Sexta-feira, 28 de abril de 2017
Ano XXIX - Edição 1454
(55) 3535-1033
jsemanal@jsemanal.com.br
diagramacao@jsemanal.com.br

Especial de Natal 2012

21/12/2012 - Por Jornal Semanal
Tweet Compartilhar



MINHA HISTÓRIA DE NATAL
Quando eu nasci dia 24 de dezembro de 1940 no casarão da Esquina Jost, recebi a visita do casal Reinholdo Engelamm e seus filhos Dóris e Elardo. Ele era mestre  em ferraria e fabricava a maioria dos utensílios agrícola e domésticos que se usava na época.
A felicidade de meus pais, festejando a coincidência de meu nascimento com a data maior da cristandade,  o nascimento de Jesus, despertou no seu Reinholdo a vontade de ter presente igual no próximo Natal. Diante do inusitado e improvável, surgiram as brincadeiras. Como grandes amigos e acostumados por desafios mútuos, disse ao meu pai que no próximo ano a comemoração seria em sua residência para festejar o nascimento de seu filho e desafiou para uma aposta que tornaria o fato mais autêntico.
Passados uns meses o  Sr. Reinholdo festejou a gravidez da esposa, em data que poderia até ganhar a aposta. Dizem que o maior comentário era sobre a confiança do desafiante no próprio desempenho e que o queriam vencedor. Assim, ao chegar o Natal de 1941, embora fosse o tempo de nascer, nada aconteceu e o meu pai ganhou a aposta. Passaram-se  dias de apreensão e ansiedade, quando no dia 28 de dezembro, nasceu uma menina forte e saudável que recebeu o nome de Griseldis Engelmann. A felicidade  compensou perder a aposta e o esforço da tentativa.
Recordo-me da família e das brincadeiras diárias, principalmente do Elardo e da Griseldis que eram da minha faixa etária.
A minha mãe, Dona Lúcia como era chamada, tinha uma formação tradicional onde as mulheres, para casar, tinham que ter conhecimentos também sobre saúde, pois geralmente os cuidados médicos eram poucos e distantes e delas dependia a prevenção e tratamento da família.
Há poucos dias a Dóris, que mora aqui em Três de Maio, me contou que ela estava gravemente enferma quando tinha dois anos de idade. Afirmou que recebeu os cuidados e acompanhamento de Dona Lúcia  que era o porto seguro das mulheres. Além de aconselhar e acompanhar indicava os remédios disponíveis para o caso e, não raras vezes, distribuindo o próprio medicamento.




A NOITE NATALINA
O dia misterioso começava com a colocação da árvore, um pinheiro de uns três metros de altura que precisava ser amarrado disfarçadamente à escada para não cair. A partir daí a sala ficava proibida para menores, pois os preparativos seriam coordenados por papai-noel. Dia longo e de muita ansiedade. Chegada a hora, vinham as recomendações finais, alertando para a oração que deveria ser feita na presença de todos.
Liberada a entrada, éramos recebidos pelos acordes de Noite Feliz, dedilhados por minha mãe em sua cítara (uma espécie de harpa de mesa), que tornavam o ambiente ainda mais lindo e emocionante. As velas coloridas acesas na árvore refletiam os enfeites multicoloridos entre bolas, sinos e Papais-Noéis de vários tamanhos e formatos. Deslumbrados com a beleza, lá estava o balde de água fria na figura do papai-noel sentado ao lado da árvore, portando um saco de presentes na mão esquerda, enquanto, na psicologia da época, na mão direita uma varinha de marmeleiro, nada disfarçada, que seria para aqueles que durante o ano não teriam se comportado. Diante da obrigação de rezar e acompanhado de minha irmã Anely, que já não acreditava mais em papai-noel, mas disfarçava muito bem, ela começou atropelando o Pai Nosso e eu não sabia mais continuar. Diante da dificuldade e temendo represálias, comecei a cutucá-la dizendo "me ajuda, me ajuda", provocando os risos disfarçados de todos. Terminada a tortura, finalmente o bom velhinho desejava feliz Natal e começava a distribuição dos presentes. Já nessa época constatei a  desvantagem de aniversariar no dia do Natal, pois é somente um presente para as duas datas. Isso é uma injustiça. Mas a noite era mágica com a mamãe executando outras canções natalinas em sua cítara.
As lembranças da minha infância me trazem felicidade e afastam muitas frustrações pelo que se sabe das comemorações de hoje, onde o ter importa mais que o ser. O material sufoca o espiritual que a data, especialmente, invoca e traz consigo a paz, conforto e bem estar para aqueles que crêem em Deus e a ele se voltam em pensamentos e ações. 
Recebi um conselho de meu pai João Adão, para viver respeitando a ética e os semelhantes, ser verdadeiro e autêntico de tal forma de não sentir a necessidade de pedir nem de dar perdão a ninguém. Assim teremos a consciência tranqüila e a paz de espírito.
Que Deus nos permita uma feliz e abençoada noite natalina.
Boas festas.                              

