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Em pesquisa da Emater, mais de 96% das famílias dizem ter interesse e condições de permanecer no meio rural

28/09/2018 - Por Jornal Semanal
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Um dos dados do levantamento mostra que em 5.664 casos a sucessão ocorre pelo interesse dos filhos, em 3.829 pelo interesse dos pais e em 1.576 por necessidade

A Emater/RS-Ascar realizou recentemente no Estado uma pesquisa sobre juventude rural e sucessão, com o objetivo de conhecer a realidade dos jovens assistidos pelas extensões rural e social.
Foram aplicados 20 questionários por escritório municipal, tendo como público famílias de agricultores familiares, indígenas, quilombolas, pescadores e assentados da reforma agrária.
Houve o uso de formulário impresso para a coleta de dados e o lançamento deles em formulário criado no Google para a sistematização de dados. Dos questionários aplicados, 7.896 foram considerados válidos.
Na pesquisa, 96,3% das famílias disseram que gostariam de permanecer na propriedade desenvolvendo atividade rural, e 3,7% disseram que não. Também, 96,6% declararam entender terem condições de permanecer no local e projetam anos de trabalho na atividade, enquanto 3,4% não.
Em 5.664 casos, a sucessão ocorre pelo interesse dos filhos, em 3.829 pelo interesse dos pais e em 1.576 por necessidade. Ainda, 4.955 jovens citaram o desejo de ficar no meio rural como um ponto que motiva a sucessão, 3.797 mencionaram a proximidade com a família, 3.154 citaram a renda e 1.518 as dificuldades de estabelecimento no meio urbano.
"A pesquisa servirá para termos uma radiografia que vai nos ajudar a planejar ações, criar estratégias que incentivem o jovem a permanecer no meio rural com qualidade de vida", avaliou na apresentação da pesquisa o diretor técnico da Emater, Lino Moura.
O levantamento foi realizado em 493 dos 497 municípios gaúchos - e Três de Maio, Alegria, Boa Vista do Buricá, Independência, Nova Candelária e São José do Inhacorá estiveram entre eles. Dados gerais sobre o levantamento no RS estão publicados na página ao lado, e mais informações sobre a pesquisa nestes seis municípios são veiculadas na página 12 do jornal impresso.

'Gosto do que faço e quero me aperfeiçoar cada vez mais', diz jovem, morador do distrito de Progresso
Formado em Gestão Ambiental, Cleiton Baú reside com a família em 
propriedade de 15 hectares
Cleiton Baú, 27 anos, mora com seus pais e com sua irmã em Lajeado Barreiro, no distrito de Progresso, interior de Três de Maio, e deseja permanecer no meio rural.
Na propriedade, de 15 hectares, a família cultiva soja e milho, além de pastagens e de frutas e verduras. Os Baú também criam gado (tanto o leite quanto a carne são para subsistência e venda) e peixes, que igualmente são para consumo próprio e comercialização.
Filho de Cleonice Haupt Baú, 46 anos, e de Isidoro Baú, 55, e irmão de Cleandra, 18, Cleiton é formado em Gestão Ambiental pela Unopar. "Gosto de trabalhar na lavoura, com o gado, com os peixes. É onde me sinto bem", diz o jovem.
"Gosto do que faço e quero continuar na atividade da minha família, e me aperfeiçoar cada vez mais. Também acho muito importante a valorização dos produtos da agricultura familiar", acrescenta Cleiton.

Cleiton tem 27 anos; ele trabalha com a família nas lavouras e na criação de gado 
(tanto de leite quanto de corte) e de peixes

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O QUE REVELAM OS NÚMEROS DA PESQUISA PRESENÇA NO CAMPO
A pesquisa aponta, entre os entrevistados, 10.770 jovens no campo, sendo 3.798 de 15 a 19 anos, 3.691 de 20 a 24 e 3.281 de 25 a 29 anos.
TIPO DE ATIVIDADE
7.146 famílias lidam com agricultura, 4.766 com pecuária, 519 com agroindústria, 499 com agricultura de base ecológica, 177 com artesanato, 92 com turismo rural e 57 com pesca.
PERMANÊNCIA NO CAMPO
- 96,3% das famílias disseram que gostariam de permanecer na propriedade desenvolvendo atividade rural, e 3,7% disseram que não.
- 96,6% das famílias dizem ter condições de permanecer na propriedade e projetam anos de trabalho na atividade rural, enquanto 3,4% não.
COMO SE DÁ A SUCESSÃO FAMILIAR 
Em 5.664 casos, ocorre pelo interesse dos filhos, em 3.829 pelo interesse dos pais, em 1.576 por necessidade e, em 560, por outros motivos.
O QUE MOTIVA A SUCESSÃO? 
4.955 jovens citaram o desejo de ficar no meio rural, 3.797 a proximidade com a família, 3.154 a renda e 1.518 as dificuldades de estabelecimento no meio urbano.
TIPO DE RENDA DO JOVEM RURAL
Dos jovens que permanecem no interior, 76,4% recebem alguma renda pela participação na atividade produtiva e 23,6% não. Dos que recebem, 68,7% se dizem satisfeitos com esta remuneração e 31,3% não.
MOTIVOS DE RETORNO AO MEIO RURAL
Entre os jovens que estão no meio rural, 77,9%, ou 2.691, saíram e depois voltaram, enquanto 22,1% permanecem sem ter saído em uma situação anterior. Quanto aos motivos de retorno ao meio rural, 1.086 mencionaram os vínculos com o meio rural; 804 citaram questões financeiras; 527, dificuldades de adaptação ao meio urbano; 191, reconhecimento e valorização enquanto cidadãos; e 83 a violência do meio urbano.
ESCOLARIDADE
Quanto aos jovens que permanecem no meio rural, predominam aqueles que têm ensino médio completo: são 3.360, seguidos por jovens com ensino médio incompleto, que somam 1.696. Além disso, 873 têm ensino fundamental completo, 796 ensino superior incompleto e 717 ensino fundamental incompleto. Com ensino superior completo, são 436.
ESTADO CIVIL 
Em relação aos jovens que assumiram a gestão do estabelecimento, 74,3% são solteiros e 17,7% casados, enquanto 8% se encaixam em outra situação, como união estável.

FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

Confira a matéria completa no jornal impresso




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