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Opinião

08/02/2013 - Por Jornal Semanal
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Para você que chora a despedida de alguém, minha palavra de esperança...

Vânia Inês Manjabosco Lorenzoni*

Sou mãe e perdi meu filho, Daniel Manjabosco Lorenzoni, em acidente de trânsito, com 17 anos,  no ano de 2008, em Três de Maio - RS. (Daniel era o caroneiro). A perda de um filho é a perda que sentimos a maior das dores, isso posso afirmar.
Diante da morte, todos os argumentos terminam. Somos criados seres limitados para encontrar a resposta exata, aquela que o nosso coração almeja. Mas queremos saber o "porquê". Por que o meu, ou porquê a minha? Mais tarde vem a revolta, daí queremos saber: quem é o culpado?
Eu também pensava assim... Temos que ter esse tempo, tempo de luto, de dor, de revolta e por fim, depois de muitos conselhos, começamos a processar algo mais concreto, mas esse tempo depende de cada um. Aconselho todos da família tratarem-se com psicólogo, psiquiatra, terapeutas...
Se precisar tomar remédio, isso é natural,  temos que procurar amenizar de um modo essa dor. É muito importante a visita de amigos e parentes, isso conforta e faz a gente não se sentir só, divide a dor.
"Ninguém morre enquanto permanece vivo no coração de alguém".
Mas nesse momento eu sei que não existe palavras humanas que consigam dizer tudo o que deveriam! Chorar é humano, é sinal de estima, de amor, de solidariedade. Chorar alivia, por isso não faz mal que você chore. Quando a gente ama a gente chora de amor, dor e de alegria, elas são bênçãos. Depois de tudo isso, lembre-se amigo(a) que você precisa retornar a lida cotidiana, precisamos de um novo  horizonte, para seus olhos cansados de chorar, para um coração inconformado com a perda de quem a seu ver,  não deveria ter partido ainda, era muito jovem, tinha sonhos, tinha coragem, etc... Temos que aprender a viver sem essa pessoa querida, parece impossível... A gente não acredita... Na verdade, a gente não quer aceitar! Só o tempo, a paciência, horas de orações, muita fé, dia após dia, posso dizer que vamos nos fortalecendo, superando as lágrimas, por mais difícil que seja, temos que viver para os que estão vivos e aos poucos readquirir o sorriso que fugiu do olhar, mesmo que por fora sorrimos, mas por dentro nosso coração nunca mais será o mesmo, posso afirmar.
A todos vocês muita força e esperança. Que tenham fé, para superar esta etapa da vida.
Email: vanialorenzoni@hotmail.com

*Funcionária da EMATER/RS
no município de São José do Inhacorá




A tragédia do Congresso Nacional...

*Ivann Lago

Foi em dois capítulos. Um na sexta, dia 1/2, e outra na segunda, dia 4/2. Primeiro, a eleição de Renan Calheiros para presidência do Senado. Depois, a de Henrique Alves para a presidência da Câmara. Um, criador de vacas fantasmas, falsificador de notas fiscais e esbanjador sorrateiro do dinheiro do Senado, de onde já havia renunciado ao cargo de presidente para não ser caçado. O outro, deputado vitalício (está na Câmara há 41 anos!), enriqueceu repassando emendas orçamentárias de sua autoria à execução de empresas, cujo dono ele nomeou como chefe de gabinete.
Ao contrário do que anunciam alguns analistas, não é a morte da política. É o seu renascimento. Por um tempo (últimos anos) o Congresso Nacional passou por uma crise de legitimidade e de identidade. Pressionado pela opinião pública e pela mídia, chegou a uma encruzilhada... E fez sua escolha: escolheu o retrocesso, a canalhice desavergonhada, o desrespeito ao eleitor, o descaso com a nação.
As eleições dos últimos dias decretam a vitória de um estilo clássico de corrupção e safadeza política sobre o modo "ideológico". É a vitória do coronelismo enraizado de Sarney contra as tentativas de ideologização da sacanagem feitas por Dirceu e sua trupe de mensaleiros auto-intitulados portadores da verdade política que o povo ignorante e alienado não é capaz de perceber.
Está claro que, no Congresso Nacional (e, de resto, em grande parte da política deste país) a corrupção aos moldes tradicionais é mais eficiente. Corrupto que se preze, no Brasil, precisa ter cara-de-pau, ser cínico, precisa mentir descaradamente e acreditar na própria mentira sabendo que é mentira, precisa familiarizar-se com o subterrâneo da política e fazer dele seu lar. Esse negócio de corromper em nome de uma causa, de subornar para viabilizar uma verdade ideológica, de recorrer à ilegalidade e à falta de ética em nome de verdades que o povo ignorante não conhece, é coisa de petista iniciante. Corrupto calejado faz sacanagem para enriquecer, não para salvar o país. Ele corrompe em nome da família e de sua conta bancária (ou de suas vacas fantasmas), não em nome de uma causa ou de uma convicção ideológica.
Agora sabemos disso. Finalmente, o Congresso assumiu um lado. Agora ele é a casa dos corruptos autênticos, não de iniciantes que não sabem corromper e ainda juram "de pés juntos", quando são pegos, que o resto do mundo é estúpido e não entendem o que fizeram. É Sarney, e não Dirceu, o nome da tragédia do Congresso Nacional.

*Mestre e doutor em Sociologia Política



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