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A bola da vez: as meninas e as mulheres do futsal

15/07/2019 - Por Jornal Semanal
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Paixão pelo esporte vai além dos títulos e das premiações; equipes Anittas, Base TM e Ágatas são exemplos de luta e persistência no futsal feminino

"Quando falo em futebol feminino, a emoção sempre vem primeiro lugar. Me sinto privilegiada por fazer parte de um grupo de pessoas que está tentando mudar uma estatística desfavorável e, na minha opinião, injusta que trata de forma muito desigual as mulheres nesta prática esportiva", afirma a treinadora da equipe Base TM FF, Marize Meller.
No próximo dia 17 de julho, a equipe comemora dois anos de atividade e, nesse tempo, já conquistou sete títulos de campeã. Marize conta que o interesse pela criação do time partiu de algumas meninas que representando suas respectivas escolas em jogos intercolegiais sentiram necessidade de treinos extras; também visualizando o potencial e o talento das atletas. "A partir disso, elas entraram em contato comigo para que as auxiliasse na organização do time, bem como ministrasse os treinos de futsal."
Desde então, Marize é a "profe", como é carinhosamente chamada pelas atletas. A gratidão em estar treinando as meninas e as experiências vivenciadas enchem de orgulho a treinadora, que entre a infância e adolescência, sonhou ser jogadora profissional. "Estou fazendo por elas aquilo que desejava que tivessem feito por mim, quando tinha a idade delas e não tive apoio para realizar o sonho de ser atleta", comenta. "Se desejamos uma sociedade melhor precisamos fazer a nossa parte: chamo isso de responsabilidade social", diz Marize.


   PLANTEL BASE TM
- Luiza Pohl Goleira |16 anos
- Samara Nunes Goleira |15 anos
- Ana Julia Schawde Fixa |17 anos
- Annelise Gresele Zagueira/ala |18 anos
- Maria E. Araújo Zagueira/ala |17 anos
- Júlia dos Santos Zagueira |15 anos
- Vitória Pereira Ala esquerda |16 anos
- Jamile Dias Ala |17 anos
- Cauane Dilli Ala esquerda |17 anos
- Caroline Quaresma Ala |14 anos
- Joice Cavaline Zagueira |15 anos
- Leticia Monteiro Ala |14 anos
- Pamela Gotz Ala |15 anos
- Vanessa Brum Ala/pivô |15 anos 
- Luana dos Santos Ala |17 anos
- Caroline Scheidt Ala/pivô |17 anos
- Djéssica Weddigen Ala |15 anos
Comissão Técnica
Treinadora: Marize Meller, 34 anos
Apoio: Narjana Pedroso e Laís Rolim

O QUE DIZEM AS atletas da Base TM DE TRÊS DE MAIO
"Jogo em escolinhas desde os 10 anos. O que me motiva a jogar futebol é o amor pelo esporte, o apoio do time e o desejo de jogar profissionalmente. Garanto que se me esforçar mais, esse sonho pode virar realidade", Júlia Rafaela Reichert dos Santos 

"Acho que toda menina que joga futebol tem o sonho de jogar profissionalmente, mesmo sabendo que é algo muito difícil de se alcançar. Mas o que me motiva é ver que a cada competição ou treino eu tenho uma evolução, além de amar muito o esporte e me espelhar em diferentes jogadoras", Luiza Pohl

"Jogo na Base há quase dois anos. Meu sonho de criança era ser jogadora de futebol, mas cresci e vi o quão difícil é ser vista dentro de um esporte com pouca visibilidade. Mas ainda hoje meu coração bate mais forte pelo esporte. Por isso faço o possível para prezar o time que tanto amo", Vitória T. Pereira 

"Jogo há sete anos e o que me motiva é a liberdade, é um sonho se realizando, uma sensação boa entre quatro linhas; e receber o apoio das pessoas que me ajudam nessa longa caminhada. O fato de sermos mulheres não nos impede de jogar futebol, de igual para igual aos homens", Letícia M. da Rocha


Ágatas TM foi criado em agosto de 2016. Assim como os demais, tem em seu elenco atletas que jogam em outras equipes. O presidente é Cléo Fabio Zajaskoski, que conta com o apoio da esposa, Priscila, que também é jogadora do time. 
Ela conta que o grupo se reunia para jogar futsal por diversão, e, a partir destes jogos, surgiu a ideia de começar a participar de campeonatos. Desde então, no total, a equipe já possui 16 títulos, sendo sete de primeiro lugar. 
Para o presidente Cléo, o sentimento em estar à frente da equipe é de orgulho. "Tudo que faço por elas é gratificante por elas se dedicam muito nos treinos e jogos. Como presidente da equipe me esforço muito e percebo a evolução do futsal feminino na região. E só tenho a agradecer a cada atleta o desempenho e amor a nossa camiseta e família Àgatas. Agradeço também as empresas  que nos apoiam sempre", destaca.
O treinador, Carlos Renan Borges, declara que é muito prazeroso ver a evolução das meninas e do futebol feminino como um todo. "Elas não faltam aos treinos; se dedicam; e se for preciso levam até seus filhos juntos; mas sempre estão lá para aprender", afirma.


