Terça-feira, 19 de novembro de 2019
Ano XXXI - Edição 1584
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

Governo federal revê posição e manterá proteção ao leite brasileiro

15/02/2019 - Por Jornal Semanal
Tweet Compartilhar
Mapa anuncia que imposto de importação do leite da Europa e da Nova Zelândia vai aumentar
Medida do ministério busca compensar o fim da taxa antidumping sobre os 
produtos, extinta pelo governo na última semana. Fim da taxa causou reação 
de produtores e de entidades ligadas ao setor
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou nessa terça, 12, que será aumentado o imposto de importação do leite integral em pó e desnatado da Europa e da Nova Zelândia.
A medida busca compensar o fim da taxa antidumping sobre os produtos. Até o fechamento desta edição, a nova alíquota ainda não havia sido divulgada.
O antidumping é uma taxa que objetiva proteger os produtores nacionais da importação de produtos a um preço inferior ao do mercado interno. O dumping é uma prática considerada desleal pelos acordos internacionais.
No dia 6, a Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia extinguiu o antidumping sobre o leite em pó importado da Europa e da Nova Zelândia, em vigor há 18 anos, o que gerou críticas dos produtores e reação de entidades que os representam.
No dia 8, a Fetag-RS (Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul) emitiu uma nota oficial sobre o assunto condenando a medida, vindo "publicamente (.) manifestar indignação frente à notícia".
"A entrada de leite da União Europeia, altamente subsidiado, no mercado brasileiro vai impactar duramente o preço do leite nacional, que já sofre com preços baixos, provocando uma concorrência desleal a toda a cadeia láctea nacional", diz trecho da nota.

Como eram as taxas
Para o leite em pó europeu, a taxa cobrada era de 14,8%, e, para o produto da Nova Zelândia, de 3,9%. A equipe econômica concluiu que entre 2017 e 2018 não houve importação de leite da Nova Zelândia e o pouco proveniente da União Europeia não teria impacto para os produtores brasileiros.
Mas o setor teme que sem a taxa a produção excedente dos europeus seja direcionada ao mercado brasileiro, afetando principalmente os pequenos produtores.
O secretário-geral da Fetag-RS, Pedrinho Signori, conta que o setor, antes mesmo da medida do governo anunciada na semana passada, já vinha sentindo impactos da entrada irrestrita do leite em pó argentino no Brasil e negociava com o governo uma solução para este caso.
De acordo com Pedrinho, no Mercosul, o Brasil importa leite em pó da Argentina e do Uruguai. Havia cotas de importação do leite argentino, mas Pedrinho diz que a medida venceu em outubro e não foi renovada. Assim, atualmente, pode haver importação irrestrita tanto do leite uruguaio quanto do argentino, o que pode resultar num volume maior de leite em pó no mercado brasileiro.
"Dependendo do dólar, do câmbio, esse leite em pó vai entrar livremente. Muitas indústrias vão buscar o leite de lá, por ser mais barato, e, diga-se de passagem, há grandes indústrias que recebem milhões em incentivos fiscais e buscam o leite lá fora, fazendo um desserviço social para a nossa população", diz Pedrinho ao Semanal.
Sobre a medida adotada pelo governo na última semana, o secretário-geral da Fetag-RS diz que "essas tarifas (a taxa antidumping) foram construídas, em 2001, com muito sacrifício; foi colocada uma sobretaxa de importação para dificultar a entrada de leite da União Europeia e da Nova Zelândia, porque lá eles têm um custo de produção muito diferente do nosso, têm subsídios do governo, então o custo de produção deles é muito mais baixo do que o nosso".
"Se baixa ainda mais o preço pago ao produtor aqui, ele não consegue mais produzir, porque já está no limite dos seus custos de produção. E, aí, o que acontece? O produtor para, abandona, vende as vacas", destaca ele. Estima-se, segundo Pedrinho, que, nos últimos dois anos, entre 2,5 mil e 3 mil famílias tenham abandonado a atividade leiteira no RS.
O secretário-geral da Fetag-RS, Pedrinho Signori



Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

04/10/2019   |
13/09/2019   |
06/09/2019   |
23/08/2019   |
16/08/2019   |
29/07/2019   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS