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Fogos, de novo

01/03/2013 - Por Jornal Semanal
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Gustavo Griebler*

A morte representa o fim de uma vida física. Na teoria, simples, não? Mas para quem passa por isso a situação muda um pouco, e a definição teórica implica uma avalanche de sentimentos tristes. Pois é, nem bem completou-se um mês da tragédia da boate de Santa Maria e novamente shows pirotécnicos foram responsáveis por uma morte: a de um menino boliviano atingido por um sinalizador mal manuseado por um torcedor do Corinthians de São Paulo, em uma partida de futebol pela Copa Libertadores da América, na Bolívia.

Mais uma vez ocorreu uma morte por motivo fútil, utilizando-se aparelhos que têm de ser banidos há tempos. Fogos de artifício, sinalizadores, entre outros são aparelhos que somente deveriam ser manuseados por profissionais, já que quem opera em sua maioria os mesmos são amadores, que não sabem em muitos casos como proceder se algo acontece de errado com o sistema, ou então desconhecem como mexer nele. Creio que como é algo que envolve fogo, deveria ser seguida a mesma normatização como é com a posse de armas: registro, licença, etc.

Tomara que a punição ao clube de futebol Corinthians seja mantida, e decisões políticas e jurídicas não cancelem a mesma. A Confederação Sul-Americana de Futebol estabeleceu em dois meses a pena para o time de que sua torcida não poderá frequentar estádios em que o clube estiver jogando pela Copa Libertadores.

A vida do menino não voltará, mas os torcedores refletirão neste período sobre o ocorrido. Creio que a melhor punição foi essa mesma. Banir o clube da competição simplesmente eliminaria o time e não haveria mais jogos. Deixando o clube jogar sem torcida é algo muito mais doído, no meu entender, pois os torcedores sabem que o time precisaria de apoio, mas não podem dar por este lamentável fato acontecido e a consequente punição da entidade de futebol sul-americana.

    Desejo vida curta aos fogos e aos sinalizadores. A vida tem de seguir seu curso normal. Mortes somente devem ocorrer de forma natural, quando algum órgão não mais funcionar, quando alguma doença grave fragilizar o corpo, enfim. Morrer por causa de outro ser humano interrompe o ciclo natural da vida. E é triste, muito triste.


* Mestre em Educação nas Ciências.
Professor de Ensino Superior da SETREM



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