PLANTEL ÁGATAS
- Indiara Barroso Goleira |19 anos
- Ana Griebler Fixa |28 anos
- Cristiane Borges Fixa |35 anos
- Priscila Zajskoski Fixa |28 anos
- Andréia N.F.G.Hammes Ala |26 anos
- Cauane Dilli Ala |17 anos
- Diovana Fristch Ala |29 anos
- Laís Rolim Ala |18 anos
- Katia W.Camargo Ala |28 anos
- Caroline Quaresma Pivô |14 anos
- Vitória T. Pereira Pivô |16 anos
- Márcia Auth Pivô |37 anos
- Gabriela Griebler Pivô |26 anos
Comissão Técnica:
Treinador: Carlos Renan Borges
Presidente: Cléo Fabio Zajaskoski

O que dizem as atletas da ÁGATAS DE TRÊS DE MAIO
"Comecei a jogar na escola. Faz em torno de dez anos que jogo futsal e o que me motiva é o amor pelo esporte e o apoio que recebo de amigos e familiares. Avalio como forma de poder buscar nosso espaço. Futsal/futebol vêm crescendo, mas precisamos de visibilidade e valorização da categoria. Sonho em jogar profissionalmente e, apesar da minha idade, nunca descartei a possibilidade." Indiara Cristina Barroso

"Eu jogo futsal há mais de 10 anos, quando mais nova em escolinhas e atualmente em equipes da região. O que me estimula a jogar é o amor pelo esporte, ser elogiada por amigos e até mesmo desconhecidos, receber mensagens de incentivo e apoio é muito gratificante. As mulheres vêm lutando para conseguir o seu espaço e a valorização que merecem. Infelizmente, em muitos lugares têm atletas com um potencial enorme e que não recebem o apoio necessário para desenvolver e ir em busca dos seus sonhos. Eu sonho em ser jogadora profissional." Cauane Cristina Dilli

"Iniciei no esporte muito cedo, com 7 anos de idade já participei do meu primeiro campeonato. Jogo futsal desde que me conheço por gente, e o que sempre me motivou foi o trabalho em equipe. Nenhum gol é feito sozinho, o mérito sempre é do time. por questões culturais, as mulheres ainda sofrem no esporte. A aceitação de que uma mulher pode ser tão forte quanto a um homem ainda é um tabu. Mas no meio que vivemos, aos poucos isso está mudando pois vejo as arquibancadas cheias de torcedores, gritando para suas respectivas namoradas/esposas", Gabriela Griebler


O treinador Dior Elias Vargas Brito, 24 anos, do time de futsal feminino Anittas FC compartilha do sentimento que "o futebol feminino, de modo geral, está crescendo a cada ano, porém, ainda é perceptível certa dificuldade e resistência na questão de divulgação de torneios e campeonatos". Para ele, muitas vezes por falta de incentivo e apoio, ou ainda pela falta de visibilidade que o futebol/futsal feminino tem, na comparação com o masculino.
O Anittas foi criado em janeiro de 2017. A ideia foi ter um nome feminino e ao mesmo tempo forte. Daí surgiu Anittas, de iniciativa de um grupo de meninas que num primeiro momento viam o futebol apenas como prática de exercícios e integração. Mas, aos poucos, foi mais longe. Hoje, com dedicação, além dos treinos há participação em diversas competições.
Dior fala da experiência de treinar um time formado por mulheres. "Requer especial atenção e dedicação. Tenho que saber diferenciar cada atleta, explorando o seu potencial e encaixando-a na equipe. Explico de forma dinâmica as atividades que serão desempenhadas em cada treino, pois treinar não é apenas 'bater-bola'. E as atletas se dedicam e são disciplinadas", avalia.

PLANTEL ANITTAS
- Cristieli C. Barth Goleira | 28 anos
- Aline C. H. Ludvig Goleira | 25 anos
- Patrícia Petter Loro Ala/beque| 33 anos
- Claucia V. Donatti Ala | 34 anos
- Ritieli C. L. da Silva Ala/pivô | 28 anos 
- Janara L. S.do Rosário Ala | 25 anos 
- Karine Soares Ala/beque | 24 anos 
- Fernanda C. Massaia Ala/pivô | 32 anos 
- Simone Massaia Ala | 29 anos
- Marlise R. da Silva Beque |32 anos 
- Carla G. Siqueira Ala/pivô | 24 anos 
- Juliana Martins Ala/beque | 19 anos 
- Francieli Elsa Motta Pivô | 25 anos 
- Rejane P. Schneider Ala | 30 anos 
Comissão Técnica
Treinador: Dior Elias Vargas Brito, 24 anos
Auxiliar técnico: Cleiton A. Oliveira, 28 anos

As equipes Base TM, Ágatas e Anittas já participaram (e participam) de inúmeros campeonatos e conquistaram importantes premiações, troféus e medalhas. Mas, a paixão pelo esporte vai muito além da competição. Para os treinadores e as atletas, o que importa é estar fazendo o que se gosta, com amor, persistência e esperança de que um dia - mesmo com falta de estrutura, apoio financeiro e investimento -, o futebol/futsal feminino seja tão valorizado, reconhecido e premiado como o futebol masculino. 

O que dizem as atletas da Anittas DE TRÊS DE MAIO
"Temos todo o direito de vestir nosso uniforme, calçar nossa chuteira e buscar nosso espaço como atleta. Para as meninas que estão começando agora, que tenham persistência e que lutem pela  visibilidade do futebol feminino, principalmente àquelas que desejam jogar profissionalmente", Cristieli C. Barth

"Gosto do envolvimento, da alegria e das parcerias que o futebol proporciona. Além de ser uma atividade física que faz bem para o corpo e para a alma. Com a equipe ganhamos com muito orgulho o campeonato Municipal de Independência, em setembro de 2018", Ritiéli Caroline L. da Silva

"O esporte é  importante para vida e  quem  tem  vontade  de jogar futebol e nunca  jogou, nunca é tarde para começar. Sou agricultora e jogo há dois anos e meio na equipe", Fernanda C. Massaia

Laís Rolim da Silva se destaca em equipes de Três de Maio e vai disputar o Gauchão Feminino de Futebol, pela Associação Esportiva João Emílio, de Candiota
Aos 18 anos, Laís Rolim da Silva, já jogou futebol, na escolinha do Botafogo, e futsal, nas equipes da Base TM e Ágatás. E, a partir de agosto, vai integrar o elenco da Associação Esportiva João Emílio (AEJE), de Candiota, que vai disputar o Gauchão Feminino de Futebol. 
Sua trajetória no esporte é marcada por muitas conquistas, como uma das mais marcantes, em 8 de dezembro passado, quando se consagrou - juntamente com a Base TM - campeã do IV Torneio Regional Andressa Machry, e ganhou o troféu das mãos da jogadora da Seleção Brasileira, Andressinha. "Ela é uma das minhas grandes inspirações a não desistir do meu sonho de chegar à Seleção. O futebol nunca foi uma 'opção'. É amor por praticar esse esporte. Me sinto feliz e realizada jogando e fazendo o que gosto".
Laís sempre teve muito incentivo para jogar futebol, desde pequena. Viu no desempenho e na dedicação do pai, Gilmar Rolim da Silva (Gervásio), um grande exemplo. Gilmar é ex-jogador e ex-treinador, e inclusive atuou profissionalmente. Ele teve passagens por diversas equipes, entre elas, no futebol, pelo Botafogo, Associação Tresmaiense e Paraná Clube; e pelo futsal, no Guaíra Randazzo e diversas equipes amadoras da região. Atualmente, desenvolve um projeto no futsal base masculino e futsal feminino. Além dele, a  jovem recebe apoio de toda a família, da mãe, do padrasto e das irmãs.
Recentemente, Laís e outra atleta da Base TM, Cauane Dilli, conquistaram a artilharia do Campeonato Regional das Missões, que teve a final na cidade de São Luiz Gonzaga. Ambas marcaram cinco gols cada. 
Laís, que é natural de Independência mas reside em São José do Inhacorá, afirma que gostaria que o futebol feminino fosse levado mais a sério. "É importante que todos vejam como é lindo o futebol feminino; ele precisa ser respeitado e valorizado", conclui.
Cauane Dilli e Laís (com o troféu de campeãs), ao lado da Andressinha, jogadora da Seleção Brasileira de Futebol Feminino



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