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Apesar de impedidas por lei de jogar futebol até 1979, mulheres desafiaram proibição para realizar seus sonhos

14/06/2019 - Por Jornal Semanal
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Decreto-lei de 14 de abril de 1941 proibia as mulheres de praticarem esportes considerados 'incompatíveis com as condições da natureza feminina'. Decreto foi revogado quase 40 anos depois
Até o fim da década de 1970, as mulheres eram proibidas por lei de jogar futebol no Brasil. A paixão nacional era permitida somente para os homens. 
O decreto-lei de 14 de abril de 1941 proibia as mulheres de praticarem esportes considerados "incompatíveis com as condições da natureza feminina". Entre os argumentos, estava que  uma mulher poderia levar uma bolada no útero, e prejudicar de ter filhos saudáveis e fortes. Manchetes de jornais da época diziam "pés de mulheres não foram feitos para se meter em shooteiras!", "um disparate esportivo que não deve prosseguir". 
Mas, mesmo proibido, alguns grupos de mulheres desafiaram o preconceito e o decreto-lei. Um exemplo foi o time Araguari Atlético Clube, fundado em 1958, na cidade de Araguari, de Minas Gerais. 
Vencendo o preconceito e proibição, o time feminino do Triângulo Mineiro entrava em campo para fazer história. "Tinha muita gente curiosa, que queria ver mulher jogar futebol", recorda a ex-jogadora Zalfa Peixoto, 73 anos. "Era como se fosse a seleção brasileira hoje. A gente joga junto com elas", lembra a ex-atleta Darci Leandro, 78 anos.
61 anos depois, as veteranas daquele time batem uma bolinha com o atual time da cidade. "É só pisar no gramado, para lembrar daqueles tempos", conta Heloisa Marques, 72 anos.
A historiadora Aira Bonfim avalia que "se para as mulheres de hoje isso é difícil, imagina o que aquelas mulheres passaram".
Porém, a lei não impediu de as mulheres seguirem jogando. Vários times continuaram atuando clandestinamente no país, como conta uma exposição no Museu do Futebol em São Paulo.
O time de Araguari se destacou tanto no cenário nacional,  que as meninas foram convidadas pra jogar  até no México. Mas para saírem do país, as jogadoras tiveram documentação barrada: encontraram o decreto-lei e ele foi colocado em prática.
Apenas em 1979, o decreto foi revogado, o que permitiu a criação das primeiras ligas de futebol para mulheres.

Equipe feminina da Seleção Brasileira disputa a Copa do Mundo de Futebol Feminino da Fifa

Manchetes que circulavam em jornais da época 

Araguari Atlético Clube, fundado em 1958, um dos times precursores do futebol feminino no Brasil

Primeira árbitra de futebol do Brasil 
Mas as jogadoras de Araguari não foram as únicas vetadas. Lea Campos, primeira árbitra de futebol do Brasil recebeu um não da Confederação Brasileira de Desporto mesmo depois de concluir o curso de árbitra - tendo terminado em 2º lugar -, não pôde receber seu diploma. "Colocava as meninas para jogar porque eu queria apitar. Então eu ia presa, porque era governo militar, e assim foram 15 vezes", relata. 
Lea aproveitou um dos eventos de despedida de Pelé do futebol e falou diretamente com o então presidente Médici, e nessa época Lea se tornou a primeira árbitra profissional do país. Apitou 88 jogos em 4 anos em que atuou, parou depois de sofrer acidente de ônibus. "Tinha certeza de que mais cedo ou mais tarde eles iam se render", destaca.
No caso das veteranas de Araguari, a carreira foi mais curta, durou apenas 10 meses. Depois que a viagem ao México foi vetada pelo governo, o time acabou. "Nós poderíamos ter sido uma Marta, da Seleção Brasileira. Fica a saudade de um sonho interrompido. A gente abriu o caminho pra elas, hoje elas nos representam", conclui Nilza Borges, 77 anos.

Primeira árbitra brasileira foi presa 15 vezes por  desafiar a lei e apitar jogos de mulheres

Brasil busca primeiro título da Copa do Mundo Feminina
A 8ª Copa do Mundo de Futebol Feminino da Fifa está sendo realizada na França de 7 de junho a 7 de julho. Neste ano, 24 equipes disputam o título. Desde 1991, a copa feminina ocorre de quatro em quatro anos. 
O Brasil esteve em todas as edições da competição. Disputou 30 jogos sendo 18 vitórias, 4 empates e 8 derrotas. E apesar de ter a melhor jogadora do mundo - eleita por seis vezes Bola de Ouro da Fifa nos anos de 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2018 -, Marta Vieira da Silva, 33 anos (que atua pela seleção brasileira desde 2003), a equipe nunca conquistou um título no mundial. O máximo que conquistou, o terceiro lugar em 1999 e o vice-campeonato em 2007.
Do Rio Grande do Sul, duas atletas despontam na seleção brasileira: a zagueira Mônica Alves, 32 anos, de Porto Alegre; e  Andressa Cavalari Machry - a Andressinha,  24 anos, natural de Roque Gonzales, região das Missões. Embora a idade, Andressinha já tem seis convocações para Mundiais - duas pela sub-17, duas pela sub-20 e duas pela principal -, além da Olimpíada de 2016. 
JOGOS DO BRASIL - Na Copa deste ano, Brasil tem Jamaica, Austrália e Itália como adversárias na fase de grupos do Mundial. Contra a Jamaica, em jogo realizado domingo, 9, a seleção venceu por 3 a 0. Ontem, 13, jogou contra a Austrália e perdeu por 3 a 2. No próximo dia 18, terça, enfrenta a Itália, no Stade du Hainaut, Valenciennes, às 16h.

Fonte: Fantástico/Globo/9 de junho/19



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