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O que move você?

18/03/2013 - Por Jornal Semanal
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Paixão por motocicletas leva casais a realizar  aventuras pelo mundo curtindo a liberdade sobre duas rodas

por Deisi Fabrim

O gosto pela aventura sobre duas rodas levou  os casais Flávio e Maira Fleck de Três de Maio  e Maurício e Susana Hermann de Santa Rosa  para uma viagem aos Estados Unidos. 
No roteiro, belas paisagens  de diversos lugares dos Estados Unidos, entre eles a famosa Route 66. Além desta, os casais já realizaram muitas outras 'expedições' de moto. 

Motos são feitas para sonhadores. Assim define o bancário Maurício, 48 anos, ao revelar que a paixão por motocicletas está no sangue. "Você já nasce com ela. Claro que algumas coisas podem reforçar isso, como por exemplo, as distantes tardes de domingo, quando íamos, eu e meu irmão, Mauro, pescar com o pai, Lotário, em cima de uma 'portentosa' Lambretta'".
Maurício define a viagem como uma evolução natural do motociclista. "Ninguém compra uma moto só pra ir a Porto Mauá no sábado à tarde ou aos encontros de motociclistas, que são excelentes. Com o tempo, você começa a planejar vôos mais altos, verdadeiras 'expedições', detalhe por detalhe."
Para Flávio, 52 anos, também bancário, o despertar da paixão ocorreu na adolescência. "Neste tempo já era apaixonado por moto, mas o sonho só se tornou realidade em 1982 com a compra da primeira, uma XL250R. Depois disso, participei por uns 15 anos de trilhas e provas de enduro de regularidade". Ele conta que por volta de 1995 começaram a surgir os primeiros encontros de motociclistas no Sul do país, e este era o lugar para encontrar amigos e companheiros que compartilhavam dos mesmos ideais, como a simpatia, aventura, liberdade, viagens. 


Viagens mais marcantes

Flávio e a esposa Maira, 45 anos, empresária, contam das viagens mais marcantes. "Dentre as viagens realizadas têm algumas que marcaram, seja pela beleza dos lugares ou pelas dificuldades, porque de moto, cada dia é uma aventura diferente. Uma que ficou marcada na memória foi para Bariloche, descendo pela Ruta 40, nos pés da Cordilheira dos Andes. Foram seis mil quilômetros, somente eu e a Maira, uma aventura e tanto", revela Flávio.
Depois foram duas viagens aos Estados Unidos, já na companhia de Maurício e Susana, na região da Califórnia (costa Oeste), passando por Los Angeles, Gran Canyon, Las Vegas e São Francisco, e outra na região de New York, Washington, Chicago e Niágara Falls.
Já o casal Maurício e Susana, 47 anos, oficial escrevente, realizam uma expedição a cada dois anos pelo menos. Tudo começou na abelha-de-mel, brinca Maurício, nos anos 80 em uma CB 400. Foram três mil km, passando por Porto Alegre, Torres, Laguna, Florianópolis, Itapema e Camboriú. "Depois de dois anos casados, trocamos a moto por um berçinho. Entretanto a paixão ficou, e em 2000, conseguimos realizar o maior sonho de todos, que foi adquirir a V-Max."
Maurício e Susana passaram a participar de encontros de motociclistas, mas sentiram a necessidade de maiores desafios. "Com o tempo, desafios e sonhos maiores começaram a 'borbulhar' em nossos cérebros. O primeiro deles foi o Atacama, que é a meta da maioria dos motociclistas brasileiros". Foram 6,6 mil quilômetros realizados em 2006, de muita coragem, já que Maurício e Susana e o casal de amigos Delmar e a Marlene Zimmermann, de Tuparendi, foram apenas com um mapa e sem carro de apoio. As maiores dificuldades  foram as temperaturas e ausência de 'estaciones de servicios'(postos de combustíveis). 
Em 2008, o casal foi para Bonito, no Mato Grosso, na companhia do casal Alexandre e Candice Giordani, de Três de Maio, foram 2,8 mil quilômetros curtindo a liberdade sobre duas rodas, além de  lindas paisagens. 


O grande sonho

Assim definiu Maurício para a viagem realizada em 2010. "Inerente a todos os motociclistas do mundo, similar à Meca para os muçulmanos: é a Route 66". Nesta viagem, Flávio e Maira Fleck uniram-se às aventuras, além do casal Alexandre e Candice Giordani, de Três de Maio e Marcelo e Marcia Donini de Bento Gonçalves. Eles foram até o Norte do continente de avião e lá alugaram as motos para o tão aguardado sonho.
Já em agosto do ano passado Mauricio e Susana e Flavio e Maira voltaram aos EUA, em busca do início da mística Route 66, em Chicago. "Foram mais quatro mil quilômetros, em 10 estados. Toda a viagem, ao contrário do que possa parecer, não foi um Rally, mas um, digamos, 'slow motion'. Raramente ultrapassamos as 60mi/h", brinca Maurício.
Philadelphia, Washington, Louisville, Springfield, a Route 66, em Illinóis, Chicago, Cleeveland, Niagara Falls, Bethel (Woodstock) e Nova York foram os lugares visitados. Histórias e encantamentos não faltam para estes casais que experimentaram um país onde puderam ver extremos entre a simplicidade e as paisagens desérticas de algumas cidades e a modernidade, imensidão e movimento de outras.  Alémdo conhecimento de novas culturas, tanto no modo de agir como de vestir de povos só antes vistos em filmes. 


Viajar de moto não é para todos

Flávio avisa que viajar de moto não é para qualquer pessoa. "Não é confortável, não tem ar condicionado, pega-se chuva, frio, calor, literalmente você interage com o ambiente o tempo todo. Vê coisas que de dentro de um automóvel jamais conseguiria ver e sentir, o espírito aventureiro tem que estar presente. E se tiver uma companheira para poder compartilhar esses momentos, é divino".
Para um motociclista, não existem pontos negativos em nenhum tipo de viagens, afirma Maurício. "Quanto mais longe, melhor. Claro que, se você não gosta de moto, vai achar ruim, pois não tem ar condicionado, nem proteção à chuva; calorão infernal num dia e frio noutro. E, verdadeiro terror às mulheres, não tem espaço para 'buy somethings'", finaliza. 


Dicas para viagens de motos
Por aventureiros

- Planejamento do roteiro; 
- Hotéis devem ser bem localizados, nem que sejam um pouco mais caros, pois você conseguirá conhecer quase tudo a pé; 
- Uns trocos no bolso para pequenas despesas e cartão de crédito;
- Um pouco de inglês, pois, nessa região encontramos poucas pessoas que falam o espanhol; 
- O GPS é indispensável, pois eles teriam umas 10 opções para ir de Três de Maio a Independência, por exemplo;
- Bons tênis, pois você caminhará muito, muito mesmo; 
- E o principal: boa companhia. Não vá sozinho! É sempre mais divertido conhecer tudo acompanhado. Leve sua companheira(o) e, no mínimo, um casal de amigos. O ideal é dois.





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