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'O tráfico impera nas comunidades mais carentes e que estão abandonadas pelo Estado', avalia Capitão da BM

16/11/2018 - Por Jornal Semanal
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70% das ocorrências se concentram em um único bairro de Três de Maio. Para o comandante da Brigada Militar de Três de Maio, Capitão Éverton da Silva Korte, a sociedade tem que 'dar atenção e olhar com olhos de inclusão' para essa população 

Atuando desde março no comando da Brigada Militar de Três de Maio, o Capitão Éverton da Silva Korte fez uma avaliação do trabalho da Corporação nos últimos meses, em entrevista exclusiva ao Semanal. 

Em um diálogo aberto, ele revelou que a maior preocupação da BM atualmente no município, é com o tráfico de drogas: "atualmente, 90% dos crimes giram em torno do tráfico, sejam pequenos furtos, roubos, homicídios (execuções)". "Um exemplo são os pequenos furtos. Os autores são os usuários que para manter o vício, cometem esses delitos para comprar droga." 
Segundo Korte, a situação é preocupante ainda mais pelo número de habitantes, que não é grande, mas porque "o público flutuante da cidade é grande". "Três de Maio tem boa estrutura de instituições de ensino (faculdades), centros de saúde e oportunidades de emprego. Então, o público flutuante é grande e o tráfico se aproveita disso, da circulação de jovens e adolescentes, da 'ingenuidade' deles. E os jovens, pensam que comprando só uma 'coisinha' não vai dar nada... mas qualquer porção de droga comprada contribui com o tráfico (em consequência o vício) e o aumento da violência no município. Uma violência que, de repente, ali na esquina, pode ser um familiar teu que vai sofrer as consequências", adverte o comandante.

Patamo atua em casos de maior potencial ofensivo
Korte diz que a BM está atuando forte e o policiamento está sendo intensificado, o que resulta em maior número de prisões efetuadas e apreensão de material ilícito. 
E, que além do trabalho de policiamento normal, que já é feito 24 horas, foi implantada a Patrulha Tático Móvel - Patamo - que atua em horários diferenciados. "Vamos mais bem preparados, com mais policiais dentro da viatura, mais equipamentos (armamentos mais pesados, inclusive fuzil); atuando especificamente nesses casos de maior potencial ofensivo. A Patamo está focada na questão de tráfico e tudo que envolve este ilícito, como armas de fogo, roubos, entre outros crimes."

Bairro Esperança concentra 70% das ocorrências 
A falta de perspectivas e de investimentos na infraestrutura e na melhoria da qualidade de vida dos moradores acaba criando um círculo vicioso; onde o tráfico é a única opção e acaba sendo um negócio (fonte de renda) passado de pai para filho. 
O comandante da BM local lamenta que essa situação, quase sempre acontece nas áreas mais carentes, e, que de um modo geral, estão abandonadas pelo Estado como um todo. "Hoje, o maior problema na área de segurança do município se concentra 70% em um único bairro: Bairro Esperança", informa.
E questiona: "nesse bairro, por exemplo, o Poder Público está lá dentro? Tem creche? Escola? Posto de saúde? Praça de brinquedos? Saneamento básico? Qual é o único órgão público que entra lá? A Brigada Militar, que entra lá para reprimir, repreender. Cadê o restante dos órgãos públicos para ajudar?", desabafa.

Segurança pública não compete somente à Brigada Militar
O Capitão sugere que se faça um amplo trabalho social naquela área. "O tráfico impera nas comunidades mais carentes e que estão abandonadas pelo Poder Público. É uma triste realidade. E a questão da segurança pública não diz respeito somente à BM, ela é responsabilidade de todos (órgãos públicos). A sociedade, em geral, tem que voltar os olhos para essas comunidades. Cada pessoa tem que fazer a sua parte. Vamos dar atenção para lá, não olhar com olhos de exclusão social, mas de inclusão", sugere Korte.
Na visão dele, as crianças nascem e crescem "naquele ambiente inóspito", sem qualquer condição de sair daquele meio. E, muitas vezes, o "negócio" do tráfico passa de pai para filho. "Os valores sociais e morais que eles estão recebendo são aqueles, então não tem como ser diferente. A sociedade tem que ajudar a abraçar essa população, para tentar mudar essa realidade", e complementa "precisamos conscientizar as pessoas para estender a mão para quem mais precisa". 

Uso do telefone celular na direção, conduzir sem cinto de segurança e a falta de atenção às faixas de pedestres são os principais problemas no trânsito em Três de Maio, aponta Korte
Capitão da BM avalia que o trânsito na cidade flui bem, mas observa alguns aspectos que necessitam maior atenção - e cumprimento da legislação -, como o uso de celular ao dirigir
FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Agência Brasil

Para o comandante da BM, em uma avaliação geral, o trânsito flui bem na cidade e os motoristas e pedestres, na sua grande maioria, são prudentes. "Temos que ter a consciência de que, se estamos numa sociedade, existem as leis. E, as pessoas, tacitamente, quando votam nos seus representantes, estão aderindo a um pacto social. Se existe a legislação de trânsito, vamos cumpri-la; ela existe por algum motivo, e o principal é oferecer maior segurança à população." 
Sobre os atropelamentos que ocorreram nos últimos meses, alguns deles sobre a faixa de pedestres e que, inclusive, levaram ao óbito, Korte avalia que um dos principais motivos é a distração dos condutores, geralmente, relacionada ao uso do celular na direção. "O pedestre que atravessa na faixa, está no princípio da confiança de que o motorista vai parar. E muitas vezes, o motorista não se dá conta a tempo e acaba cometendo o atropelamento. É necessário haver um trabalho de conscientização da população como um todo para respeitar os sinais e a legislação de trânsito."
O Capitão afirma que no município existe um bom número de faixas, mas que no seu ponto de vista, deveriam ser "elevadas", para obrigar que o motorista diminua a velocidade. "Também deveria haver mais placas verticais de sinalização, indicando que aquele local tem uma faixa de pedestres."  
Atualmente, segundo ele, entre os maiores problemas do trânsito estão o uso do celular na direção, conduzir sem cinto de segurança e conduzir crianças de forma irregular (na frente, sem cadeirinha ou até mesmo no colo do condutor). "É preciso maior conscientização. Nenhuma ligação ou mensagem no celular é mais importante do que você arriscar a tua vida e a de outros. E, para os pais que conduzem a criança sem a cadeirinha ou até mesmo no colo, esse comportamento representa um perigo em potencial. Qualquer acidente pode causar uma tragédia", adverte o Capitão, que também orienta para que os condutores respeitem os limites de velocidade no perímetro urbano.

BM alerta para a prática perigosa de jovens se sentarem no meio da rua na avenida nos finais de semana
Korte também fez questão de falar de uma prática muito comum entre os jovens de Três de Maio, especialmente nos fins de semana e que preocupa a BM:   sentar, inclusive com cadeiras,  no meio da rua, na Avenida Uruguai. "Não sei qual a necessidade disso, visto que tem o passeio para sentar, duas praças no centro, onde eles podem se sentar à sombra e não correr nenhum  risco de serem atropelados. Mas, eles insistem em ficar sentados no meio da rua, colocando em risco a segurança deles e dos motoristas. Estes jovens têm que se conscientizar de não fazer mais isso, pois é uma prática que pode acabar em tragédia." Conforme o Capitão, a BM estuda alguma medida para coibir essa prática no centro da cidade.

No registro principal: Para o Capitão Éverton da Silva Korte, os problemas e as consequências do tráfico de drogas se refletem em todos os setores da sociedade
FOTO: ALINE GEHM



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