BERNARDO S. JOST
TRÊS DE MAIO - RS

A carta

Q uerido Papai Noel, espero que leia essa carta, e que me ajude.
Eu sou como uma nuvem sou levada pelo vento a lugares distantes, e aproveito o simples fato de estar viva para observar atentamente o mundo e as pessoas.
Eu sou como uma esponja, tudo o que dizem eu aceito, mas discordo do mundo após rever todas opções da informação ser verídica. Sou obstinada a seguir uma única ideologia.
Cada vez as pessoas parecem mais monótonas e sem vida. Elas se guiam pelo dinheiro e não pela felicidade de acordar todo o dia, abrir os olhos e simplesmente sorrir.
Estar aqui é mais um motivo para contar minha história. Todos os dias acordo com vontade de fazer o novo. As pessoas da rua me veem como um ser estranho, não sigo padrões e nem me importo com o que a sociedade pensa.
Ao contrário de muita gente, que acha que as crianças de hoje em dia são criativas e superdotadas, eu só acho que elas estão cada vez mais longe da "realidade fictícia" a realidade da qual eu jamais gostaria de ter me distanciado.
Um dia, não por acaso, as vésperas do Natal, resolvi andar pelo colégio e ver as reações das crianças quanto ao Papai Noel. Cheguei na primeira série, algumas crianças me sorriam outras me olhavam com desconfiança, na esperança de parecer parte do grupo, ajoelhei-me no chão e sem me acanhar fiz rapidamente a pergunta "Vocês acreditam em Papai Noel?".
Uma menina aproximou-se se mim ficou na ponta dos pés na tentativa te me contar algo, ela cochicha algumas palavras, profundas palavras "você já é grandinha para acreditar nisso, Papai Noel não existe, sua mãe te enganou" eu não pensei duas vezes apenas me virei para ela olhei compenetrada para o rosto daquela pequena criança e pensei -"ela tem razão" .
Desanimada, sai da sala meio sem jeito. Eu sei, minha mãe havia mentido sim, mas não era algo ruim eu adorava o Natal, adorava o Papai Noel e principalmente a antiga história do nascimento de Jesus. Pra mim aquilo era mágico.
Tenho irmãs menores, então resolvi não apenas falar com elas, mas também com as amigas ou melhores amigas delas. Minha irmã do meio me disse que a maioria das colegas dela não acreditavam, mas que isso não a impedia de acreditar, um longo sorriso abrilhantou o meu rosto e pensei comigo mesma "nem tudo está perdido". Minha irmã menor não quis papo comigo, apenas disse "adoro o Natal, eu ganho presentes".
No outro dia, a minha irmã do "meio" vem correndo ao meu encontro, me contar sobre a maravilhosa árvore de Natal super produzida da amiga dela. Logo me lembrei do Natal em que eu pedi uma enorme árvore para a sala. Ganhei uma de pouco mais de 80 cm, lembro que enfeitá-la foi uma das melhores sensações do mundo.
-"Queria que todos sentissem a mesma alegria que senti aquele dia, queria que todos ainda tivessem o espírito natalino dentro de si, queria que todos realmente acreditassem na magia do Natal."
E sim, essa é a minha carta para o Papai Noel .
Por mais que possa achar uma besteira, é a realidade descrita em palavras em um bom jornal da cidade.
-Um bom Natal a todos, que nunca deixem morrer o espírito do Bom Velhinho em seus corações.

Laura Rossi da Motta / 13 anos



Indicar a
um Amigo

Comentários

Deixe a sua opinião

Veja Também

13/04/2017   |
31/03/2017   |
03/03/2017   |
17/02/2017   |
17/02/2017   |
10/02/2017   |




Todos os direitos reservados - Jornal Semanal - Três de Maio - RS