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Gerenciamento da lavoura com informação precisa

15/02/2013 - Por Jornal Semanal
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A técnica da agricultura de precisão oferece ao produtor planejamento para a correção do solo na medida certa

As rápidas transformações e as tecnologias desenvolvidas na agricultura nas últimas décadas tornaram a atividade mais competitiva. Porém, exigem dos produtores rurais mais planejamento e profissionalismo, visando aumentar a capacidade gerencial da propriedade.
A agricultura de precisão alia o desenvolvimento sustentável com a produtividade. Uma técnica vista, anteriormente, como acessível apenas a grandes propriedades, se mostra possível para médias e pequenas lavouras.

O que é?
A agricultura de precisão compreende um conjunto de técnicas e metodologias que pretendem aperfeiçoar o manejo das culturas e a utilização dos insumos agropecuários, proporcionando máxima eficiência econômica. As ferramentas desta tecnologia permitem o uso racional dos corretivos e fertilizantes garantindo a redução dos impactos ambientais decorrentes da atividade agropecuária, economizando produtos e uniformizando o solo.

Aposta precisa
O agricultor Irineu Stasiaki de São Miguel, Independência apostou na tecnologia que lhe rendeu bons resultados. Há cinco anos adota a técnica na propriedade tendo em vista que economizaria com o trabalho e os investimentos. "Naquela época solicitei uma análise tradicional de solo, mas para recuperar a lavoura teria que investir mais do que na agricultura de precisão. Além de fazer todo o serviço de distribuição dos fertilizantes. Com essa tecnologia não preciso fazer nada, pois o caminhão distribui tudo automaticamente".
O técnico agrícola da Cotrimaio, Marcelo Kipper, que presta assistência a propriedade, explica que primeiro é realizado um mapeamento da área, depois por meio de ferramentas informatizadas é determinado o local de extração de amostra de solo para a análise. De cada hectare é retirado uma amostra.
Após, a análise passa por uma interpretação e produção de um mapa que aponta onde, quanto e quais os nutrientes que devem ser repostos em cada parte da lavoura. A aplicação dos fertilizantes corretivos é realizada por um caminhão que, controlado por GPS, realiza a distribuição precisa, conforme a interpretação da análise.
São corrigidos o PH, com calcário, o fósforo é corrigido com super-triplo e o potássio com cloreto de potássio.

Resultados animadores
Irineu trabalha com a agricultura de precisão em 10,5 hectares, onde produz soja, trigo e milho. O produtor se diz satisfeito com os resultados obtidos. "No primeiro ano a produtividade do trigo era de 45 sacas/ha, a partir daí aumentou cinco sacas a cada ano. Com a soja cheguei a alcançar 67 sacas/ha. No milho a produtividade também fica bem acima da média", conta.
O aumento da produtividade, de acordo com Marcelo, é em decorrência da aplicação dos nutrientes somente onde o solo estava com déficit, tornando a lavoura uniforme. "O custo de amostragem é mais elevado do que a amostragem tradicional, mas há economia com os produtos utilizados, pois é aplicado somente onde é necessário", explica. A amostragem deve ser feita a cada três anos, conforme recomendações técnicas.
Irineu avalia a diferença e os benefícios do primeiro ao terceiro ano. Se no início ele teve que aplicar grande quantidade de fertilizantes, no terceiro ano a quantidade reduziu consideravelmente. "Portanto, o custo foi bem menor, padronizou a lavoura e a produtividade aumentou bastante. Hoje o agricultor não pode fazer tudo à toa, tem que ter planejamento e técnica. Se eu pudesse, colocaria na cabeça de cada um que temos que acreditar nas novas tecnologias que estão surgindo", disse o agricultor.

Histórico
Existem relatos de que se trabalha com agricultura de precisão desde o início do século XX. Porém, a prática remonta aos anos 1980, quando na Europa foi gerado o primeiro mapa de produtividade e nos EUA fez-se a primeira adubação com doses variadas. Mas o que deu o passo determinante para a sua implementação foi o surgimento do GPS (Sistema Posicionamento Global por Satélites), em torno de 1990. No Brasil, as atividades ainda muito esparsas datam de 1995 com a importação de equipamentos, especialmente colhedoras equipadas com monitores de produtividade.


FOTO: DEISI FABRIM



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