalta.
Com o perfil de usuários que gostam de livros de literatura, as últimas compras de livros foram direcionadas para livros de escritores da atualidade, "mais modernos", que são os mais retirados durante o ano. Estão na lista dos livros mais retirados "aqueles da moda" e os best-sellers, dos escritores Nicholas Sparks, Sidney Sheldon, Danielle Steel, Dan Brown, e literatura espírita e infanto-juvenil.  
Em 2017, ocorreram quatro mil retiradas de livros, o que representa, em média, pouco mais de 300 livros por mês. 
Para a bibliotecária, não é considerado um número bom, em virtude do tamanho do acervo. "Nosso espaço poderia ser muito mais utilizado e mais obras serem retiradas", compara.
Rosimere enfatiza ainda que a biblioteca municipal tem um serviço diferenciado e está de portas abertas para receber a comunidade, porém, é preciso um investimento em novas obras, especialmente as obras infanto-juvenis, as quais têm figuras, imagens. "Ainda tem muitos  adolescentes e jovens que preferem o livro de papel", observa.

'Se é lixo em casa, aqui também não tem utilidade'    
Hoje, com investimento reduzido, a biblioteca sobrevive praticamente de doações. "Muitas vezes, as pessoas não querem os livros em casa e trazem para cá. E se é lixo em casa, aqui também não tem utilidade. Recebemos muitas obras boas, mas também têm outras que não tem utilidade e são descartadas".

História que deve ser preservada
O coordenador de Cultura revela que trata do assunto - museu e biblioteca -, como prioridade. "Estamos trabalhando 'pesado' em projetos, tanto para eventos no município quanto para revitalizar a biblioteca e o museu. Porque são espaços que contam e fazem parte da história do município e devem ser preservados", conclui. 
Na avaliação de Gregory, as novas tecnologias também acabam diminuindo a necessidade das pessoas irem até a biblioteca. "Hoje é muito fácil, tem biblioteca no Google Play, Biblioteca da Apple, Amazon (pode comprar a versão digital do livro - o E-book, que tem no celular, no tablet). Mas ainda existem pessoas que preferem o papel, principalmente as gerações passadas", observa.

Como se cadastrar
Quem ainda não tem cadastro para empréstimo de livros na biblioteca municipal deve realizá-lo diretamente no local, apresentando um documento com foto e comprovante de residência. 
Cada pessoa tem direito de retirar três livros por vez. O empréstimo é por 15 dias e pode ser renovado por igual período, caso não haja procura. 

Brasileiro lê apenas 4,96 livros por ano 
O índice de leitura no País indica que o brasileiro lê apenas 4,96 livros por ano - desses, 0,94 são indicados pela escola e 2,88 lidos por vontade própria. 
Do total de livros lidos, 2,43 foram terminados e 2,53 lidos em partes. 
Os dados são de 2015, da última edição da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Ibope por encomenda do Instituto Pró-Livro, entidade mantida pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros). 

Após nove anos em funcionamento, Telecentro Cidadão foi desativado
Inaugurado em 2008, o Telecentro Cidadão que funcionava no espaço da biblioteca, foi desativado em novembro do ano passado.
Rosimere explica que as aulas de informática no Telecentro, por meio da parceria entre Prefeitura e Setrem, não ocorrem mais, pois os computadores utilizados (da época de 2008) não comportavam mais as novas tecnologias e sistemas. "Eram dez computadores e sempre algum deles necessitava de manutenção. Às vezes, funcionava um ou dois", justifica.
Desde então, o movimento na biblioteca também diminuiu em decorrência do encerramento das atividades do Telecentro. "Especialmente a vinda dos jovens, que não têm tanto hábito de ler (a não ser que os pais incentivem). Eles vinham para utilizar o Telecentro e aproveitavam para retirar livros. Agora, muitos dos que vinham não vem mais, e, como consequência, acabam não retirando livros também", observa.
Sem os computadores do Telecentro, a biblioteca conta com o trabalho da bolsista Bianca Barcelos, do curso de Pedagogia da Setrem, que auxilia os usuários a utilizarem seus notebooks, smartphones e tablets, que eles trazem de casa e contam com essa ajuda para manuseá-los.  

HORÁRIO DE ATENDIMENTO DA BIBLIOTECA MUNICIPAL
Somente à tarde, das 13h30 às 17h30
(museu está temporariamente fechado, sem data para  ser reaberto à visitação) 
Fone 3535-2451 - Rua Osvaldo Cruz, 727

                         



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