Sábado, 29 de abril de 2017
Ano XXIX - Edição 1454
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

Compulsão por Compras ou Transtorno de Impulso

30/11/2012 - Por Yara Lampert
Tweet Compartilhar
Na  edição passada, fizemos uma introdução quanto a Compulsão por Compras ou Transtorno de Impulso. Nesta edição, as  psicólogas Lilian Winter - Coordenadora do Curso de Psicologia da Setrem e Marta Lorentz - Mestre em Educação  e professora da Setrem, abordam o tema pelo olhar clínico psicológico.  
Nos dias atuais quando falamos em felicidade, imaginamos, ou a mídia nos entorpece, com imagens de pessoas que tem tudo, adquirem tudo o que querem, compram com a maior facilidade, utilizando de preferência o cartão de crédito. O que está por trás disso, é muitas vezes, a busca da auto-realização, transformando este desejo em mercadoria e levando as pessoas ao consumismo. Como vivemos na era do acesso, onde tudo é possível de se ter e tudo é baseada na experiência, não há mais a valorização do conceito de propriedade. O foco não é vender um único produto ao máximo de clientes,e sim, vender o máximo de produtos a um único cliente. A partir desse contexto surge cada vez mais, de forma expressiva, a compulsão por compras.


Psicologa Lilian Winter


Psicologia Marta Lorentz

Qual é o diagnóstico da pessoa que é compulsiva por compras?
O diagnóstico de uma pessoa compulsiva por compras é chamado de oneomania e é considerado um transtorno do impulso. Segundo alguns estudiosos, os fatores que contribuem para a ocorrência da compra compulsiva se agrupam em três segmentos. O primeiro refere-se às influências psicológicas como a baixa auto-estima e  fantasias em relação ao status social. O segundo está ligado as influências familiares, pois a compulsão a compras é mais comum em famílias que já apresentam esse transtorno e o terceiro segmento diz respeito às influências sociológicas, envolvendo a pressão dos pares, a mídia, a frequência das compras e a acessibilidade a um cartão de crédito. 
Também é importante mencionar que um quadro depressivo, de ansiedade, baixa tolerância a frustração e quadro de mania interferem no comprador compulsivo e em seus relacionamentos, sendo que estes estados mentais podem tanto ser avaliados como motivação,
bem como consequência de tal comportamento. 

Como reconhecer uma pessoa que tem este transtorno?
O que diferencia um portador desse transtorno e uma pessoa normal que gosta de liquidações e de comprar, é que o portador apresenta um aumento na ansiedade quando não compra. Ele também esconde da família que comprou  e muitas vezes a compra fica na embalagem, porque o importante é o ato de comprar em si, não o que foi adquirido.

Quais são as características básicas do comportamento compulsivo?
A característica básica desse transtorno é uma incapacidade de controlar o impulso de comprar. 
Para justificar seu comportamento o sujeito esconde que comprou. É comum o portador comprar a mercadoria e deixar na loja, pegando as compras em outra hora. Logo após as comprar aparece o sentimento de culpa e arrependimento.

O que leva uma pessoa a desenvolver o transtorno por compras?
A compulsão não está relacionada exclusivamente com o uso de substâncias. Pode estar relacionada a outras situações que provoquem prazer, como fazer compras ou navegar na internet. Existe no nosso cérebro um circuito de recompensa responsável por mediar nossa relação com as situações de prazer. Dependendo do grau de prazer que cera situação gerou, esse circuito é estimulado em diferentes níveis. 
Em algumas pessoas existe uma alteração no cérebro ligada à liberação de um neurotransmissor chamado dopamina, responsável pela sensação de prazer. Ele faz com que a pessoa, por suscetibilidade biológica, ou sociocultural, ao entrar em contato com determinada substância ou comportamento, associe tal estímulo ao prazer e bem estar que está sentindo e que foi provocado pela maior liberação da dopamina. Assim, cria-se um círculo vicioso e a pessoa repete o comportamento, aqui no caso as compras, para voltar a sentir-se bem.

Em que faixa etária é mais comum esse tipo de problema? 
Na faixa etária dos 39, 40 anos e acomete mais mulheres. Os pesquisadores descobriram que as emoções negativas são os antecedentes mais comuns da compra compulsiva, ao passo que o alívio e a euforia são as consequências imediatas, passando em seguida para a culpa e arrependimento. 
O que diferencia é o tipo de produtos das compras compulsivas, ou seja, as mulheres compram maior quantidade de produtos com valores médios e pequenos ( sapatos, bolsas, roupas), enquanto que os homens tendem a consumir produtos de valores mais expressivos como eletrônicos, carros, entre outros.

Como tratar este transtorno?
O tratamento mais indicado é a terapia cognitivo-comportamental. O objetivo é conseguir que o portador se afaste das lojas e dos cartões, fazendo com que aprenda a viver com o que ganha. Além disso, a psicoterapia englobará outros quadros psicopatológicos associados  à oneomania como bipolaridade, TDAH (transtornos déficit de atenção e hiperatividade), transtornos de ansiedade entre outros. Em alguns casos poderá ser necessário o uso de medicamentos, cuja necessidade precisa ser avaliada pelo médico psiquiatra.



Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

20/04/2017   |
13/04/2017   |
07/04/2017   |
31/03/2017   |
24/03/2017   |
17/03/2017   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS