Sexta-feira, 20 de setembro de 2019
Ano XXXI - Edição 1575
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Espera

01/02/2019 - Por Jornal Semanal
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Perco-me nos olhos desatentos
Em mãos inquietas
Que contam cada segundo...
Em braços pensos
Que não acenam
Nem abraçam.
Num sopro
Vem um cheiro
Do que está guardado
E esquecido...
Um bafejo do passado,
Cheiro de baú
Entreaberto por acidente,
Acidentalmente.
Mas as flores chegaram antes
E o seu perfume
Invadiu as narinas fatigadas
Desse mofo...
Cansaço.
As cores invadiram as retinas embaçadas
Por esse cinza, essa luz morta.
Olhos desatentos se fizeram preenchidos
De calor,
Chama ou luz.
As mãos que contavam segundos
Não viram as horas brancas
Que passaram apressadas.
Horas brancas...
Como os lírios nas calçadas.
Os braços pensos
Tiveram graça em seus movimentos,
E acenam,
E abraçam.
Vem num sopro
Um cheiro,
Um quase calor de setembro.
No céu, um sol indeciso,
Nuvens que acalentam algum sonho
Deixado no ocaso.
Nas ruas...
Passos apressados,
Janelas que se abrem.
A luz nos olhos virou menina.
Quase calor,
Quase primavera.
Quase um desejo a flertar com o vento.
Não fosse quase amor...
Apenas quimera.
Mas estas palavras
Agora têm o perfume dos lírios,
Que afoitos, se abriram antes,
Achando que já era primavera.
Pois nunca, nunca é cedo para lírios...
E nunca é tarde para nossa espera.


Jarina Cecconello - Livro 60 Anos, Sonhos e Frutos



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